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SAÚDE » #ajudevivi a encontrar uma medula

Parentes e amigos de criança de 2 anos fazem campanha para aumentar o número de doações e, assim, conseguir realizar um transplante. Essa é a única chance de sobrevivência da menina, que tem leucemia e passa pelo segundo ciclo de quimioterapia

A doença de Vivi voltou há poucos dias: sorridente, mesmo no hospital

A pequena Vivian Cunha Iliopoulos, 2 anos, é sorridente e conversadeira. Para continuar se desenvolvendo feliz e saudável, porém, ela precisa de um transplante de medula óssea. Como as chances de encontrar um doador compatível são pequenas — de uma em 100 mil —, parentes e amigos da família deram início a uma campanha para salvar a vida da menina. Internada no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, Vivi, como é chamada carinhosamente por todos, encontra forças para brincar, fazer amigos e até teimar com a mãe vez ou outra. Ela já tinha passado por uma quimioterapia, mas teve uma recaída há alguns dias.

A leucemia transformou a vida da família de Vivian. Eles moravam no Canadá e estavam de férias no Brasil quando os médicos diagnosticaram a doença. Ela começou o tratamento aqui e os pais decidiram ficar no Distrito Federal, onde vive a família de Fabiana Lima Cunha, 31, mãe da criança. Era outubro de 2013. Na época, Vivi estava pálida, febril, com a barriga inchada, tinha dificuldade para comer e diarreia. “Ela passou um ano e meio em tratamento. Manteve-se feliz na maioria dos dias. As poucas vezes em que ficou abatida, não sofreu com enjoos. Sempre se manteve forte (leia depoimento)”, conta Fabiana. A família chegou, inclusive, a achar que a criança estava curada, mas há três dias soube que a doença tinha voltado.

Diante do novo diagnóstico, o próximo passo é receber mais um ciclo de quimioterapia com o objetivo de preparar o corpo da criança para um transplante — única chance de ela se livrar da doença. De acordo com Fabiana, dessa vez, a doença não se manifestou. Os pais começaram a estranhar após a menina sofrer uma queda. Apesar de ser um acidente aparentemente banal, ela começou a se queixar de muitas dores e apresentou dificuldades para se locomover. Ela teve febre e os pais a levaram ao setor de oncologia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). “Desde o início, a leucemia dela era muito agressiva. Nesse momento, esperamos o tratamento para prepará-la para o transplante. Essa é a única possibilidade que temos”, relata a mãe.

Fabiana e o marido, Antonis Iliopoulos, que é chef de cozinha, abriram um restaurante em Brasília. Ele cuida dos negócios e se reveza com a mulher para ficar com a filha. Mas Vivi só aceita que a mãe durma com ela no hospital. Avós e tios também se revezam para visitá-la e manter a menina animada. Ela corresponde com sorrisos enquanto brinca, desenha e colore. “Ela é animada. Fala que nem uma matraca. Conversa o dia inteiro. Trazemos brinquedos, e o hospital também oferece”, conta Fabiana.

Esperança
O número de voluntários para doação de médula óssea  no DF está abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde. A média de inscritos no ano passado foi de 3,9 mil — 5,1 mil a menos que os 9 mil recomendados pela pasta. O número é baseado em um cálculo elaborado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) para garantir a representatividade da diversidade genética da população e, assim, uma maior oportunidade de identificação de doadores, além de assegurar o uso adequado dos recursos financeiros disponíveis em cada unidade da Federação.

Segundo orientações do Inca, qualquer pessoa entre 18 e 55 anos está apta para ser doadora, desde que esteja saudável (não tenhs doença contagiosa ou incapacitante). Os interessados devem procurar o Hemocentro para doar. Em Brasília, isso pode ser feito na Fundação Hemocentro de Brasília (FHB), no começo da Asa Norte. Voluntários preenchem um cadastro e têm o sangue coletado para determinar características genéticas que sejam compatíveis com as do receptor. Esses dados são armazenados em um sistema informatizado que cruza os dados de voluntários e pacientes.

Apesar de difícil, é possível encontrar um doador de medula óssea. É o que prova a história do militar Michel Maruyama, 31 anos. Familiares e amigos do rapaz fizeram uma campanha nas redes sociais. O movimento #tamojuntomichel provocou 10 mil cadastros no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). A corrida contra o tempo na busca de uma pessoa compatível levou quase um ano. O paciente recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide aguda (LMA) em 21 de março de 2014, após sofrer com fadiga e anemia grave. Depois de diversos ciclos de quimioterapia, a doença regrediu e Michel se tornou candidato para o transplante de medula, realizada em 9 de abril, após a doação de uma pessoa anônima. Um mês depois, mais uma boa notícia: a medula “tinha pegado”, jargão médico para definir que a cirurgia foi um sucesso.

Depoimento: A lição que vem das crianças
“A gente aprende muito com essas crianças. Todas se mostram muito forte. Na primeira quimioterapia da minha filha, ela tinha momentos difíceis, mas, na maioria dos dias, estava feliz, sorridente. Isso é o que sempre me deu forças para suportar. A força dessas crianças é uma grande lição. Com tantos remédios fortes, efeitos colaterais, tratamentos muitas vezes agressivos, elas ainda querem brincar, conversar. Precisamos de um aumento no número de doações de medula para conseguirmos encontrar um doador para minha filha. Falta muita informação sobre esse tipo de doação, que tem menos exigências que uma doação de sangue, por exemplo.”
(Fabiana Lima Cunha, 31, mãe de Vivian Cunha Iliopoulos, de 2 anos)


Fonte: Luiz Calcagno – Correio Braziliense 

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