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TRâNSITO » Parque da Cidade ganha ciclofaixa

Paola, que foi vítima de um atropelamento no local, aprovou a medida

Trajeto que contorna o local terá uma das pistas reservada a ciclistas competidores, entre 6h e 8h. Usuários elogiam a medida, mas pedem campanhas educativas

A administração do Parque da Cidade pintou uma ciclofaixa à direita da pista que contorna o local. É um aviso para motoristas que o espaço deve ser dividido com quem pedala. A faixa reservada é exclusiva para ciclistas competidores de alto rendimento, entre 6h e 8h. O horário atende à maioria desses atletas no Distrito Federal. A medida já está em vigor; ainda assim, quem dirige pelo trajeto deve ficar atento: ciclistas continuarão a usar a via em outros horários, o que é permitido por lei.

A medida vem após vários incidentes envolvendo ciclistas, motoristas e pedestres no parque. No último deles, um motorista quebrou o maxilar da competidora Juliana Lanaro Ribeiro, 35 anos, após jogar o veículo em cima de um grupo de esportistas amadores que pedalavam na pista. O condutor, o médico Rogério Gonçalves de Vasconcelos, 37, manobrou de modo brusco e provocou a queda de Juliana. Ela teve que colocar oito pinos e uma placa de titânio para reconstituir a mandíbula. 

A violência contra o grupo que pedalava na via provocou protesto. Há oito dias, 400 ciclistas deram duas voltas no parque,  pedindo respeito e paz.

Também vítima de um atropelamento na pista que contorna o parque, a funcionária pública e ciclista Paola Carvalho, 51, elogiou a medida. Para ela, a sinalização representa maior atenção das autoridades com quem pedala. “Ainda faltam muita sinalização, segurança e respeito com os ciclistas. Espero que essa iniciativa de sinalização se estenda a outras pistas da capital”, diz. Também ciclista, o vendedor Carlos Andrade, 35, acredita que, além da sinalização horizontal na via, o governo precisa de mais campanhas educativas. “Teve que acontecer um atropelamento para tomarem essa medida. Faltam muita consciência e respeito”, reclama.

Divulgação

Motoristas também aprovaram a iniciativa, mas se mostraram preocupados quanto à divulgação das regras de circulação na nova ciclofaixa. Elizabeth Habbema, 32 anos, ficou preocupada sobre como proceder ao dirigir no parque. “Brasília precisa de harmonia entre os ciclistas e motoristas, e faltam campanhas de conscientização para que tudo transcorra bem. Também é importante que deixem claros os horários de uso da ciclofaixa”, afirma.

A Secretaria de Turismo coordenou uma ação com o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e a Secretaria de Mobilidade para o projeto. Segundo o secretário de Turismo, Jaime Recena, a ação já estava planejada para o início do mês de maio e não tem relação direta com o acidente da competidora Juliana Lanaro. “Ainda em teste, a ciclofaixa responde à demanda de ciclistas profissionais que necessitam de uma via de velocidade para pedalar. Colocaremos 100 placas educativas para motoristas e ciclistas, para que todos se respeitem”, garante. Ele acrescenta que existe uma série de ações previstas para o Parque da Cidade, que incluem a nova pista de caminhada — com as obras paradas por falta de pagamento — e o novo acesso ao local, na 913 Sul, inaugurado em 21 de fevereiro. 

A nova pista para pedestres está com as obras suspensas desde a gestão passada, por falta de pagamento à empresa licitada. A expectativa de Recena é de retomar as obras até a metade de junho. Quando o trajeto exclusivo para pedestres estiver pronto, a tradicional pista de caminhada do Parque da Cidade ficará reservada a ciclistas, skatistas e a quem anda de patins. “Uma vez que elas sejam retomadas, vamos concluí-las em 120 dias”, afirma.

Presidente da Organização Não Governamental (ONG) Rodas da Paz, Renata Florentino  lembra que, mesmo fora do horário exclusivo, os cliclistas podem usar as pistas para pedalar. “É preciso alertar que alguns competidores usarão a via em outros horários, e devem ser respeitados”, conclui. 

Tragédia em números

De janeiro a abril de 2015, pelo menos 12 ciclistas morreram em acidentes de trânsito no Distrito Federal, segundo a ONG Rodas da Paz. No ano passado, no mesmo período, de acordo com os números Detran-DF, foram 22 casos. Comparativamente, a capital federal tem 11,7 mil km de vias urbanas, contra 460km de ciclovias no Distrito Federal, e não há espaço reservado para bicicletas nas rodovias que ligam as regiões administrativas

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Fonte: Luiz Calcagno – Thiago Soraes – Correio Braziliense  

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