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#Economia: Oportunidade imperdível

Um país com a economia em recessão está produzindo menos do que produziu em igual período anterior. Como a população continua crescendo (menos hoje em dia do que antigamente) e as pessoas, demandando bens, serviços e empregos, recessão é mais do que notícia ruim. É véspera de conflito (se a sociedade for organizada), de desemprego e até de fome em qualquer estágio civilizatório.

Por isso, é boa a notícia que o Banco Central (BC) divulgou ontem: o IBC-Br, índice de atividade econômica calculado pela autoridade monetária, revelou crescimento de 0,4% em setembro, em relação a agosto. O percentual é pequeno, mas ajuda a inverter uma tendência preocupante, que vinha marcando a evolução da economia brasileira este ano.

O IBC-Br não é ainda o dado oficial de expansão ou recuo do Produto Interno Bruto (PIB), que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o índice do BC é mensal e leva em conta menor número de indicadores dos setores mais importantes da economia: agropecuária, indústria, comércio e serviços. É, portanto, menos abrangente, menos completo que o PIB-IBGE. Mas serve como antecipação aproximada do índice oficial do comportamento da economia.

O crescimento do IBC-Br em setembro, somado ao desempenho de julho e agosto, indica uma expansão da atividade econômica de 0,59% no terceiro trimestre em relação ao segundo, que tinha registrado recuo de 0,78%. Mais do que isso, permite que se projete um PIB com desempenho positivo no terceiro trimestre, a ser divulgado pelo IBGE em 28 de novembro. Por mais modesto que venha a ser, esse dado positivo terá o condão de retirar o país da incômoda situação de recessão técnica (quando se registram dois trimestres seguidos de resultados negativos no cálculo do PIB).

Sem esse alívio, a recessão se agravaria. A atual desaceleração passaria à condição de recessão de fato, quando a roda da economia gira para trás, encolhendo emprego e renda, consumo e produção. Como em toda a história de crise na economia do mundo ou só de um país, o principal combustível que toca e realimenta essa situação é a falta de confiança.

Esse combustível danoso precisa ser removido o quanto antes do ambiente econômico brasileiro. O pequeno alívio proporcionado pelo IBC-Br, e muito provavelmente pelo PIB trimestral do IBGE, não pode sinalizar descanso. Nem de longe, a maré baixa da economia brasileira terá passado. O mal apenas deixou de crescer. Mas a oportunidade é imperdível para a presidente reeleita emitir sinais claros no rumo das mudanças que ela mesma prometeu, a começar pela transparência na política fiscal e pelo controle severo e permanente da inflação.

São passos iniciais imprescindíveis para evitar a perda do grau de investimento, já que é urgente reanimar os investimentos em infraestrutura, destinados a reduzir em médio prazo o custo Brasil, além de substituir a curto prazo, pelo menos em parte, a expansão do consumo como vetor do crescimento e da geração de empregos. São tarefas árduas, mas que, uma vez deslanchadas com determinação e qualidade, poderão inverter o quadro ruim.


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Visão do Correio Braziliense - 18/11/2014

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