A estreia da face política baiana da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal vai render muito ainda, se os investigadores irem a fundo no nascedouro do Banco Master junto ao Credcesta. As buscas contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) são apenas o início do cerco. Os policiais já investigam a ligação de Daniel Vorcaro, “banqueiro” do extinto Banco Master, com a banca de Eugênio Kruschewsky, que lhe dava suporte jurídico no programa de consignados do governo da Bahia.
Jaques Wagner e o agora ministro palaciano Rui Costa, seu sucessor no Palácio Ondina, entraram em reza forte junto com os advogados de Vorcaro e desembargadores do Tribunal de Justiça, onde a PF já fez uma limpa na Operação Faroeste há poucos anos. A PF agora vai puxar o fio para saber se os R$ 54 milhões pagos por Vorcaro à Kruchewsky foram direcionados apenas para o escritório. Ana Patrícia Leão, advogada subestabelecida no caso Banco Master, também pode entrar na mira.
Na terça-feira que vem, a executiva nacional do Partido Progressistas vai se reunir para discutir a situação do presidente Ciro Nogueira, o enrolado senador no episódio do Banco Master. Caso Ciro seja afastado, como sopram entre portas, um dos vices da legenda vai assumir, de acordo com o estatuto. No páreo, estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o deputado federal Arthur Lira (PP-AL).
Futuro de Ciro Nogueira: Os cenários extra-salas indicam que o PP vai ficar nas mãos de Arthur Lira, o ex-presidente da Câmara e pré-candidato ao Senado, que já articula muito nos bastidores – o que não seria ruim para o senador piauiense. Ciro e Lira são aliadíssimos. Lira com o PP na mão também teria mais trunfos para negociações eleitorais que o beneficiem.
A dupla voltou: Gilberto Kassab, fundador e cacique do PSD, puxou para si a responsabilidade de ter empurrado o sub judice José Roberto Arruda como candidato no diretório do DF. Agora, surgiu como anjo pacificador. Juntou Arruda e o empresário Paulo Octávio na sala, e conclamou PO a ser candidato ao Senado. Em tempo, PO é o presidente regional do PSD. E, cauteloso, como já foi senador e deputado, avalia se vale a pena se lançar.



