Agentes fizeram apreensões em 36 endereços de pessoas e empresas
Investigação apontou empresas de fachada de vários setores e até
construtora para fraudar empréstimos e repassar a políticos do DF
As empresas fantasmas criadas para dar base a um dos maiores
esquemas de lavagem de dinheiro para financiamento de campanhas eleitorais no
Distrito Federal aparecem em negócios de diversos setores. O grupo investigado
pela Polícia Civil criou estabelecimentos como padarias, lojas de material de
construção, transportadoras, óticas e até uma construtora. A teia empresarial
revela uma quadrilha ampla com mais de 30 laranjas que emprestam o nome para as
fraudes com empréstimos no Banco do Brasil. Os prejuízos são estimados em mais
de R$ 100 milhões.
A
deputada distrital Telma Rufino e o ex-presidente do Transporte Urbano do
Distrito Federal (DFTrans) Marco Antônio Campanella, ambos do Partido da Pátria
Livre (PPL) são suspeitos de serem beneficiados pela fraude, por meio do
ingresso do dinheiro na campanha eleitoral do ano passado. As próximas fases da
operação Trick podem ainda revelar outros nomes do mundo político.
A
investigação conduzida pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o
Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf) apontou que 55 empresas de
fachada foram criadas com o intuito de adquirir empréstimos ao Banco do Brasil.
Com um CNPJ, a empresa falsa conseguia um financiamento que nunca era quitado.
As operações variavam entre R$ 800 mil e R$ 1,4 milhão. Os mentores, segundo os
investigadores da Polícia Civil, eram o empresário Rogério Gomes Amador e
Edigard Eneas da Silva. O último nomeado no governo passado como subsecretário
de Qualificação e Capacitação Profissional da Secretaria do Trabalho do DF.
Num dos locais, policiais recolheram um caminhão de documentos
De acordo
com o coordenador geral da Corf, Jefferson Lisboa, a dupla apontada como chefe
do esquema era responsável por aliciar pessoas que registravam em seus nomes os
falsos estabelecimentos. Eles também contavam com apoio de outro integrante com
influência. Sérgio Eneas Silva, era gerente de uma agência do Banco do Brasil
em Taguatinga e facilitava as transações financeiras. Outro funcionário da
instituição também investigado por fazer parte do esquema.
Entorno
Dos
registros das empresas constavam endereços em Águas Claras, Sobradinho, Vicente
Pires, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Gama, Riacho Fundo, Sobradinho, Plano
Piloto e também em regiões do Entorno do DF. Em Valparaíso de Goiás (GO), no
lugar de uma loja de alimentos, o que se encontra é uma igreja. Em outro lugar
apontado, há um terreno baldio. No entanto, em uma simples casa da quadra 10 de
Sobradinho os investigadores localizaram uma gama de documentos, que ocupou um
caminhão. Outras 19 empresas reais faziam parte do esquema.
A
Operação Trick cumpriu 32 mandados de conduções coercitivas e 36 de busca e
apreensão, na madrugada de quinta-feira, nas residências dos envolvidos e nos
endereços das empresas reais. A casa da deputada Telma Rufino foi um dos alvos.
A deputada e Campanela alegaram desconhecer a existência da organização
criminosa. Campanela afirmou que foi surpreendido com o fato e colocou à
disposição da sociedade os sigilos fiscal e bancário. “Não tenho nada com
isso”, disse. A assessoria de Telma Rufino divulgou nota em que afirma que ela
colabora e é a principal interessada na resolução do inquérito. O Banco do
Brasil alegou que colabora nas investigações e que afastou os funcionários
envolvidos.
R$ 100 milhões :
É o
volume de recursos movimentado pela quadrilha investigada pela Polícia Civil
Fonte: Thiago Soares – Correio Braziliense
