A quem interessa o caos urbano do Distrito Federal? Quem
ganha com a proliferação de condomínios irregulares, construídos sem
planejamento ou autorização? A resposta ajuda a explicar por que a grilagem de
terras e a invasão de áreas públicas persistem, apesar dos inquestionáveis
prejuízos à sociedade. Os beneficiados diretos, obviamente, são grileiros que
vendem lotes em espaço público, ou comerciantes que multiplicam a área dos
estabelecimentos ocupando área verde. São moradores do Plano Piloto que cercam os
pilotis para ter sensação de segurança ou, em casos mais escrachados, que
constroem puxadinho na garagem para proteger os próprios carros do sol e da
chuva.
A
desordem urbanística da capital planejada também ajudou a alavancar a carreira
de uma legião de políticos. Onde existe uma invasão sem asfalto, sem luz e sem
esgoto, certamente haverá um candidato prometendo melhorias em troca de
mandato. Além do sonho da casa própria, o desejo de regularizar o lote ilegal
para ter em mão a escritura também virou fábrica de votos. Em última instância,
até mesmo o governo lucra com as invasões, já que cobra IPTU de lotes em
parcelamentos — até mesmo dos localizados em zonas rurais ou em áreas
ambientalmente sensíveis, que jamais poderão ser regularizadas.
Os órgãos
de fiscalização do governo estão sucateados, com deficit de pessoal e sem
equipamentos para fazer grandes derrubadas. Na área de análise de projetos,
também falta estrutura, o que atrasa a liberação de autorizações e serve de
estímulo e justificativa às irregularidades. O maior prejudicado, claro, é o
cidadão — o grande perdedor diante do abandono urbanístico da capital. É ele
que enfrenta os engarrafamentos e a falta de equipamentos públicos, ou que tem
acesso restrito a áreas indevidamente privatizadas.
Fonte: Helena Mader – Correio Braziliense

