Preferência pessoal não se discute, pois tem gente que gosta
da fruta e outros, do caroço. Agora, quando as mesmas preferências avançam do
círculo íntimo e tocam no público, a coisa ganha dimensão grave e acaba por
atingir a todos indiscriminadamente. Depois de 13 anos no poder, ninguém mais
parece se surpreender com as amizades e as boas relações do PT com pessoas e
regimes ditatoriais, claramente, acusados de violações aos direitos humanos. No
caso da visita ao Brasil do chefe do Poder Legislativo da Venezuela, Diosdado
Cabello, o problema é mais grave. Consciente da amizade problemática, o Palácio
do Planalto tratou de não divulgar o encontro com a presidente Dilma, feito,
mais uma vez, de forma secreta, fora da agenda e longe dos olhares dos curiosos
e da imprensa.
Cabello
é, hoje, ao lado de Nicolas Maduro e do falecido Hugo Chavez, a principal
figura à qual poderíamos debitar a ruína política, econômica e social daquele
país. Envolvido diretamente na perseguição de opositores ao regime, pesa sobre
ele a acusação feita pelas autoridades americanas de combate ao narcotráfico,
de chefiar o maior cartel do tráfico de cocaína da Venezuela, conhecido como
Sóis. Falidos e sem ninguém mais a quem possam recorrer, a figura do regime
teria vindo ao Brasil chefiando uma missão de “alto nível” para comprar de
“tudo”.
Aproveitando
o tour, o visitante, que tem mandato de captura e prisão expedido pela
Interpol, se encontrou à sorrelfa com o ex-presidente Lula, por quem confessa
grande admiração. O prêmio Nobel de literatura Mário Vargas Llosa, ao descrever
a visita do ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González à Venezuela a serviço
da causa da liberdade, em certo trecho comentou: “Alguns dos defensores do
regime de Maduro, como os presidentes Rafael Correa, do Equador, Evo Morales,
da Bolívia, e Dilma Rousseff, do Brasil, o fazem com hipocrisia e duplicidade,
elogiando-o em discursos demagógicos, defendendo-o nos organismos
internacionais, mas evitando sistematicamente imitá-lo em suas políticas
econômicas e sociais, conscientes de que, se seguirem o modelo chavista,
precipitarão seus países numa catástrofe semelhante à da Venezuela”.
A frase
que não foi pronunciada
(“O poder
de autodestruição da humanidade é o que a destaca como inteligente. Por mais
burro que isso possa parecer.”)
Dona
Dita, contando as notícias sobre violência contra os humanos e a natureza
Fonte: Circe Cunha – Coluna: “Visto, lido, e ouvido” – Ari Cunha
– Correio Braziliense

