Às vésperas das eleições, em ritmo de toque de caixa e com a cumplicidade de sempre, o Congresso Nacional aprovou mais um pacote de bondades para os partidos políticos. O custo estimado ao contribuinte brasileiro: mais de R$ 25 bilhões. A conta, como de costume, ficará para o pobre e endividado cidadão comum pagar.
Há uma cena que se repete com regularidade quase cronométrica na política brasileira: quando se trata de aprovar benefícios para si mesmos, os parlamentares deixam de lado as animosidades partidárias, as brigas ideológicas e os discursos inflamados que tanto encantam as plateias nas redes sociais. A polarização desaparece. O palanque emudece. E o plenário vota unido, veloz e, sobretudo, silencioso.
Foi exatamente o que aconteceu mais uma vez. Em sessão realizada às pressas, longe dos holofotes e da atenção da população, o Congresso aprovou um pacote que beneficia as mais de duas dezenas de partidos políticos registrados no país. Entre as medidas aprovadas, destacam-se: a permissão para que as legendas paguem suas multas e dívidas em até 15 anos prazo que nenhum banco concederia a uma família endividada ; a autorização para que telefones partidários realizem disparos em massa de mensagens por meio de robôs; e dispositivos que dificultam, de forma deliberada, que a Justiça Eleitoral cobre dívidas e multas dos diretórios políticos.
Chame-se pelo nome correto: trata-se de um auto-perdão institucionalizado. Os mesmos agentes que detêm o poder de legislar sobre a vida dos cidadãos suas dívidas, seus impostos, suas obrigações aproveitam esse mesmo poder para se livrar das próprias dívidas, enfraquecer os mecanismos de cobrança e garantir vantagens competitivas na disputa eleitoral, como o uso de disparos em massa por robôs, recurso que qualquer empresa privada utilizaria sob risco de sanção.
Mais escandaloso ainda, talvez seja o custo projetado: estimativas apontam para um impacto superior a R$ 25 bilhões aos cofres públicos e, portanto, ao bolso do contribuinte. Para se ter a dimensão do absurdo, esse valor supera o orçamento anual de diversos programas sociais fundamentais para milhões de brasileiros. É dinheiro que poderia financiar escolas, hospitais, saneamento básico e infraestrutura. Em vez disso, servirá para cobrir os rombos criados pelos próprios partidos ao longo de anos de gestão irresponsável de seus recursos.
E, enquanto isso acontece, as famílias brasileiras acumulam um endividamento histórico, avaliado em trilhões de reais. Nenhum projeto de lei aprovado com a mesma velocidade ou com a mesma unanimidade silenciosa foi dedicado a aliviar esse fardo. Nenhum prazo elástico de 15 anos foi concedido ao trabalhador que não consegue quitar seu financiamento. Nenhum dispositivo foi aprovado para dificultar que bancos cobrem dívidas de cidadãos comuns. A lei, como se vê, não é igual para todos.
Esse é o o retrato de uma cultura política que há décadas trata o Estado como patrimônio privado daqueles que têm acesso ao poder. A chanchada não é novidade; esse é o sistema funcionando exatamente como foi desenhado por quem ocupa o assento para projetar o futuro do país. Mais uma vez é apresentado ao brasileiro projeto da desfaçatez. O resultado mais deletério desse processo não é sequer financeiro. É político e democrático.
Cada vez que o Congresso aprova leis desse tipo, na calada do tempo, nos meandros de interesses escusos, na velocidade e com a coesão que nunca demonstra ao debater reformas estruturais para o país , aprofunda-se o abismo entre a classe política e a população. Mais uma vez a descrença nas instituições cresce. A apatia eleitoral é inevitável.
Os dados de confiança nas instituições políticas brasileiras consistentemente entre os mais baixos do mundo confirmam o diagnóstico. E iniciativas como a aprovada agora não fazem senão confirmar, para o cidadão comum, aquilo que já suspeitava: o Congresso legisla, prioritariamente, para si mesmo. É preciso vigilância ativa de todos para que as respostas a mais essa bofetada sejam devidamente cobradas nas urnas. Ou é isso ou prosseguiremos afundados pelo lamaçal de escândalos e oportunismos, pagando uma conta que não é nossa e que nós não autorizamos de forma alguma.
Todos: Na Asa Norte a situação está incomodando o direito de ir e vir dos cidadãos. O número de pedintes e viciados aumenta, deixando tensos os moradores. É desumano deixar essas pessoas sem assistência.
Morosidade: Com um drone, pode-se observar que a obra no início do Eixão Norte não progride. Já são anos forçando os motoristas a perder tempo no trânsito sem o fim desse empreendimento.




