O Brasil vive um dos mais preocupantes patamares da violência. Trata-se da banalização da vida. Só isso explica a estarrecedora estatística: um homicídio a cada 10 minutos. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2013 registrou 50.806 assassinatos. Em comparação com 2012, houve queda de 2,6% na taxa de mortos. Mas cresceu 565 o número absoluto de vítimas.
Perder vidas humanas por causas evitáveis é sempre lamentável. É o caso de doenças que matam quando poderiam ser curadas com medidas simples como vacina ou soro caseiro. Mas perder vidas para a violência é inaceitável. As cifras mostram que a sociedade se conformou com a matança e, sem reagir, assiste impassível ao noticiário sobre mortes de adultos e crianças com a naturalidade de quem troca de camiseta ou de tênis.
Na campanha eleitoral, os candidatos foram unânimes na urgência de melhorar a segurança pública. O salto qualitativo não nasce da sorte, nem do improviso, nem do ensaio e erro. É fruto de planejamento e participação de especialistas atentos às práticas que se revelaram aptas a reduzir a violência em diferentes lugares, seja do país, seja do mundo.
A iniciativa não passa, necessariamente, pelo aumento de recursos. Segundo o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em percentagem do PIB, o Brasil investe mais que a maioria dos países que se preocupam com a tragédia, mas se mostra pouco eficiente. Vale a comparação: aplicamos 1,26%, mas temos taxa de homicídios de 25,2. Os Estados Unidos gastam 1,02% para uma taxa de 4,7. A União Europeia destina 1,3% para uma taxa de 1,1.
Falta sintonia nas ações de combate ao crime no país. Os tempos modernos exigem medidas compatíveis com o século 21. Cooperação é a palavra de ordem. Os três níveis da Federação — União, estados e municípios — precisam somar esforços. As polícias têm de abandonar a competição mútua e trabalhar integradamente. A Justiça tem de ganhar agilidade e responder à dureza das penas. Mais de 90% dos homicídios não são processados.
A prevenção é mandamento que impõe imediata adesão. Agir depois do crime só agrava o quadro. Não só se perdem vidas. Também se perdem a saúde e as condições de trabalho. Sobrecarrega-se o equipamento hospitalar e a Previdência. As prisões abrigam a 4ª população carcerária do planeta — 50% da qual sem sentença transitada em julgado. Trata-se de mal cujo diagnóstico é conhecido e a medicação também. Passou da hora de agir. A campanha eleitoral ficou pra trás. Os eleitos têm de transformar palavras em atos.
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Visão do Correio Braziliense - 14/11/2014
Perder vidas humanas por causas evitáveis é sempre lamentável. É o caso de doenças que matam quando poderiam ser curadas com medidas simples como vacina ou soro caseiro. Mas perder vidas para a violência é inaceitável. As cifras mostram que a sociedade se conformou com a matança e, sem reagir, assiste impassível ao noticiário sobre mortes de adultos e crianças com a naturalidade de quem troca de camiseta ou de tênis.
Na campanha eleitoral, os candidatos foram unânimes na urgência de melhorar a segurança pública. O salto qualitativo não nasce da sorte, nem do improviso, nem do ensaio e erro. É fruto de planejamento e participação de especialistas atentos às práticas que se revelaram aptas a reduzir a violência em diferentes lugares, seja do país, seja do mundo.
A iniciativa não passa, necessariamente, pelo aumento de recursos. Segundo o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em percentagem do PIB, o Brasil investe mais que a maioria dos países que se preocupam com a tragédia, mas se mostra pouco eficiente. Vale a comparação: aplicamos 1,26%, mas temos taxa de homicídios de 25,2. Os Estados Unidos gastam 1,02% para uma taxa de 4,7. A União Europeia destina 1,3% para uma taxa de 1,1.
Falta sintonia nas ações de combate ao crime no país. Os tempos modernos exigem medidas compatíveis com o século 21. Cooperação é a palavra de ordem. Os três níveis da Federação — União, estados e municípios — precisam somar esforços. As polícias têm de abandonar a competição mútua e trabalhar integradamente. A Justiça tem de ganhar agilidade e responder à dureza das penas. Mais de 90% dos homicídios não são processados.
A prevenção é mandamento que impõe imediata adesão. Agir depois do crime só agrava o quadro. Não só se perdem vidas. Também se perdem a saúde e as condições de trabalho. Sobrecarrega-se o equipamento hospitalar e a Previdência. As prisões abrigam a 4ª população carcerária do planeta — 50% da qual sem sentença transitada em julgado. Trata-se de mal cujo diagnóstico é conhecido e a medicação também. Passou da hora de agir. A campanha eleitoral ficou pra trás. Os eleitos têm de transformar palavras em atos.
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Visão do Correio Braziliense - 14/11/2014

