Mais um passo para nova cidade. Decreto do governador Ibaneis Rocha (MDB) aprova plano de
urbanização da Urbitá, em Sobradinho. Empreendimento terá capacidade para
abrigar 118 mil moradores, com movimentação inicial de R$ 4 bilhões
*Por Alexandre de
Paula
O projeto privado que cria uma
cidade no Distrito Federal, com capacidade para 118 mil habitantes, deu mais um
passo para sair do papel. O governador Ibaneis Rocha (MDB) publicou decreto que
autoriza o plano urbanístico da iniciativa, chamada de Cidade Urbitá. O
empreendimento, na região norte de Brasília, foi gestado com discrição pela
Urbanizadora Paranoazinho (UP) na última década e prevê a construção de um
empreendimento com estrutura completa e padrão moderno, com foco na experiência
do pedestre, parques e prédios de até 10 andares sem grades ou cercas.
Antes que o processo de construção
comece, porém, outro decreto precisa ser editado por Ibaneis, desta vez,
autorizando o início da primeira etapa do empreendimento. Essa fase inicial foi
aprovada pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano (Conplan) em
dezembro do ano passado. O órgão havia acatado o plano urbanístico, referendado
agora pelo governador, em novembro de 2018. A demora entre a aprovação do
Conplan e a edição do decreto tem ligação com as adequações feitas nos estudos
por causa da aprovação da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), sancionada pelo
emedebista em janeiro. Todos as modificações, segundo a UP, foram concluídas.
A Cidade Urbitá será construída
nas proximidades de Sobradinho. As terras que receberão o empreendimento fazem
parte da antiga Fazenda Paranoazinho. A UP adquiriu o local, que conta com 54
condomínios irregulares e espaços vazios, em 2007 (leia Memória). Desde
então, a empresa é responsável pela regularização dos lotes e aproveitou as
terras vazias para planejar o novo bairro, que será erguido em uma área de
cerca de 900 hectares.
Assim que publicado o decreto do
GDF com a autorização para o início da primeira fase, a UP começará o processo
para erguer o empreendimento. A primeira etapa terá início por lotes comerciais
e institucionais. “Estamos fazendo pesquisas para identificar quais as
carências daquela região. Queremos começar o projeto atendendo a essas
necessidades de comércio, lazer etc. Mas, em seguida, começaremos com o
componente residencial”, adianta o diretor presidente da UP, Ricardo Birmann. A
fase inicial terá capacidade para 11 mil moradores.
Segundo Ricardo, a intenção é que
o projeto vá além do conceito de cidade-dormitório e possa oferecer aos
moradores uma estrutura completa para o dia a dia. “Ao atender essas
necessidades localmente, começamos a contribuir para que Brasília se torne uma
metrópole com vários núcleos”, comenta.
A estimativa é de que as primeiras
quatro etapas do empreendimento movimentem R$ 4 bilhões. “Isso inclui toda a
construção da cidade, em um tempo que pode ser até de 20 anos. Esses recursos
são todos privados, mas não são todos da UP. Podem vir também de parceiros,
como incorporadas”, detalha o diretor. Apenas com a infraestrutura da cidade,
estão previstos gastos de R$ 150 milhões.
Preocupações: Um dos pontos que levantam preocupação em relação ao empreendimento é a
questão do trânsito na região norte do Distrito Federal. A área registra
constantes engarrafamentos, sobretudo na BR-020 (no sentido da subida do
Colorado). De acordo com Birmann, tudo isso foi levado em conta nos estudos realizados
para a empreitada. Portanto, há medidas de compensação previstas no projeto.
“Passamos quatro anos discutindo o problema do trânsito. Há uma série de
mitigações que faremos para evitar os impactos desse empreendimento nesse
sentido. Por isso, é importante fazer algo assim com todas as licenças e o
tempo necessário”, argumenta. Entre as compensações previstas estão a
construção de pista que prolongue a Avenida Sobradinho e de uma ponte sobre o
Ribeirão Sobradinho.
Voto vencido: Em dezembro, quando a primeira etapa do projeto foi avaliada pelo
Conplan, o placar da votação foi favorável à aprovação da Urbitá. A sessão
durou mais de quatro horas e discutiu os impactos da iniciativa. Foram 23 votos
a favor, um contra e uma abstenção. Apenas a representante do Instituto de
Arquitetos do Brasil (IAB) no conselho, Carolina Cavalcanti, defendeu que a
análise deveria ser feita por mais tempo.
Ela reconheceu a qualidade
urbanística do empreendimento, mas questiona a atuação do Estado. “É um projeto
moderno e arquitetonicamente é interessante, tem todos os pré-requisitos de bom
urbanismo, mas acho que é omissão o poder público tratar um projeto dessa
envergadura como se fosse um simples parcelamento, sem se debruçar sobre
questões mais específicas, como o lado social”, justifica.
A UP, no entanto, ressaltou que a
participação do Estado foi próxima desde o início do projeto, há mais de uma
década. Isso ficaria evidenciado, segundo a empresa, no processo de concessão
de licenças e aprovações para que o empreendimento, de fato, pudesse começar a
ser efetivado.
Dificuldades e desconfiança: As questões fundiárias na região da
antiga Fazenda Paranoazinho têm mais de uma década. A Urbanizadora Paranoazinho
(UP) tornou-se responsável por administrar o espaço e regularizar os terrenos
ocupados em 2007, quando adquiriu a área. A chegada da empresa foi vista com
desconfiança por moradores, que reclamavam de não ter participado de projetos
elaborados pela Urbanizadora. Isso dificultou o processo de regularização. Os
terrenos ocupados usam cerca de metade do espaço da fazenda. É na área livre
que a UP pretende construir os novos empreendimentos.
O trânsito pesado na BR-020,
principalmente na subida do Colorado, é uma das principais preocupações do
empreendimento: estudo viário
A cidade contará com áreas
comerciais, residenciais e institucionais • Os prédios terão altura máxima de
37m, o equivalente a 10 andares • A capacidade do novo bairro é de 118 mil
habitantes • A ocupação do setor será a longo prazo, e o processo todo deve
levar pelo menos 30 anos • A Urbitá contará com parques permeando o
empreendimento, com área total de 3 milhões de metros quadrados "Estamos
fazendo pesquisas para identificar quais as carências daquela região. Queremos
começar o projeto atendendo a essas necessidades de comércio, lazer etc. Mas,
em seguida, começaremos com o componente residencial” Ricardo Birmann, diretor
presidente da UP
(*) Alexandre de Paula – Fotos:
Arthur Menescal/CB/D.A.press Correio Braziliense
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