Brazlândia lucra com goiaba. Graças ao fim
da crise hídrica e ao maior volume de chuva, o Distrito Federal deve ter a
melhor safra da fruta em 10 anos, com 12 mil toneladas 32,6% a mais que
o colhido em 2018. A cidade concentra 98% do que é plantado e colhido na
capital
Nicho importante da produção frutífera no Distrito
Federal, a goiaba se consolida, a cada ano, na agricultura da capital do país.
Se as expectativas para 2019 se concretizarem, esta será a maior safra dos
últimos 10 anos. Em média, o comércio da fruta movimenta R$ 223 milhões por ano
e é fonte de renda para cerca de 90 produtores rurais em Brazlândia, que
concentra cerca de 98% do que é plantado e colhido no DF.
A safra da fruta ocorre em dois períodos do ano:
entre fevereiro e abril e de setembro a novembro, quando há colheita menor. A
previsão da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal
(Emater-DF) é de que a produção deste ano alcance 12 mil toneladas — 32,6% a
mais do que em 2018, quando registrou 9 mil toneladas. A quantidade é
praticamente a mesma de 2017 (9,1 mil).
A crise hídrica do DF nos últimos dois anos
impactou a rotina dos produtores. No entanto, os resultados devem melhorar
devido à antecipação das chuvas e do maior volume de água deste ano, segundo a
extensionista rural da Emater-DF, Magali Fortes. “Houve mais água que o
esperado. Além disso, o número de produtores aumentou e alguns já colherão em
2019”, ressalta.
Magali acrescenta que, com o racionamento de água,
muitos responsáveis pelas plantações abriram mão, temporariamente, do plantio
de folhagens para investir nas goiabas. “As hortaliças demandam bastante água.
Sem falar que aqui há boas condições produtivas para essas frutas”, explica.
Ainda segundo ela, Brazlândia se fortaleceu no ramo devido à imigração
japonesa. “Muitos vieram de São Paulo com o intuito de plantar goiabas. A
produção delas se consolidou antes até que a do morango.”
Cleiton Kiyowaka, 36 anos, entrou no ramo há pouco
tempo. No entanto, a história da família com o cultivo das frutas data de mais
de duas décadas. “O diferencial das goiabas é o custo-benefício. Começamos como
um teste. Hoje, temos mais de 7 mil pés na nossa chácara”, comentou o produtor.
A safra obtida pela família é colhida durante todo o ano. “O bom delas é que a
perda acontece, mas é pouca, e a demanda é sempre grande. Vendemos para o
público, a indústria e o governo”, destacou Cleiton, cuja família também
investe na plantação de morangos e folhagens.
Empregos
Na região de cultivo da fruta no DF, a plantação de
pés de goiaba gera, aproximadamente, 300 empregos diretos e 600 vagas de mão de
obra temporária. As principais variedades da cidade são a pedro sato, para
consumo in natura, e a paluma, mais voltada à indústria. Além delas, há outros
tipos, como a sasaoka e a ogawa, além das duas novas que têm sido desenvolvidas
por aqui: a tailandesa e a cortbel, que só apresentará uma safra razoável para
comercialização daqui a um ou dois anos.
Para o presidente da Associação Rural e Cultural
Alexandre de Gusmão (Arcag), Takao Akaoka, os produtores de Brazlândia estão
mais engajados. Ele conta que, por permitirem a colheita por décadas, a
característica das goiabeiras fez com que elas se tornassem mais visadas. “Dá
para colher o ano todo. Em área, a goiaba é o maior destaque da cidade. Ela só
perde para o morango em número de produtores e em popularidade”, comenta.
Takao acrescenta que o boom da colheita será
percebido deste ano em diante. “A plantação subiu bastante entre 2012 e 2014.
Estão começando a colher agora. A produção não alcançou o auge ainda. Daqui a
dois ou três anos, tempo que leva para começarmos a colher bem, ela vai
dobrar”, acredita.
Frutas rendem festas populares
De
sexta-feira até ontem, produtores se reuniram em Brazlândia para vender dezenas
de subprodutos da goiaba, assim como acontece com o morango, principal produto
da agricultura local. Essa foi a quarta edição da Festa da Goiaba. Nos três
dias, cerca de 7 mil pessoas passaram pelo salão da Associação Rural e Cultural
Alexandre de Gusmão (Arcag).
Organizada pela Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), em parceria com a Arcag e a
Administração de Brazlândia, a festa ocorre sempre em março, no período de
maior colheita da fruta. O momento é propício para aumentar o lucro dos
produtores.
Dono de uma chácara com 620 pés de goiaba, Gildasio
Mendes de Oliveira, 64 anos, escolheu trabalhar com a fruta depois de analisar
o mercado, onde ela era mais vendida e a qualidade do alimento. “Formei-me em
gestão comercial e quis botar em prática o que aprendi. Comecei investindo em
600 pés. Um ano e meio depois, estava colhendo e tendo retorno financeiro”,
contou.
Gildasio vende as frutas há oito anos e conta com a
colaboração do filho e de duas outras pessoas que ajudam a cuidar do cultivo e
dos negócios. “Vivo da agricultura e trabalho com outros itens. Um dos meus
principais compradores é o governo. Forneço 28 tipos de alimentos usados nas
merendas das escolas”, completou o morador do Incra 6, em Brazlândia.
A produção de morangos e, agora, de goiabas, também
virou negócio de família para a vendedora Beatriz Marques, 23. A família é dona
de uma chácara na região rural do Rodeador, onde planta morangos. A produção de
subprodutos elaborados com a fruta fez tanto sucesso que a família resolveu
investir, também, nas goiabas. “Nesse caso, compramos as frutas do nosso
vizinho e levamos os alimentos que fazíamos com morango para a goiaba”, contou.
Beatriz e a prima Rafaela Moura trabalharam juntas
em um estande na Festa da Goiaba vendendo alimentos feitos das duas frutas.
“Fazemos tudo em família. Desde a colheita e compra até a venda de bolos,
geleias e sorvetes”, completou Beatriz.
Foto: Ed Alves/CB/D.A.Press - Correio
Braziliense
