Passageiros sob sol e chuva.
Brasilienses de várias regiões administrativas reclamam da falta de paradas de
ônibus com abrigo e sinalização. Secretaria de Transporte e Mobilidade afirma
estar elaborando projeto para a construção de novas estruturas.
*Por Caroline Cintra
Parada de ônibus na
Candangolândia: apenas um banco sem proteção: O clima instável do Distrito
Federal costuma pegar os brasilienses de surpresa. Em um mesmo dia, pode
chover, fazer sol e muito frio. Aqueles que usam carro diariamente conseguem
escapar dessas mudanças repentinas. No entanto, quem precisa do transporte
público acaba padecendo com a falta de estrutura, abrigos e sinalização das
paradas de ônibus. A reportagem percorreu algumas regiões da capital federal e
encontrou pessoas que enfrentam dificuldades durante a espera do coletivo. Há
quem procure cobertura em comércios. Outros arriscam ficar debaixo de chuva ou
sol para não perder a condução.
A autônoma Rose Ferreira, 36 anos,
mora na Candangolândia há três anos e pega ônibus todos os dias para ir ao
trabalho, no Plano Piloto. A parada fica na Quadra 4 da Avenida Contorno e tem
apenas um banco de concreto, sem cobertura. “Desde que vim morar aqui a
situação é a mesma. Já fizemos até abaixo-assinado para ver se resolvemos isso,
mas até agora nada. Em dias de chuva forte, tem que se proteger com sombrinha,
é o jeito. Fora a sujeira e bagunça que fica. Tem gente que nem considera
parada de ônibus”, disse.
Em Ceilândia não é diferente. A
costureira Terezinha de Jesus, 61, enfrenta, além da falta de estrutura, a
ausência de sinalização. O ponto em que costuma pegar ônibus, na QNN 24, fica
junto a uma placa de quebra-molas, em frente a uma oficina mecânica. “A gente
sofre com a falta de sinalização. Corremos o risco de perder o coletivo por
causa disso. Muitos motoristas acham que é apenas um quebra-molas e passam
direto. Ou seja, além da demora dos ônibus, temos que estar atentos se ele para
ou não nesse lugar”, contou.
Do outro lado da pista, a
cabeleireira Maria Aloncia da Silva, 40, procurava abrigo nos tetos dos
comércios para se proteger do sol forte. No entanto, o medo maior é perder o
ônibus. Ela afirma que muitos coletivos costumam passar rápido pela avenida da
QNN, 6, também em Ceilândia. “São 10 anos morando aqui e nada é resolvido. É um
grande constrangimento, porque temos que correr atrás do ônibus. É chato, mas a
gente precisa e acaba tendo que passar por isso.”
Rachaduras Algumas paradas, especialmente as de concreto, se desgastaram ao longo
dos anos. Muitas apresentam rachaduras, infiltrações e desnivelamento. A
degradação assusta quem precisa pegar o coletivo nesses abrigos, como o
motorista Frank José Nascimento, 53. Em dias de chuva, ele sai de casa, em
Ceilândia, para ir ao trabalho, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), de
ônibus. Ao chegar nas paradas, costuma observar se está seguro. “Infelizmente,
muitas delas estão em péssimo estado. A gente sente medo até mesmo de ficar
embaixo. Como só pego ônibus em dias de chuva, para evitar congestionamento, eu
preciso escolher ficar me molhando, ou arriscar ficar embaixo da parada. É
bastante difícil”, narrou.
Frank lembra que, certo dia,
estava em uma parada durante uma chuva e, ao olhar para o teto do abrigo, havia
uma rachadura e várias infiltrações. “Deu medo, porque a gente sabe que, quando
a água entra, vários problemas podem acontecer nas estruturas. Além desses
problemas, começou a pingar no pessoal. Ou seja, já está na hora de olhar isso.
Precisa mesmo de manutenção”, avaliou.
Morador do Gama, o marceneiro
Venturini da Silva, 69, acredita que as chuvas constantes podem aumentar os
riscos para quem usa o transporte público. “Vemos tanta coisa ruim acontecendo
e nunca esperamos que chegue até nós, mas pode acontecer. O certo seria agir de
forma preventiva, para que desastres não aconteçam.”
Planejamento: O DF tem 5.471 paradas de ônibus, entre abrigos e placas de sinalização.
De acordo com a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), neste ano, foram
construídos 162 abrigos em toda a capital federal. Taguatinga (34), Samambaia
(33), Recanto das Emas (31) e Riacho Fundo 2 (30) foram as regiões mais
beneficiadas com as construções. Cada uma custou, em média, R$ 14 mil aos
cofres públicos.
Em nota, a Semob informou que está
elaborando um termo aditivo do contrato para a construção de 107 novas
estruturas. Além disso, está desenvolvendo um projeto de revitalização das
paradas de ônibus de concreto. “O projeto envolve um levantamento de todos os
abrigos que precisam passar por recuperação”, detalhou a secretaria.
A pasta afirma ainda que os novos
abrigos instalados são acompanhados de piso, piso tátil, calçada,
acessibilidade, meios fios, impermeabilização e pintura: “A manutenção do piso
será feita juntamente com a manutenção dos abrigos, quando o projeto de
revitalização for concluído”.
Chuva: Enquanto nem todas as paradas têm abrigos, os brasilienses terão que
continuar enfrentando as chuvas, sem proteção nos pontos. De acordo com o
Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as precipitações continuam nos
próximos dias. Hoje, a temperatura mínima será de 16ºC. A máxima pode chegar a
31ºC. A umidade relativa do ar varia entre 95% e 40%.
O volume de chuva ultrapassou a
média esperada para dezembro. Estava previsto 241,5 milímetros (mm) durante
todo o mês. Até ontem, havia chovido mais de 300 mm. As áreas onde mais foram
registradas precipitações foram no Paranoá e em Águas Emendadas, em Planaltina.
Balanço: O DF tem 5.471 paradas de ônibus, entre abrigos e placas de sinalização; Em 2019,
foram construídos 162 abrigos em todo o DF
Onde reclamar: »
Reclamações ou sugestões sobre as paradas de ônibus devem ser feitas por meio
da Ouvidoria do GDF, pelo telefone 162 ou no site https://bit.ly/2rCciGF, ....
(*) Caroline Cintra - Correio Braziliense
Tags
BRASÍLIA - DF


