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Governo de Brasília: Ações para pagar dívidas

"Com esse propósito, de proporcionar o ingresso de receita nos cofres do DF, é apresentada a presente proposição" Leonardo Colombini, secretário de Fazenda

O governo local aposta na venda de papéis de estatais para aumentar a arrecadação. Apesar de a proposta manter o GDF como sócio majoritário, ela sofre a rejeição de parlamentares e sindicatos

Atolado em dívidas, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) aposta na venda de ações de estatais para incrementar a receita do Governo do Distrito Federal (GDF) e sair da crise financeira. O Palácio do Buriti faz questão de ressaltar que não se trata de privatização e que o projeto de lei (PL) permite apenas negociações de modo que o governo local siga como sócio majoritário das empresas — podendo, assim, vender até 49,9% das companhias. O argumento de que o Executivo local continuará dando a palavra final em todas as decisões, contudo, não tem funcionado: sindicatos se posicionaram contra a medida; deputados distritais também são contrários e não demonstram disposição para aprovar o PL; especialistas, por fim, questionam a efetividade da proposta e as consequências futuras que ela possa trazer.

O GDF protocolou o projeto na última semana e pediu a tramitação em regime de urgência — os deputados sempre expressaram a rejeição às votações que acontecem desta maneira e afirmam que a pressa imposta pelo Buriti dificulta a melhor apreciação dos PLs. Além disso, não interessa aos parlamentares votar a favor de projetos que vão contra a vontade de servidores e sindicatos. Por isso, entre os distritais, de todo o pacote enviado por Rollemberg, somente a securitização da dívida ativa conta com a simpatia da maioria da Casa. Os outros devem ser reprovados.

No PL enviado ao Legislativo, o secretário de Fazenda, Leonardo Colombini, explica os motivos do Executivo para vender as ações. “A grave situação de desequilíbrio financeiro e orçamentário em que se encontra o DF faz com que o principal desafio da atual gestão seja a busca por alternativas para que as suas obrigações, inclusive aquelas para manutenção e funcionamento da máquina pública, possam ser honradas. É com esse propósito, de proporcionar o ingresso de receita nos cofres do DF, é apresentada a presente proposição”, explica.

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do DF, Ibrahim Yousef, afirma que todas as entidades que representam funcionários públicos do GDF estão unidas contra a medida. “Vemos as empresas públicas como um patrimônio de Brasília. Defendemos a manutenção do poder sobre todas elas, pois são rentáveis para o Estado. Há casos de má-gestão, mas são pontuais”, argumenta. Mesmo que o governo siga como sócio majoritário, ele teme mudanças na relação com os empregados. “Vamos bater de frente com essa proposta, pois pode prejudicar as nossas condições de trabalho.”

O integrante do Conselho Regional de Economia e professor da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques afirma que o receio dos sindicalistas faz sentido. “A partir do momento em que parte da empresa é vendida, o servidor perde força, pois o funcionário tem mais voz quando o governo é o único patrão”, explica. Ele acredita que o PL de Rollemberg pode ser “um tiro no pé”. “Ele tem procurado fazer caixa, pois viu que a arrecadação caiu e não será suficiente para honrar os compromissos. Ao vender as ações, porém, ele só pensa no curto prazo e resolve a questão de falta de recursos. Esquece o futuro e a redução de lucros que isso pode trazer.”

O Correio procurou as empresas que pertencem ao governo local para saber qual é o valor de mercado delas e quanto podem representar de lucro para o GDF em eventuais negociações. Até o fechamento desta edição, nenhuma estatal respondeu aos questionamentos. Apenas a Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), por meio de nota, informou que é impossível avaliar o valor de uma empresa que não tem ações no mercado. “Você tem o valor da base de ativos, que é de R$ 2,9 bilhões. Isso é calculado para fins regulatórios, pela metodologia do valor novo de reposição. Corresponde, mais ou menos, a dizer que esse seria o valor patrimonial”, explicou a nota.


Fonte: Matheus Teixeira – Correio Braziliense

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