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#VIDAURBANA » Nova lei do silêncio em debate

Morador da 411 Sul, Veríssimo diz ser preciso conciliar o expediente dos bares com a tranquilidade da população.

O Projeto de Lei nº 445/2015, que aumenta os limites para a emissão de ruídos na cidade, provoca discussão entre entidades de classe, moradores e especialistas. De janeiro a maio deste ano, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), órgão responsável por receber denúncias por barulho excessivo, registrou 388 reclamações no DF. Em todo o ano passado, foram 736 queixas. Amanhã, um protesto contra o fechamento de espaços onde a música se tornou problema está marcado para as 16h na 206 Sul, quadra na qual mora a mãe do governador Rodrigo Rollemberg. Segundo os organizadores, será uma defesa do “barulho cultural”.

Com o PL, apresentado no início desta semana, os limites passariam de 55 decibéis (dB) para 70dB em áreas residenciais e de 60dB para para 75dB em locais comerciais. O autor do projeto, deputado distrital Ricardo Vale (PT), diz que a lei atual já não atende a demanda e a realidade da cidade. “Se não atualizarmos a norma, vamos ter, cada vez mais, a morte da cena cultural de Brasília. Hoje, temos várias casas fechadas e músicos desempregados”, defende. Em 16 de junho, será realizada uma audiência pública na Câmara Legislativa para debater o assunto.

Nas ruas, o impasse continua. De um lado, comerciantes que geram empregos e movimentam a cena cultural do DF. Do outro, moradores que prezam pelo descanso e pela tranquilidade. “É ruim quando tentamos dormir ou assistir a televisão e não conseguimos. Os bares devem funcionar, mas os habitantes não devem ser prejudicados”, afirma o aposentado Veríssimo Torres, 88 anos. A poucos metros do apartamento dele, na 411 Sul, funciona um bar com atrações musicais. O gerente do estabelecimento, Rodrigo Paiva, garante que o som não atrapalha os vizinhos. “Temos decibelímetro (aparelho medidor de ruídos) e porta com isolamento acústico. Sempre que o volume excede, pedimos para abaixar”, garante.

Nocivo à saúde

Decibéis muito acima do tolerável ocupam hoje o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a entidade, qualquer som que ultrapasse os 55dB já pode ser considerado nocivo para a saúde. O especialista em acústica Edson Benício de Carvalho critica o possível aumento. “Vai na contramão da legislação mundial. Níveis desse porte são aceitos em áreas de atividade industrial. Provavelmente, vai acentuar ainda mais o conflito entre moradores e comércio”, acredita.

A Ordem dos Músicos é favorável à proposta do distrital petista. Segundo a instituição, a atual regra prejudica o exercício da profissão. “Não queremos tirar o sossego, mas, sim, tornar a convivência tranquila entre moradores, músicos, restaurantes e bares. Queremos que a fiscalização se torne mais transparente para evitarmos transtornos”, ressalta o presidente da ordem, Loren Rucival Alves.

A Secretaria de Meio Ambiente não foi consultada sobre o projeto, mas reconhece que o setor precisa de modificações. “Estamos dispostos a fazer esse diálogo para buscar uma solução sustentável que atenda a músicos e artistas e que garanta o direito ao repouso, à tranquilidade e à qualidade de vida na cidade”, argumentou o chefe da pasta, André Rodolfo de Lima.


Fonte: Correio Braziliense  

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