"Minha missão será de fazer a coordenação administrativa entre as diversas áreas do governo, para termos uma gestão ágil" Sérgio Sampaio, novo chefe da Casa Civil do DF
Funcionário concursado da Câmara dos Deputados desde os 21
anos, o novo chefe da Casa Civil era o atual diretor-geral da Casa
Em 2001, um jovem servidor concursado assumiu a
Diretoria-Geral da Câmara dos Deputados, para surpresa dos políticos mais
influentes da Casa. Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida foi indicado para o
cargo pelo então presidente da Câmara, Aécio Neves. O advogado chamou a atenção
com seu trabalho à frente da secretaria da Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) e aos 33 anos chegou a um dos postos mais importantes da Câmara. De lá
para cá, o servidor de carreira ganhou traquejo político e se tornou um dos
nomes mais influentes do parlamento. O perfil que alia a competência técnica à
habilidade para lidar com 513 deputados foi o diferencial que levou ao convite
para assumir a chefia da Casa Civil do Distrito Federal.
Sérgio
Sampaio, 47 anos, é formado em direito pela Universidade de Brasília (UnB).
Passou no concurso de técnico legislativo em 1989, com apenas 21 anos. Além de
secretário da CCJ e diretor-geral por 12 anos, foi secretário-geral da Casa. Na
Diretoria-Geral, Sampaio controlou todas as atividades administrativas da
Câmara dos Deputados, o setor de recursos humanos, a Polícia Legislativa, a
assessoria técnica, além da área de projetos e gestão.
O convite
para assumir o posto veio há duas semanas. O anúncio só ocorreu ontem porque
foi preciso aguardar uma conversa entre Rollemberg e o presidente da Câmara,
deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sampaio disse ao Correio que recebeu a missão
de fazer uma articulação dentro do GDF. “A orientação que o governador passou é
de fazer um trabalho de coordenação entre as pastas, para tocar os projetos
necessários para a cidade. Minha missão será de fazer a coordenação
administrativa entre as diversas áreas do governo, para termos uma gestão
ágil”, explicou. Ele não quis adiantar se haverá mudanças na estrutura da Casa
Civil, como a separação da área de comunicação social.
Sérgio
Sampaio e o governador se conheceram quando Rollemberg era deputado federal.
“Temos muitas afinidades de ideias, ele é uma pessoa de bem, com a mentalidade
de uma nova maneira de proceder na política. O governador defende uma gestão
mais ágil e profissional e nos cativa pela dedicação com que toca o governo”,
comentou. “Estou disposto a arregaçar as mangas para fazer esse trabalho.”
Sobre a
tarefa de fazer a articulação política dentro do governo, Sérgio Sampaio disse
que o trabalho precisa “ser construído com muita conversa e convencimento”.
“Vamos mostrar que o trabalho de melhorias para Brasília pode ser feito
independentemente de coloração partidária”, finalizou o novo chefe da Casa
Civil.
Elogios
O
ex-secretário-geral da Câmara dos Deputados Mozart Vianna, que ficou no cargo
durante 24 anos, elogiou o trabalho do antigo colega. “Sampaio é uma pessoa da
mais alta competência e teve um trabalho brilhante como diretor-geral, que não
é um cargo fácil. Todos os parlamentares gostam muito dele, que é um
profissional corretíssimo”, elogia Vianna. “Com a experiência de administrar
uma Casa com 513 parlamentares, ele fará um bom trabalho no Distrito Federal”,
acrescentou.
Deputado
mais antigo da Câmara dos Deputados, com 11 mandatos consecutivos, Miro
Teixeira (PDT-RJ) também tece elogios ao funcionário. “Sempre foi um servidor
exemplar. Ele é de uma linhagem diferenciada de funcionários públicos, que
representam exatamente o que a expressão quer dizer. Está acostumado ao
ambiente político e, por isso, associa as qualificações técnicas à experiência
política”, comenta Miro.
O diretor
do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, Antônio Augusto de
Queiroz, lembra que Sampaio ganhou destaque na Câmara pelas mãos de Aécio, mas
se relacionou bem com os presidentes seguintes. “Ele entrou no grupo que ficou
conhecido como os ‘Menudos do Aécio’. Quando se elegeu presidente da Câmara, o
Aécio tirou antigos poderosos e colocou um grupo de jovens, que se saiu muito
bem”, conta. “Ele é tecnicamente preparado e tem traquejo político”, acrescenta.
