Bancada do DF declara guerra à PEC que rateia Fundo
Constitucional Projeto da deputada Clarissa Garotinho quer dividir recursos com
estado fluminense e, depois de 10 anos, extinguir a verba.
*Por Caio Barbieri
*Por Caio Barbieri
A bancada do Distrito Federal na Câmara dos
Deputados declarou guerra contra uma proposta de emenda à Constituição (PEC)
que tenta dar uma grande tesourada nos recursos do Fundo Constitucional do
Distrito Federal.
De autoria da deputada Clarissa Garotinho
(Pros-RJ), o texto quer exigir “ressarcimento” da União ao estado do Rio de
Janeiro pelos prejuízos históricos decorrentes da transferência da capital do
país para o Planalto Central.
A redestinação prevista na PEC ocorreria pelo prazo
de 10 anos e, depois desse período, o fundo seria extinto e os recursos,
divididos por todos os estados e o Distrito Federal.
Essa é a terceira investida de representantes de
outras unidades da Federação para tentar abocanhar fatia do fundo regulamentado
em 2002 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
“A transferência da capital foi feita sem colocar
em ação qualquer plano de compensações para o Rio, acionando uma bomba-relógio.
Tivemos que driblar muitos problemas econômicos que se arrastam até hoje, e
inúmeros historiadores, de várias partes do Brasil, atribuem nossos problemas
estruturais a esses fatos históricos”, argumenta a autora.
Na justificativa do projeto, a deputada alega que o
governo federal “não tem sido capaz de pensar estrategicamente sua antiga
capital. Ele tem apenas se limitado a usar o Rio, de tempos em tempos, como a
vitrine nacional que Brasília nunca conseguiu se tornar, como se viu na Rio Eco
92, no Pan Americano de 2007, nas Olimpíadas ou em muitos outros eventos
internacionais”, completa.
Segundo Clarissa (foto em destaque), os indicadores
econômicos de Brasilia, como a renda per capita, mostram que o Distrito Federal
já tem condições de se manter sem a ajuda federal. “Vale destacar que a nova
capital federal já está instalada há quase 60 anos. Por possuir características
de cidade-estado, Brasília recolhe para o mesmo cofre impostos estaduais e
municipais, como: ICMS, IPVA, IPTU e ISS”, escreveu no projeto.
Contudo, na visão do secretário de Economia do
Distrito Federal, André Clemente, os recursos oriundos do Fundo Constitucional
são exclusivos para manutenção de serviços essenciais da capital da República,
como saúde, educação e segurança.
“O Fundo Constitucional do DF não foi criado para
indenizar ninguém. É um recurso devido ao DF em face à demanda adicional por
serviços de segurança, saúde e educação. O Rio de Janeiro merece defensores e
patronos que olhem para o futuro, não para um passado distante. Logo, não é
Brasília que vai financiar essa aventura”, rebateu.
Desde que Clarissa Garotinho passou a colher
assinaturas de pelo menos um terço dos integrantes da Câmara dos Deputados, a
bancada parlamentar do Distrito Federal tentou impedir a apresentação da
proposta, mas sem sucesso.
A proposição conseguiu 304 assinaturas das 171
necessárias para começar a tramitar no Congresso e aguarda para entrar na pauta
da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Repartição
dos royalties Revoltado com a proposta que pode colocar em colapso as contas do
Distrito Federal, o deputado federal Professor Israel (PV-DF) declarou que,
caso a proposta siga adiante, o Distrito Federal vai lutar pela repartição dos
royalties do petróleo fluminense. Só para se ter ideia, a projeção é que,
apenas em 2019, o Rio de Janeiro receba R$ 16 bilhões nas contas do estado
pelos percentuais distintos do valor final do petróleo extraído ou utilizado.
“Os
recursos do Fundo Constitucional não podem ser usados como uma caderneta de
poupança para crises financeiras de outros estados, principalmente se
desencadeadas pela má-administração pública e corrupção de governos anteriores.
Esse recurso é vital para o DF não parar”, afirmou o deputado. Também crítica à
tramitação da proposta, a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF)
reclama das tentativas recorrentes de retirarem verba do Distrito Federal.
“Isso é
algo que já vem com frequência sendo questionado, colocado em pauta. Até
questionei em um grupo da bancada feminina e nós sequer fomos comunicadas. É um
assunto em que nós temos que estar unidos, porque estamos falando de R$ 14
bilhões do orçamento do Distrito Federal”, declarou. Representante do Progressistas,
Celina Leão também engrossa o coro contra a extinção do FCDF.
“O
projeto da [deputada] Clarissa seria razoável se o Rio ainda fosse a capital da
República, só que não é mais. Brasília foi criada justamente para abrigar os
Poderes da União e precisa de estrutura para isso, que chegam por meio do Fundo
Constitucional”, registrou. A deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) ainda
tenta convencer o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a
não pautar a matéria, embora ele integre a bancada fluminense.
“Brasília
é hospedeira da União. Estão aqui os Três Poderes, mais de 170 representações
internacionais e é responsabilidade do DF cuidar da segurança, educação e saúde
de todos que estão aqui. Por isso foi criado o fundo. Conversei com o
presidente Rodrigo Maia e, se tramitar, a bancada vai atuar. Tirar qualquer
coisa desse fundo que tem 90% para folha é de uma irresponsabilidade enorme”,
disse.
