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Vigão ( Wigberto Tartuce) perde mais uma nos tribunais

 O ex-parlamentar e os outros acusados terão que ressarciar a União em R$ 7,04 milhões

O ex-deputado federal Wigberto Ferreira Tartuce, o Vigão, sofreu mais uma derrota na Justiça. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmou uma sentença da 16ª Vara Federal e um processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que condenavam o político por irregularidades em contratos firmados pela Secretaria de Trabalho do DF, no âmbito do Plano de Qualificação Profissional do DF (PEQ), enquanto ele esteve à frente da pasta, entre 1999 a 2000. Com a decisão, Vigão, Marise Tartuce (irmã dele), Geraldo Lessa, Marco Santa Rita e a Fundação Teotônio Vilela, todos envolvidos no caso, terão de ressarcir solidariamente à União — pois os recursos eram provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) — em R$ 7,04 milhões.

De acordo com o relator do acórdão da 5ª Turma do TRF1, desembargador Souza Prudente, as evidências de que houve desvios de recursos são flagrantes. Primeiro, porque foram celebrados contratos com a Fundação Teotônio Vilela, que ofereceria os cursos de capacitação profissional, sem a realização de licitação. Segundo, porque os contratos sequer foram executados. “Esse plano era uma miragem, uma invenção, pois, na verdade, não cumpriu nenhum dos objetivos. Era captação de renda para ser desviada por esse grupo que firmava os convênios”, explica. O processo do TCU teve início após série de denúncias publicadas pelo Correio.

Bloqueio de bens
Caso não faça o ressarcimento, Vigão pode ter os bens bloqueados pela segunda vez. Em novembro do ano passado, a 18ª Vara Federal do DF acatou argumento da Advocacia-Geral da União (AGU), que acusou o ex-parlamentar de registrar riquezas pessoais em nome de laranjas para dificultar o retorno de verbas desviadas aos cofres públicos, e também determinou a suspensão do patrimônio de Tartuce. Portanto, a casa, as rádios, as construtoras e outras empresas do grupo econômico que pertence à família do político estão nas mãos da Justiça há pelo menos seis meses.

Na primeira determinação de bloqueios dos bens por Vigão, ele respondia pelos desvios no FAT e alegava não ter recursos para indenizar o erário. Em 2006, no entanto, ele se candidatou a deputado distrital e declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio que passava dos R$ 33 milhões. O valor se referia a imóveis, veículos, aplicações financeiras e ações, além de R$ 2,8 milhões em dinheiro vivo. Dessa forma, a AGU comprovou que o ex-secretário de Trabalho usava nome de parentes e de empresas do Grupo Tartuce a fim de esconder bens pessoais. Entre os bens, estão a Rádio Atividade FM e a Jovem Pan Brasília. Além disso, como manobra para seguir na vida de luxo, ele colocava no nome de parentes, carros importados, como um Cadilac avaliado em R$ 400 mil. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Vigão.

A casa caiu
Na década de 1990, a casa de Vigão foi palco de encontros dos principais políticos do DF e do Brasil. Avaliada em R$ 5,4 milhões, a residência tem 3 mil metros quadrados, garagem para 30 carros, duas piscinas e um campo de futebol. Antes sinônimo de importância política, a casa situada no Lago Sul perdeu o prestígio após as revelações feitas sobre a conduta de Tartuce como homem público.



Por: Matheus Teixeira – Correio Braziliense  

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