Muita gente que não faz a menor ideia do que seja uma assessoria de imprensa está derramando ódio e irracionalidade contra André Costa, assessor de Michelle Bolsonaro, depois que alguém publicou prints mostrando que ele estava conversando com um jornalista de um site visivelmente de esquerda e pró-PT.
Para começar, esse tipo de crítica é movida por falta de inteligência, porque não há nenhum lucro, nenhuma conquista, nenhuma adesão em falar só para os próprios, só para os mesmos, só para o público interno. Não faz sentido um jornalista ou assessor de imprensa dizer “eu só falo para os meus amigos”; assim não se conquista nenhum adversário. Se fosse assim, a assessoria nem precisaria existir, porque isso seria apenas manter o status quo e não ir além. Certamente é isso que Costa estava fazendo, é isso que eu faço: estar sempre de braços abertos. Quer vir para a verdade dos fatos, para a razão, para a racionalidade, para o amor à pátria? Seja bem-vindo! Quer destruir o país? Aí vou tentar convencê-lo a não destruir o país, porque o país somos nós.
Essa irracionalidade é movida por um certo dogma, um fanatismo, em que a pessoa não aceita as verdades alheias ou não aceita os fatos que contrariam sua maneira de ver o mundo; quem age assim não aprende nada, não cresce. Precisamos estar abertos às ideias. Costumo dizer que os aplausos não são tão produtivos quanto a crítica, porque a crítica nos faz pensar e os aplausos podem até nos enganar, fazendo-nos pensar que estamos certos, e assim continuaremos no erro.
Lula provocou paraguaios de forma totalmente desnecessária: No Paraguai, a Guerra do Paraguai é chamada de “Guerra Guasu” – Guasu é “grande”, ou seja, é a “Grande Guerra”. O Paraguai foi arrasado. Lula mencionou em um discurso que o Brasil tem de se defender porque o Paraguai invadiu o Mato Grosso, invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina – ele só se esqueceu de dizer que invadiu o Rio Grande do Sul também, lá em Uruguaiana. A afirmação provocou a ira dos paraguaios, porque eles se ressentem do fim da guerra; quando o Conde d’Eu – aliás, um francês – assumiu o comando, provocou uma matança desnecessária, algo que certamente o Duque de Caxias não teria feito.
A fala de Lula irritou os paraguaios no momento em que o Paraguai acolhe as empresas brasileiras cansadas de burocracia e de impostos que desestimulam a produção. Já há muitos anos, tem recebido agricultores e pecuaristas brasileiros. É um parceiro comercial, industrial, produtor de energia em Itaipu e que nos vende a energia que não usa. É um vizinho amigo, a quem nós deveríamos até prestar algumas reparações de guerra; uma delas seria a devolução de um canhão que está em um museu do Rio de Janeiro, e que eles querem de volta. O vice-presidente do Paraguai mencionou esse canhão agora, como resposta a essa declaração de Lula.
Nossa política externa é conduzida na base da bravata e do insulto: O Brasil tem sido um desastre de política externa. Agora mesmo o Supremo respondeu diretamente com uma nota às declarações de Javier Milei sobre Alexandre de Moraes – quem deveria ter feito isso era o Itamaraty; o STF deveria se pronunciar apenas nos autos, embora venha falado fora dos autos há muito tempo, além de intimar diretamente empresas americanas como a Rumble e a Trump Media. É o que acontece quando a política brasileira é mal conduzida em todos os setores, quando ninguém quer desagradar o presidente: “sim, senhor presidente, vamos fazer errado porque o senhor quer”.
A política externa merece ser tratada com mais respeito, mas hoje estamos vendo presidentes que se ofendem verbalmente. É Lula xingando Trump, Trump xingando Lula, o ministro da Fazenda (um auxiliar do presidente da República!) se metendo e chamando Milei de “palhaço”... estou ouvindo coisas neste momento político brasileiro que eu nunca tinha ouvido na minha vida.
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