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À QUEIMA-ROUPA > Chico Santa Rita: Especialista em marketing político

Com 40 anos de experiência, você tem três livros de marketing político e agora lança nova publicação sobre a campanha presidencial de 2014. O que vai abordar?
Fizemos uma avaliação técnica, diária sobre as campanhas. Fomos prevendo situações e apontando erros que depois se reproduziam. É um documento sério sobre o marketing político que foi muito maltratado pelos candidatos.

Por que maltratado?
A campanha do PT, da presidente Dilma, foi cheia de mentiras e de manipulações de dados. Coisas que não se faz. Só prevaleceu porque os outros não souberam responder. A campanha da Marina foi um desastre, muito tímida, cheia de altos e baixos. A Marina nega o marketing política.

O que isso significa?
Em primeiro lugar, é preciso respeitar a opinião pública. E nessa campanha a opinião pública foi o tempo todo desrespeitada. A campanha da Marina não tinha uma estratégia, um fio condutor. As pessoas costumam pensar muito com a cabeça do círculo que a cerca. Esquecem o cara que está em Taguatinga, em Brazilândia de São Paulo, no subúrbio do Rio. Eles são maioria. E um erro que se repete muito é falar para os iguais.A classe A e uma boa parcela da B são cabeça feita, têm uma opinião difícil de ser transformada. Para as demais classes, a campanha só começa na televisão.

As campanhas foram ruins na tevê?
Foram muito ruins. A da Marina e do Aécio pela falta de uma linha estratégica. Marina juntava um grupo de intelectuais, como ela, e colocava na televisão. Ela é uma pessoa simples que não sabe falar para pessoas simples.

E o Aécio, que chegou perto?
Ele chegou tão perto porque acabou reunindo todo o voto oposicionista. A Marina e o Aécio estiveram na frente da Dilma. Mas não souberam manter. Marina manteve o patamar, de 20%, da campanha anterior.

Eduardo Campos teria ganhado a eleição?
O achômetro me diz que se Eduardo não tivesse morrido, a história do Brasil seria outra. Se ele tivesse ido para o segundo turno, o que era provável, teria mais condição de reunir o voto oposicionista que foi para o Aécio e não teria a sangria de votos no Nordeste.

O que faltou para Aécio?
Ele errou muito. Um exemplo: Aécio demorou cinco programas para apresentar a sua biografia, e mesmo assim, a meia boca. Ele não teve um slogan que permanecesse e usou quatro vezes pesquisas deturpando números ou de institutos desconhecidos. Praticamente perdeu a eleição porque disse que saiu do governo de Minas com 92% de aprovação. A campanha da Dilma soube usar o argumento contra ele, dizendo que o Aécio perdeu em Minas.  

*Chico Santa Rita ministra palestra hoje, às 19h, no auditório do Correio Braziliense, sobre a campanha de 2014.



Fonte: Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” – Correio Braziliense – Foto: Internet

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