Deputado
Israel Batista vai propor divisão dos royalties do petróleo fluminense caso a PEC
seja aprovada pelo Congresso
“Perda de
status” Procurada pela reportagem, a deputada Clarissa Garotinho afirmou, por
meio da assessoria de imprensa, que a discussão a respeito da extinção do Fundo
Constitucional do DF não é novidade. “Nesse sentido, a PEC da Reparação
estabelece prazo de vigência desse fundo por mais 10 anos, a fim de que o
Distrito Federal possa se preparar adequadamente. Durante esse período, os
recursos seriam divididos com o Rio de Janeiro, como forma de reparação pelos
problemas causados após a perda de status de capital federal, na década de
1960, e a fusão, em seguida, dos estados do Rio e da Guanabara.
É bom
lembrar que, apesar das promessas, nunca houve qualquer plano de compensação
para o Rio”, registra a nota. Garantido pela Constituição Federal de 1988, o
Fundo Constitucional do DF é responsável pelo pagamento dos servidores da
segurança pública, além de dar suporte às áreas de educação e saúde.
Os
repasses em 2019 devem chegar a R$ 14,3 bilhões. Caso a proposta seja aprovada,
esse valor cairá para R$ 7 bilhões e forçará o governo local a usar recursos
arrecadados com tributos para custear parte das folhas de pagamento das três
áreas. De acordo com a tramitação, a PEC 148/2019 vai passar primeiramente pela
apreciação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e, se
aprovada, segue para discussão em Comissão Especial e, por fim, vai para
votação no Plenário da Câmara dos Deputados.
Clarissa
Garotinho já foi vereadora, deputada estadual e está no segundo mandato como
deputada federal pelo Rio de Janeiro. Ela é uma das filhas dos ex-governadores
fluminenses Anthony Garotinho (sem partido) e Rosinha Matheus (Patriota-RJ).
Também foi titular da Secretaria de Desenvolvimento, Emprego e Inovação do
município do Rio de Janeiro, ainda na atual gestão de Marcelo Crivella
(Republicanos). Em novembro de 2016, a congressista ganhou os holofotes por uma
crise histérica em frente às câmeras de televisão no momento em que o seu pai
era transferido de ambulância até o presídio de Bangu.
Recentemente,
Garotinho, Rosinha e mais três pessoas foram presas suspeitas de superfaturar
contratos celebrados entre a prefeitura de Campos dos Goytacazes e a Odebrecht.
Um dia após a prisão, a dupla conseguiu um habeas corpus de soltura. A operação
foi baseada em acordo de delação de dois executivos da Odebrecht ao Ministério
Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo os
colaboradores, os suspeitos teriam superfaturado contratos para a construção de
casas populares dos programas Morar Feliz I e II enquanto Rosinha era prefeita,
entre os anos de 2009 e 2016.
Tesourada
do TCU: Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu proibir o pagamento
de pensões e aposentadorias de servidores da saúde e da educação com recursos
do FCDF. Estudo feito pelo Governo do Distrito Federal, divulgado em primeira
mão pelo Metrópoles, mostrou os impactos imediatos da decisão do TCU. O rombo
pode ultrapassar os R$ 2,5 bilhões. Na época dessa determinação, o governador
Ibaneis Rocha (MDB) declarou que o pagamento das aposentadorias e pensões de
servidores das áreas de saúde e educação está ameaçado.
O
emedebista disse que, se não conseguir reverter decisão do TCU que proíbe o uso
de recursos do Fundo Constitucional para bancar essas despesas, não há verba
suficiente nos cofres do GDF. “Já temos um déficit de R$ 700 milhões. Não temos
de onde tirar mais dinheiro. Não há plano B”, afirmou o emedebista. De acordo
com ele, o momento é de união entre servidores, sindicatos, governo e a
sociedade para tentar reverter a decisão no próprio TCU ou no STF.
Guardião
da chave dos cofres públicos locais, o secretário André Clemente também passou
a descartar qualquer tipo de projetos não programados e, até mesmo, a
recomposição dos contracheques de servidores, como o esperado reajuste. Com
isso, o Buriti permanece em estado de alerta até que consiga um novo
posicionamento do TCU ou da Justiça. “A recente decisão do TCU nos impede até
mesmo de avançar nas possibilidades de benefícios para as categorias, uma vez
que qualquer tipo de aumento de despesa está suspenso até que essa medida de
efeitos nefastos que recebemos seja revertida”, declarou na oportunidade.
(*) Por Caio Barbieri – Foto: Luiz Macedo – Michael Melo - Metrópoles
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POLÍTICA



Tratem de trabalhar deputados de Brasília, pois essa ideia não pode passar!
ResponderExcluirSerá um colapso em Brasília, a capital que abriga os deputados, senadores e o chefe do executivo não pode ser sacrificada por uma mudança de endereço da capital...ela está de olho no montante dos recursos que Brasília recebe, abram os olhos, de boba não tem nada a filha de garotinho e Rosinha....