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Detran para quê?

O Detran do Distrito Federal está instalando 139 pardais inteligentes, capazes de “melhorar” a fiscalização e o monitoramento do desorganizado e abandonado trânsito local. Para tanto, estão sendo gastos R$ 18,7 milhões. Cada um, numa divisão simples, custa uns R$ 135 mil. Mas será que não há algo mais “inteligente” por aí do que os pardais? Fiz uma rápida visita ao site do Detran-DF e vi coisas tão disparatadas e irracionais que me assustei. Vejamos: o ano de 2014 já está morrendo e a página mostra apenas o quanto foi arrecadado até maio, em serviços e multas: R$ 139,6 milhões. Mantida a média mensal, os cofres da instituição terão engordado em, no mínimo, R$ 350 milhões até o fim de dezembro. É muito dinheiro, caros amigos leitores. Daria para pagar 25 vezes a dívida que uma empresa fornecedora de alimentos está cobrando dos hospitais públicos da capital da República. 

No entanto, só haviam sido investidos em educação para o trânsito, até maio, míseros R$ 274,7 mil. Repito: ínfimos R$ 274,7 mil. Para efeito de comparação: no ano passado, foram aplicados R$ 4,7 milhões em campanhas educativas (uns 5% dos R$ 117,5 milhões arrecadados somente com multas — a maioria absoluta delas, aplicadas por pardais). Em compensação, para o gerenciamento eletrônico (pardais, claro) de trânsito gastou-se R$ 49,4 milhões — ou 10 vezes mais! Para efetivamente policiar e fiscalizar o trânsito, lá se foram R$ 11,9 milhões. 

A burocracia do Detran tem serviços a prestar, claro. Entre eles, a emissão de multas. É um órgão público, mas… por exemplo: para autenticar um documento, ele cobra R$ 5,91. Para cancelar (!) um serviço de educação, R$ 19,69. Fazer cadastro de retorno de candidato para base local (seja lá o que for isso) custa R$ 153,47. Para emitir uma singela 2ª via de selo de idoso, o dito cujo terá que desembolsar R$ 27,45. Resultado: os brasilienses mandaram para os cofres da instituição, apenas no ano passado, R$ 217,3 milhões. Mais da metade (R$ 123,7 milhões) foi gasta somente com a administração de pessoal. E mais: outros R$ 18,6 milhões foram para conceder benefícios a servidores. E outros R$ 55,8 milhões bancaram a burocracia dos serviços gerais (cafezinho, cópias ou sei lá mais o quê). O próximo governo ignorará tanta distorção?


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Por: Renato Ferraz - Correio Braziliense - 14/11/2014

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