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A reforma na política

No Brasil, a fechadura da porta só é reforçada depois de arrombada. Mais do que herança histórica advinda de nossa formação sui generis e herdada quase que por inércia, o desleixo com a coisa pública é generalizado, chegando a possuir caráter endêmico de difícil solução.

Esse descuido se estende também por toda a nossa organização política e social. A reforma política, urgente desde o primeiro dia em que foi proposta, depois de adormecer por anos nos labirintos do poder, foi reanimada às pressas e vem sendo feita a golpes de marreta. Ao que parece, o que levou à súbita vontade de reformulação das leis, não foi nenhum motivo de ordem institucional maior, mas tão somente a necessidade de adequá-las às vicissitudes do momento.

Confeccionada dessa forma, é lógico que as mudanças introduzidas surtirão apenas efeitos imediatos e passageiros, sendo preciso alterações à medida que as circunstâncias forem aparecendo. Pesou mais a disputa de poder entre Legislativo e Executivo do que outra razão. 

A bem da verdade, o catalisador da reforma política foi dado mais pelos efeitos do escândalo político oriundo da Operação Lava-Jato do que por outro motivo qualquer. Seguindo o receituário enviesado de trás para a frente, em que as consequências motivam as causas, não é demais supor que, tão logo terminem as votações, e a reforma seja posta em prática, já será hora de pensar em reformá-las mais um vez, num ciclo sem fim.


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A frase que foi pronunciada

“A saliva é o combustível dos políticos e, graças a Deus, 
não está em falta no mercado.”
(Ulysses Guimarães)


Fonte: Circe Cunha - Coluna: "Visto, lido, e ouvido" - Ari Cunha - Correio Braziliense

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