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CPI da Petrobras: Enquanto você dança, outros cantam

Se a CPI da Petrobras andava à busca de uma trilha sonora para movimentar a atuação na Operação Lava-Jato, já pode comemorar. A doleira Nelma Kodama, condenada a 18 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, apresentou aos deputados em Curitiba o que poderá vir a se transformar doravante no hino da referida comissão.

 Amada amante, composição de Roberto Carlos, interpretada ao vivo pela depoente, pode, sem muito esforço, traduzir o triângulo amoroso e as relações enviesadas que sempre existiram entre os políticos, a máquina pública e as empresas financiadoras de campanhas, credoras portanto, de futuras benesses. Afinal, a verdade que se busca aqui é justamente o efeito causado pela associação “demais antiga” entre políticos e empresários.

Vindo a reboque das investigações sérias levadas a cabo pelo Ministério Público e pelo juiz Sérgio Moro, a CPI foi criada tendo como objetivo não declarado servir de amortecedor entre o Legislativo, a opinião pública e a Justiça, de modo a suavizar os efeitos devastadores das denúncias apresentadas contra os políticos. Como confessou um representante do PT na comissão, o que se buscou na visita a Curitiba foram as possíveis “contradições” nas declarações feitas até agora por Alberto Yousseff.


A composição da CPI diz muito dos objetivos reais. Dos 27 membros efetivos, nada menos do que 15 (55%) receberam doações diretas das empresas investigadas na Operação Lava-Jato. As empreiteiras Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS, UTC, Carioca Engenharia, Galvão Engenharia e o Grupo Queiroz Galvão doaram juntas mais de R$ 3,2 milhões aos integrantes da comissão. É sabido que empresas jurídicas não votam, fazem negócios apenas. Nada menos de 60% da campanha de 2014 do presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), foram pagos pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Odebrecht, arrecadando no total R$ 742 mil dessas empresas. O relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), recebeu R$ 962,5 mil (39% da receita da sua campanha) das empresas citadas na Operação Lava-Jato. É desse modo que a Comissão segue seu trabalho “sem saber o que é direito”.
Por: Circe Cunha – Coluna: “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense 

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