A saída de Hélio Doyle do cargo de chefe da Casa Civil do
governo do Distrito Federal sinaliza algumas coisas. Primeiro, está mais do que
provado que o homem forte de qualquer mandato precisa ser o governador e mais
ninguém; segundo, os partidos no Distrito Federal continuam com a política do
toma la da cá, da exigência de cargos e com extrema dificuldade em aceitar não
como resposta; terceiro, é sempre necessário um bode expiatório para justificar
todo e qualquer fracasso. Já o sucesso costuma ser lindamente partilhado.
Sim,
Hélio Doyle é centralizador e gosta de fazer tudo do seu jeito e a seu tempo.
Sim, é um supercompetente estrategista, capaz de dar guinadas históricas em
campanhas políticas e montar um governo baseado em critérios técnicos. Sim, é
capaz de trabalhar para diversos governos e deserdar de todos eles, ao não
conseguir impor seu estilo. Sim, Hélio não joga o jogo jogado, se é que me
entendem. O resultado é que ele desagrada. Neste caso, acabou envolto por uma
roupa desconfortável, que a meu ver não lhe serve: o de único responsável pela
imobilidade do governo Rollemberg.
Foram
cinco meses de reclamações e de tentativa de arrumar a casa, de fato
bagunçadíssima pela gestão Agnelo Queiroz. Enquanto o governador plantava
árvores, Hélio assumia o discurso mais duro e dava as más notícias. Não se pode
dizer que foi uma divisão de tarefas justíssima. Mas, agora, Rollemberg terá a
chance de cumprir o seu papel de político habilidoso, acostumado a uma
trincheira ainda mais complexa, como o Congresso Nacional. Conseguirá acalmar
os ânimos de alguns distritais? Acabará com a ideia de que seu governo é contra
o servidor público? Escolheu alguém com perfil aparentemente conciliador.
Talvez o ajude nessa empreitada.
De toda
forma, a mudança no governo é um indício de recomeço, como se fosse um segundo
mandato. Ironicamente, quem cunhou o conceito de que esta gestão daria uma cara
nova à capital da República — já que pela primeira vez chega ao poder alguém da
chamada geração Brasília — não está mais lá. Mas o governador sabe que é isto o
que se espera dele. Espera-se que ele mude a cidade que o elegeu. Não pode
correr o risco de cair na simples tentação de distribuir cargos para aprovar
mudanças.
Aguardaremos,
ansiosos, um novo jeito de fazer, um frescor político e a tomada de rédeas. Só
não podemos voltar ao jogo de interesses que impôs a Brasília um triste lugar
no ranking dos corruptos e dos incompetentes. Olhe os hospitais, governador;
veja o transporte público. Não dê esperanças, como na campanha; mostre
resultados. Sabemos que nada é imediato, nem ocorre de uma hora para outra.
Podemos não ver a linha de chegada, mas é preciso ao menos saber que estamos no
caminho.
Por: Ana Dubeux – Editora Chefe do Correio Braziliense

