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À QUEIMA-ROUPA : Jefferson Lisboa Delegado-chefe da Coordenação de Repressão aos Crimes

Jefferson Lisboa - Delegado-chefe da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf) da Polícia Civil do DF 

O esquema apontado na Operação Trick envolve uma cifra de R$ 100 milhões. É o maior investigado no DF? 
Em se tratando de lavagem de dinheiro em âmbito regional, só do Distrito Federal, é um dos maiores descobertos na história. Estou na coordenação da Corf há dois anos e nunca vi nada parecido.

Quais são as provas de que esse esquema existe?
Não podemos revelar toda a nossa investigação e todas as evidências que dispomos agora para não atrapalhar. Mas temos muitas provas: a abertura das contas, a documentação das empresas fantasmas e os empréstimos fraudulentos, além da vinculação entre as pessoas. Isso demonstra a existência de uma organização criminosa. Havia lideranças e cada membro tinha funções específicas.

Eram células ou um grupo único?
Havia dois líderes: o Rogério Amador e o Edigard Eneias Silva, ex-subsecretário do Trabalho. Havia ainda um gerente do Banco do Brasil que facilitava a liberação dos empréstimos sem confirmar a real existência das empresas. O Banco do Brasil é bastante criterioso na liberação dos empréstimos. Por isso, a organização precisava contar com alguém lá dentro. Mas esse gerente já foi afastado. Houve empréstimos em valores altíssimos, de R$ 800 mil a R$ 1,4 milhão. 

Quais são os indícios de participação da deputada Telma Rufino e de Marco Antônio Campanella, ex-diretor do DFTrans? 
Um dos pontos era o vínculo existente entre essas pessoas. Eles tinham contato com os líderes.

Quais são os próximos passos da investigação?
Temos que analisar todos os dados das quebras de sigilos bancários e fiscais e dos documentos, informações e equipamentos apreendidos. Não podemos contar os detalhes para não atrapalhar as apurações.

Acha que muita gente ainda vai aparecer enrolada nessa teia? 
Nós estamos investigando outras pessoas que podem ter conexões com esse grupo. Temos convicção de que tem mais gente envolvida.

Inclusive políticos?
Não descarto ninguém.

Por: Ana Maria Campos - Correio Braziliense

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