"Sampaio
é uma pessoa da mais alta competência e teve um trabalho brilhante como diretor-geral, que não é um cargo fácil”
(Mozart Vianna, ex-secretário-geral
da Câmara dos Deputados)
"Sempre
foi um servidor exemplar. Ele é de uma linhagem diferenciada
de funcionários públicos, que representam exatamente o que a expressão quer
dizer”
(Miro Teixeira (PDT-RJ), deputado
mais antigo da Câmara dos Deputados)
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Os nós a serem desatados
Sérgio
Sampaio não poderá se ater apenas a questões técnicas enquanto estiver na
chefia da Casa Civil. Com o papel de coordenar as ações do GDF, ele terá muito
trabalho para recuperar as finanças do DF e, ao mesmo tempo, conter as crises
políticas do Buriti, seja na relação com aliados, seja nas disputas internas do
palácio. Como principal gestor do governo, caberá a ele o desafio de articular
o fortalecimento da base aliada na Câmara Legislativa e melhorar a gestão do
governo, de modo que não sofra tantas críticas em casos como a greve dos
rodoviários e a crise na saúde pública.
Securitização
Uma das
vitórias do governo de Rodrigo Rollemberg foi a aprovação da securitização da
dívida ativa na Câmara Legislativa do DF, na última terça-feira. Dessa forma, o
Executivo vai poder transformar os débitos de contribuintes em títulos a serem
comercializados no mercado financeiro. Embora o governo Rollemberg já tenha
conseguido o apoio da casa legislativa, o próximo gestor tem o desafio de
organizar o chamamento público para a escolha da Sociedade de Propósito
Específico, que vai comercializar os títulos. Além disso, falta estabelecer as
regras de funcionamento da securitização, como as taxas de juros praticadas e
como será o resgate do investidor. A dívida ativa que pode virar título está
avaliada em R$ 1 bilhão.
Relação com PDT
Partido
mais forte do Distrito Federal hoje, o PDT conta com três deputados distritais
e dois senadores, Critovam Buarque e José Antônio Reguffe, duas das figuras
públicas mais populares da cidade. Perder o apoio dos trabalhistas, neste
momento que já é de crise, não interessa a Rollemberg. Como as críticas ao
governo eram geralmente direcionadas a Hélio Doyle, agora Sampaio terá de
costurar a reaproximação com a legenda.
Saúde pública
O caos
vivido na saúde pública no DF levou o eleitor brasiliense a eleger o médico Agnelo
Queiroz (PT) para governador. O político especialista na área ter entregue,
quatro anos depois, um serviço pior do que recebeu, foi um dos principais
motivos que elevaram sua rejeição como chefe do Executivo. Os hospitais
públicos continuam caóticos e, há cinco meses no GDF, a gestão de Rollemberg
não surtiu efeito prático no cotidiano do usuário da rede pública de saúde. O
socialista tem ciência que não pode se igualar ao petista e deixar de resolver
os problemas na área. Assim, como homem forte da gestão, Sampaio terá a
incumbência de cuidar de perto da atuação da Secretaria de Saúde.
Relação com
deputados
Rodrigo
Rollemberg assumiu o governo alegando um rombo nas finanças públicas acima de
R$ 3 bilhões. Com dificuldades econômicas, o socialista afirma que não há
recursos suficientes para honrar os compromissos com credores e servidores
públicos — segundo ele, é necessário aumentar a arrecadação. Para resolver a
situação, o GDF enviou à Câmara Legislativa um pacote de medidas que visam
incrementar o caixa do governo. Muitas das ações, no entanto, são impopulares e
não contam com a simpatia da maioria dos distritais. Como Rollemberg ressalta
que essa é a única saída para a crise, a aprovação de projetos, como o que
autoriza a venda de ações de estatais e outro que aumenta a cobrança da Taxa de
Limpeza Pública (TLP), se fazem necessários.
Lei de
Responsabilidade Fiscal
No limite
prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o GDF está impedido de
fazer nomeações — a previsão é que esse quadro se agrave com os reajustes dados
a 32 categorias. Dessa forma, o Buriti tem pela frente o desafio de pagar os
salários reajustados em dia e, ainda assim, escapar do limite imposto pela
legislação para gastos com pessoal. Além disso, órgãos importantes do governo,
como a Central de Aprovação de Projetos (CAP), carecem de funcionários. A
contratação de servidores comissionados pode ajudar a resolver esses problemas.
Dar os aumentos e sair da LRF ao mesmo tempo é um dos principais desafios de
Sampaio.
Nova cara
A imagem
de que Hélio Doyle mandava mais do que Rollemberg e a lentidão em dar respostas
a problemas pontuais da sociedade marcaram os cinco primeiros meses do atual
mandato. A chegada de Sampaio é uma oportunidade para o socialista dar uma nova
cara à sua gestão. Programas estruturantes — como uma série de concessões
públicas e Parcerias Público Privadas —, ações efetivas em áreas prioritárias e
grandes obras prometidas na campanha têm de sair do papel para alavancar a
aprovação de Rollemberg.
Fonte: Helena Mader - Matheus Teixeira - Correio Braziliense
