Militares no CED 416.Pais e
funcionários de colégio em Santa Maria aprovam modelo de gestão compartilhada
com a Polícia Militar, com 87% de votos favoráveis. Diretor da escola, Eduardo Rodrigues afirma que a medida é necessária
Os altos índices de criminalidade e violência ao redor do Centro
Educacional 416 de Santa Maria, que se refletem em sala de aula, fizeram com
que a associação de pais e a própria diretoria procurassem a Secretaria de
Educação para indicar o interesse em adotar a Gestão Compartilhada com a
Polícia Militar. Com 87% dos votos favoráveis, a escola é a décima instituição
de ensino do DF a adotar o modelo e fecha a lista das que passam pela mudança
neste ano.
Assim que o Governo do Distrito
Federal (GDF) lançou o modelo, também conhecido como “militarização nas
escolas”, pais de alunos procuraram a direção para avaliar a possibilidade de a
instituição participar. “Nossos filhos precisam de segurança para ir e ficar na
escola. Demorou para isso acontecer. O que vem para o bem das nossas crianças
eu apoio completamente”, comemora o teleatendente Rafael Borba, 36 anos, pai da
aluna Bianca, do 8º ano. A adolescente concorda: “É muita violência. Também
falta respeito dos alunos com os professores e com os próprios colegas. A
disciplina vai ajudar.”
Apesar da votação expressiva, uma
parcela de professores e alunos teme que haja autoritarismo e censura. “Eu
votei contra, porque tenho medo de que essas regras me impeçam de me expressar
como eu sou, espero que não”, relata Suzane, do 9º ano. Entre os argumentos
contrários dos docentes, estava a preocupação com a liberdade pedagógica e o
cumprimento com os investimentos na escola.
O diretor do CED 416, Eduardo
Rodrigues, avalia a medida como necessária. “Fora dos muros da escola, temos
altos índices de assalto, tráfico e uso de drogas. A realidade é sentida dentro
do colégio, com problemas de brigas, bebidas, drogas e armas. O fato de o
professor precisar gastar muito tempo com questões disciplinares atrapalha o
lado pedagógico”, afirma. “Tem tudo para dar certo, e esperamos poder ter uma
visão dos militares não como opressores, mas parceiros”, acrescenta.
No Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb) de 2015, o centro teve nota 3,6 (numa escala de zero a
dez) para o ensino fundamental. A meta para a unidade na etapa de ensino era de
4,3 pontos. A unidade atende 947 estudantes de anos finais do ensino
fundamental, ensino médio e ensino especial, e foi selecionada pela Secretaria
de Educação após o Centro de Ensino Gisno, na Asa Norte, rejeitar a proposta,
com 57% dos votos.
O CED 416 é a 10ª escola
selecionada para participar do projeto do GDF. A meta do governador Ibaneis
Rocha (MDB) é de que outras 30 unidades escolares também sejam transformadas em
cívico-militares até o final do mandato, completando 40 escolas no total.
Segundo a Secretaria de Educação, a unidade foi escolhida com base no Indicador
de Vulnerabilidade Escolar (IVE), que abrange dados de vulnerabilidade social,
índices de criminalidade, de desenvolvimento humano e da educação básica. “A
pasta está elaborando os trâmites necessários para que o projeto seja
implantado, sem prazo definido ainda”, diz a pasta em nota enviada ao Correio.
Por Bruna Lima – Fotos: Michael Melo – Carlos Vieira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense
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