Investimento milionário em Wi-Fi grátis “foi perdido”, diz secretário
“Os governos passados gastaram muito com o projeto, que não saiu do papel”, diz
Gilvan Máximo, titular da pasta de Ciência e Tecnologia
Após lançar projeto para fornecimento
de internet grátis em grandes pontos de circulação de pessoas no
Distrito Federal, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gilvan
Máximo, disse ao Metrópoles que o investimento de
R$ 26,7 milhões em programa anterior “foi perdido”.
“Os governos passados gastaram muito dinheiro com o projeto,
que não saiu do papel. O serviço não foi de excelência e não foi prestado para
a população”, criticou. Com o valor milionário, segundo o secretário, os
gestores compraram aparelhos que se tornam obsoletos, em um período de dois
anos, e precisam ser trocados a fim de oferecer internet de qualidade.
Para o gestor, o Executivo não tem preparação para gerir esse tipo
de serviço. Questionado se a despesa foi perdida, Máximo afirma “ter certeza”
disso. “Repito: o governo não está preparado para isso. Tem que ser o órgão
fiscalizador”, opinou.
O programa Sinal Livre foi lançado em 2013, durante o governo petista.
Três anos depois, em 2016, durante a gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB), o
Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apontou diversas
falhas, dificuldade de acesso e o risco de desperdício de recursos públicos
investidos no projeto.
Assista à íntegra da entrevista:
Em fevereiro de 2019, a secretaria lançou o Wi-Fi Social DF, que pretende levar conexão sem fio para a
população em pelo menos 112 pontos, por meio de parceria com a iniciativa
privada. As empresas poderão explorar a publicidade digital e
também de forma física por meio de placas de apoio. Não haverá gasto
do Governo do Distrito Federal (GDF), segundo Máximo.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação
também falou ao Metrópoles sobre a Campus Party, que
será realizada em junho, a falta de recursos em 2019, projetos de inclusão
e a respeito de tratativas para a recepção de empresas internacionais
de grande porte no Distrito Federal.
Para construir uma Cidade Inteligente, a pasta projeta, também,
criar em Brasília um polo de tecnologia, mas reconhece a falta de mão de
obra. De acordo com o titular da secretaria, a solução passa
pela oferta de cursos profissionalizantes.
Máximo citou as companhias Google, Amazon e Microsoft (que tem
sede na capital, conforme destacou a empresa por meio de nota), mas preferiu
manter sob sigilo quais estão em negociação atualmente para se instalar na
Cidade Inteligente.
O Google informou não ter, no momento, plano relacionado à
instalação da companhia no DF, e a Amazon disse que não
comenta especulações.
Investimento
milionário em Wi-Fi grátis "foi perdido"
Como a pasta tornou-se independente na remodelação estrutural promovida pelo
governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) em 2019, ela não terá dinheiro disponível
para investimento, segundo o secretário. Por isso, a intenção é se valer de
recursos do Fundo de Apoio à Pesquisa (FAP) para programas como o que prevê
a inauguração de cinco laboratórios de robótica nos próximos seis meses.
As unidades funcionarão no Sol Nascente, na Estrutural, em Ceilândia, no
Itapoã e em outra região que ainda será escolhida. O projeto conta com parceria
da iniciativa privada e do governo federal. Não há estimativa ainda,
entretanto, do valor que será investido pelo GDF.
O Instituto Campus Party é responsável pela gerência e formação de
facilitadores e monitores para atuarem dentro dos Laboratórios Include. Ao Metrópoles, a entidade confirmou que cinco unidades serão
inauguradas no DF e há informações para mais cinco. “São abertas três turmas de
25 alunos por semestre. Totalizando 300 alunos atendidos em cada, no período
de dois anos em que o projeto é contratado”, informou.
O FAP informou que, conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA), estão
previstos R$ 366 milhões para o fundo em 2019, dos quais R$ 264 milhões
serão destinados ao fomento de pesquisas.
Eleito em 19 de fevereiro como presidente do Conselho Nacional de Secretários
Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti), Máximo
também está de olho em verba do governo federal e do exterior. “O ministro
Marcos Pontes [da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações] mandou que a
gente procurasse uma entidade dentro da ONU que fomenta tudo que quiser montar
em relação a carros elétricos. Vamos elaborar os projetos para que isso saia do
papel”, assinalou.
Por Isadora Teixeira - Fotos: Hugo Barreto - Metrópoles
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