Extra! Extra!
Diante da politização inconsequente da pandemia, a despeito
de críticas ocasionais o governo do Distrito Federal foi o primeiro a decretar
o isolamento no país e, com isso, nos tornamos um exemplo vivo de que a ciência
estava certa e o governador também ao abraçá-la.
Por Victor Dornas
A fragilização do isolamento impulsionado por teses
negacionistas do ex-ministro Osmar Terra e do próprio presidente da república
que acreditam saber mais do que governos do mundo inteiro trouxeram preocupação
ao Distrito Federal diante de notícias recentes sobre certos locais, tais como
o centro da Taguatinga, onde já se verificam aglomerações cada vez maiores num
momento onde os números de mortes aumentam. Parte da população não enxerga viabilidade no isolamento.
Ainda assim, o DF continua ostentando números muito melhores do que
o previsto inicialmente em virtude do acerto do governador em optar pela
rigidez num momento onde a maior parte das pessoas, tanto autoridades como também
a própria mídia, ainda mantinham a postura observada no carnaval, isto é, de
que a doença não teria tanto efeito aqui.
A responsabilidade por este equívoco de percepção é, em maior parte, da própria
China que, por ser uma ditadura, camufla dados e dificulta o tráfego de
informações em razão do controle da imprensa.
O governo do DF, por outro lado,
fez aquilo que um bom gestor deve perseguir, ou seja, a observação de dados que
ainda não foram disseminados para a população para agir de antemão diante da
convicção formada por um corpo técnico.
Com isso, fomos motivo de elogio nos noticiários de todo o
país.
Há poucos dias, a Globo promoveu um debate entre Osmar Terra e
o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, além da presença de outro ex-ministro, o
petista Humberto Costa. A tese levantada por Osmar é que o isolamento não ajudou
em nada até agora e que as dez mil mortes aconteceriam de todo jeito, sendo, inclusive,
potencialmente majoradas pela quarentena.
Osmar então transforma aquilo que
seria o remédio num veneno e cita a Suécia, um país com 10 milhões de pessoas
com características sanitárias assaz distintas das nossa, como exemplo de suas
ideias. Osmar é médico, porém não academicamente versado em epidemiologia.
Ele contesta os estudos do célebre campus inglês Imperial College, assim
como de diversos campi de outras universidades que publicam diariamente acerca
do tema, via Twitter, distorcendo gráficos e inferindo sem qualquer rigor
metodológico. É essa pessoa que influencia os atos do presidente.
O próprio Mandetta disse no debate: “Acho que o Osmar assessorou
muito mais o presidente do que eu”.
Ele está certo pois sabe que teve que operar
numa situação que talvez seja inédita ou, pelo menos, bastante usual na história
da democracia brasileira, isto é, uma pasta com dois ministros. Pior, uma pasta
da saúde em pleno surto de pandemia com dois ministros. O gestão Teich já começou
ciente da situação de que o verdadeiro ministro da saúde no Brasil é Osmar
Terra no tocante ao surto da covid. Por isso, talvez permaneça no cargo ciente
e sendo submisso dessa situação. Ou ainda, com a devida licença para ilações deste singelo
articulista, Teich talvez descubra algo que não se veja disposto a encobrir, como
por exemplo a permuta indevida de cargos ou de secretarias com escopo político indecoroso.
De mais a mais, nós aqui no Distrito Federal estamos mais
tranquilos.
Muitos dizem que isso se dá em virtude de questões culturais
das cidades, ou coisas do gênero. Mas a verdade é que se esse dia das mães foi
menos triste do que em muitos estados brasileiros, isso se dá pelo acerto do
governador em apertar o cerco logo no início do circo e não me canso de
pontuar, a despeito de quaisquer outras eventuais divergências naturais de uma
democracia, que este foi seu maio acerto nessa primeira gestão. A ciência é o melhor caminho nessa pandemia.
Preocupa, no Brasil, termos que dizer o óbvio.
O DF é a
empiria viva que demonstra a efetividade do isolamento com liberação gradual,
comedida e bastante estudada.
Victor Dornas – Colunista do Blog do Chiquinho Dornas


