Rodrigo Rollemberg queria há duas semanas a saída do
jornalista Hélio Doyle da Casa Civil. A demissão começou a se desenhar em 29 de
maio, depois de uma longa conversa. Na época, o poderoso homem do governo
começava a sofrer intenso bombardeio de sindicatos, políticos e até de outros
integrantes do Palácio do Buriti. Virara o bode expiatório. Rodrigo Rollemberg
teve a ideia de fazer uma troca, sem abrir a porta de saída para o braço
direito desde a campanha eleitoral. Surgiu o convite para que Doyle trocasse a
Casa Civil pela Chefia de Gabinete da governadoria, no lugar de Rômulo Neves,
que já tinha outros planos. O jornalista mudaria de lugar na equipe e levaria
consigo toda a área de comunicação. No meio do caminho, no entanto, estourou a
crise com a presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PDT), e com outros
integrantes do partido, liderados pelo senador Cristovam Buarque (PDT). Como na
política qualquer gesto provoca interpretações, a leitura que se faria seria a
de que Rollemberg trocou a escalação de seu time por influência da crise com o
PDT. O convite de mudança ficou congelado.
Pedido aceito
No mesmo dia em que teve a conversa com Hélio
Doyle sobre mexer nas atribuições da Casa Civil, ainda em 29 de maio, o
governador Rodrigo Rollemberg fez o convite oficial para que o diretor-geral da
Câmara dos Deputados, Sérgio Sampaio, assumisse a função mais importante do
Buriti. A resposta foi positiva. Funcionário de carreira da Câmara, Sampaio é
conhecido no Congresso como hábil nas relações políticas, bom gestor,
especialista em contratos administrativos e fera em orçamento. “Ele é da
Geração Brasília”, completa Rollemberg.
Batalha
Em conversas reservadas, Rodrigo Rollemberg tem dito: “Estamos perdendo a batalha da comunicação”. A queixa é de que o governo não conseguiu até agora mostrar à população as primeiras realizações, as medidas adotadas para sair da crise financeira, a boa vontade com o pagamento em dia dos servidores públicos, a importância de aumentar a arrecadação para aplicar recursos nas áreas fundamentais e o tamanho do rombo herdado do governo anterior.
Em conversas reservadas, Rodrigo Rollemberg tem dito: “Estamos perdendo a batalha da comunicação”. A queixa é de que o governo não conseguiu até agora mostrar à população as primeiras realizações, as medidas adotadas para sair da crise financeira, a boa vontade com o pagamento em dia dos servidores públicos, a importância de aumentar a arrecadação para aplicar recursos nas áreas fundamentais e o tamanho do rombo herdado do governo anterior.
Divisão
A saída de Hélio Doyle muda também a estrutura do governo. Rodrigo Rollemberg já decidiu que a Casa Civil será uma secretaria forte, mas vai perder a atribuição de comandar diretamente a comunicação. O governador ainda não escolheu o nome para a área — uma das mais sensíveis. Pretende tomar a decisão nos próximos dias. No comando da pasta, Doyle tinha o poder de governança e de relações com a imprensa. Para Rollemberg, ficou claro que esse modelo não funciona.
A saída de Hélio Doyle muda também a estrutura do governo. Rodrigo Rollemberg já decidiu que a Casa Civil será uma secretaria forte, mas vai perder a atribuição de comandar diretamente a comunicação. O governador ainda não escolheu o nome para a área — uma das mais sensíveis. Pretende tomar a decisão nos próximos dias. No comando da pasta, Doyle tinha o poder de governança e de relações com a imprensa. Para Rollemberg, ficou claro que esse modelo não funciona.
Goleada
À coluna e na coletiva de ontem, Hélio Doyle disse que o governo só jogou nove minutos do primeiro tempo de 90 minutos. Foi, então, que começaram as brincadeiras. Na fatídica partida da Copa do Mundo de 2014, Thomas Müller fez o primeiro gol contra o Brasil. Aos 29 minutos, a Alemanha já goleava por 5 x 0. Não teve um craque brasileiro com capacidade para virar esse jogo.
À coluna e na coletiva de ontem, Hélio Doyle disse que o governo só jogou nove minutos do primeiro tempo de 90 minutos. Foi, então, que começaram as brincadeiras. Na fatídica partida da Copa do Mundo de 2014, Thomas Müller fez o primeiro gol contra o Brasil. Aos 29 minutos, a Alemanha já goleava por 5 x 0. Não teve um craque brasileiro com capacidade para virar esse jogo.
Outros tempos
Hélio Doyle sempre teve um perfil técnico, mas a
política está em suas veias. Um dos fundadores do PT, o jornalista sempre
militou em causas públicas. Na eleição de 1986, teve 5.912 votos entre 728.543
eleitores. Isso representa 0,81% do eleitorado à época. Proporcionalmente,
obteve mais do que a sua algoz, a poderosa presidente da Câmara, Celina Leão
(PDT), eleita para um cargo de distrital com 12.670 votos entre 1.897.677
eleitores. Um total de 0,66%.
Ponto final
Rodrigo Rollemberg estava abatido ontem com a
saída de Doyle. Mas parecia convencido de que não havia outro caminho. Um ciclo
que começou antes mesmo da campanha de 2014 chegava ao fim.
Fonte: Ana Maria Campos – Coluna “Eixo capital” – Correio Braziliense

