Distritais fazem mais de 97 mil fotocópias ao longo de 2019. Valdelino
Barcelos foi o que mais pediu impressões: foram 11 mil, segundo a CLDF. Apenas
Júlia Lucy não usou o serviço este ano. (*Por Suzano Almeida)
De janeiro a setembro de 2019, os deputados distritais fizeram 97.388
cópias e impressões em papel. Os dados, do Setor de Reprografia da Câmara Legislativa, contabilizam apenas os pedidos dos
parlamentares e suas equipes. Contudo, os números devem sera maiores, uma vez
que o balanço do último trimestre será divulgado apenas em 2020.
Nesta legislatura, quem mais
gastou resmas até agora foi o distrital Valdelino
Barcelos (Progressistas), com 11.624 reproduções. Ele é seguido por Chico
Vigilante (PT), com 9.322; e Eduardo Pedrosa (PTC), com 9.250.
O grupo dos cinco primeiros é completado por
Claudio Abrantes (PDT), que pediu 6.608 fotocópias; e Jorge Vianna (Podemos),
com 6.460. Em relação aos 24 parlamentares, a lanterninha da lista é Júlia Lucy
(Novo), que aparece com o saldo zerado
Cada deputado tem, por mês, direito a 10 mil cópias em
papel A4. Elas são feitas pela gráfica da Casa. São reproduções
de projetos de lei, resoluções e requerimentos, entre outros documentos. Na
conta não estão computadas correspondências, cartazes de sessões solenes,
audiências públicas, materiais de divulgação e cartões de visita, entre outras
impressões.
Confira a lista completa:
Outro lado: A reportagem procurou os cinco deputados que mais usaram
o serviço ao longo de 2019. Primeiro colocado no ranking das fotocópias,
Valdelino Barcelos questionou, por meio de nota, os números apresentados pela
Transparência da Câmara Legislativa.
“O deputado
Valdelino discorda do número de cópias atribuídas ao seu gabinete pelo Setor de
Reprografia e solicitará revisão desse quantitativo tão logo se finde o
recesso.”
De acordo com a assessoria do parlamentar,
ele abre mão das diversas verbas indenizatórias a que tem direito e, apesar de
não haver irregularidades, deixará de fazer as cópias na gráfica da Casa.
Chico Vigilante, por sua
vez, ressalta que não usa toda a cota a que tem direito. As cópias feitas,
segundo ele, são para a divulgação de suas ações parlamentares, como a
aprovação de projetos. “Não considero esse número alto”, afirmou, referindo-se
às 9,3 mil reproduções feitas.
Eduardo
Pedrosa ressaltou não ter usado as verbas indenizatórias a que tem direito.
Para o distrital, o consumo de cópias é resultado de muito trabalho. “Somos um
dos gabinetes mais atuantes”, resumiu.
Claudio Abrantes, afirmou, por meio do
gabinete, que não usa verba indenizatória. “As impressões são utilizadas para
serviços administrativos e ainda para tirar cópia de documentos e entregar aos
outros gabinetes. Ou seja, as cópias são utilizadas na atividade parlamentar e
estão dentro de parâmetros razoáveis”, informou.
Quinto colocado na lista, Jorge Vianna diz
que desde julho vem tentando reduzir os gastos de gabinete com o intuito de
economizar recursos públicos.
“Atribuo [o
número de cópias] à quantidade de serviços que temos no gabinete, às atividades
que temos feito na saúde, educação e cultura. Foi feito um levantamento pela
minha equipe técnica para não excedermos gastos. Desde julho, diminuí a verba
indenizatória em quase 70%. Aos poucos, estou tentando fazer um gabinete mais
barato”, afirmou Vianna.
Única a não gastar nada em 2019 com
fotocópias, Júlia Lucy disse que é preciso usar o recurso para prestar contas,
“mas temos os meios digitais que nos permite fazer essa economia”.
“Temos alguns critérios para imprimir no meu
gabinete, já que somos adeptos da política ‘lixo zero’. O dinheiro público vem
do brasiliense, que trabalha cinco meses para pagar tributos”, comentou. A
deputada ainda alfinetou os colegas: “Não consigo entender um gabinete que usa
tanto material”.
Sistema eletrônico: O vice-presidente da Câmara Legislativa, Rodrigo Delmasso
(Republicanos), acredita que, em 2020, o consumo de papel para a impressão de
cópias de projetos, requerimentos e documentos diversos cairá com a implantação
do Sistema Eletrônico de Informações (SEI).
Nos 30 dias desde sua implementação, segundo
Delmasso, foi economizado o equivalente a mais de 1 mil resmas de papel, apenas
com processos administrativos da Câmara Legislativa que deixaram de ser
impressos. De acordo com ele, foram 512 mil documentos digitais.
“A ideia é digitalizar o processo em todos os
setores, como já acontece no administrativo. Vamos fazer o mesmo na área
legislativa e reduzir a impressão de papel. Isso implica uma política mais
sustentável, pois não é só o papel. Também há o gasto com a impressão e de
energia elétrica”, afirmou Delmasso.
(*) Suzano Almeida - Metrópoles



