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COPA FEMININA » Luta, emoção e um jogo memorável - "Festa das donas da casa"


Festa das donas da casa e frustração verde-amarela: em 2020, o desafio prossegue nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Luta, emoção e um jogo memorável. Seleção Brasileira mostra garra, busca empate contra a França, cria boas oportunidades, mas sofre gol no segundo tempo da prorrogação e se despede da busca pelo inédito título nas oitavas de final

*Por Maíra Nunes - Maria Eduarda Cardim

Le Havre (França) — Após chegar desacreditada à Copa do Mundo Feminina, a Seleção Brasileira fez em campo o que prometeu antes do torneio: deu o sangue e lutou com raça até o fim. Diante de quase 24 mil pessoas, o Brasil foi eliminado nas oitavas de final pela anfitriã França na prorrogação, por 2 x 1, ontem, no Stade Oceáne. Assim, a equipe comandada por Vadão repete a campanha da última edição da competição.

Em um duelo dramático e com muitas participações do VAR, Valérie Gavin abriu o placar para a França no começo do segundo tempo. O Brasil não se abateu e buscou o empate com Thaísa, 11 minutos depois. O condicionamento físico das veteranas brasileiras pesou em uma partida que foi levada para a prorrogação. A Seleção terminou o jogo sem Cristiane e Formiga, na última participação delas em Mundiais, e foi penalizada no tempo extra, com gol de Amandine Henry.

“A avaliação é positiva, devido a tudo o que falavam antes. Lógico que sempre queremos chegar à final, mas o jogo é jogado. Lutamos até o final, não faltou garra, não faltou vontade, mas elas foram melhores nas finalizações e nas chances que criaram”, resumiu a atacante Marta.

Desde o começo da Copa do Mundo, os franceses lotaram os estádios para assistir à seleção do país tentar buscar o primeiro título mundial. Após três vitórias, a França chegou embalada para pegar o Brasil nas oitavas de final. Novamente, o público lotou o Stade Oceáne e não parou de cantar, a começar pelo hino à capela e pela coreografia ensaiada batendo palmas. 

O primeiro tempo se mostrou aberto, com oportunidades para os dois lados. O VAR entrou em cena para anular um gol francês aos 26 minutos. No fim da parcial, Cristiane criou a melhor oportunidade do Brasil, após jogada de Debinha. A artilheira brasileira avançou pela esquerda, mas finalizou por cima.

Acréscimos
Nos acréscimos, foi a vez de a França assustar. Buscaglia avançou bem e, com a marcação toda concentrada na direita, achou a camisa 10 Majri chegar livre dentro da área para desperdiçar. Após o lance de maior perigo da França, Marta tentou pegar a goleira adiantada. Mesmo que a finalização não tenha saído como ela imaginou, a melhor do mundo arrancou aplausos das arquibancadas tomadas por franceses.

Debinha foi o desafogo brasileiro para avançar com velocidade. Com a volta de Formiga, Vadão manteve Ludmila no time titular para a saída da Andressinha. Segundo o técnico Vadão, a atacante segura mais a marcação, liberando Marta para o ataque. A mudança, porém, gerou muitas críticas. 

Ludmila foi substituída por Bia Zaneratto aos 25 minutos do segundo tempo. Àquela altura, a partida estava completamente diferente do que acabou na primeira parcial.

FRANÇA 2 : Bouhaddi; Torrent (Perisset), Renard n, Mbock e Majri (Karchaoui); Henry l, Asseyi (Thiney) e Bussaglia; Le Sommer, Diani e Gauvin l (Cascarino); Técnico: Corinne Diacre

BRASIL 1 : Bárbara; Letícia Santos (Poliana), Mônica, Kathellen, e Tamires; Formiga (Andressinha), Thaisa l e Marta; Ludmila (Bia Zaneratto n), Debinha; Marta e Cristiane (Geyse); Técnico: Vadão

Renda: não divulgada -  Público: 23.965 pessoas   Árbitra: Marie-Soleil Beaudoin (CAN)

Marta cobra mais profissionalismo - A Rainha do Futebol pediu dedicação extra às jovens atletas do país

De batom vermelho, a capitã brasileira Marta fez um discurso emocionado após a partida. Ao público, agradeceu o apoio. Às atletas, cobrou profissionalismo. “Hoje, estamos tendo a oportunidade de pedir, estamos vendo que as coisas estão melhorando, mas nem sempre valorizamos como deveríamos. É isso que precisamos colocar na cabeça dessas meninas. Porque as coisas não são feitas de momentos. Elas só acontecem quando a pessoa está preparada para se dedicar”, disse.

“É um apelo. Nós queremos cobrar, mas também temos de ser cobradas, no sentido de querer fazer as coisas, melhorar fisicamente, viver como atleta. Lógico que temos o nosso momento de nos divertir, mas tudo dentro de um cronograma”, completou a atacante, que se tornou a maior artilheira da história das Copas do Mundo, com 17 gols.

A jogadora seis vezes melhor do mundo se refere ao avanço da modalidade em todo o mundo. “O nível do futebol feminino não permite mais treinar na hora que quer. O negócio está alto nível, o que é importante para abrilhantar o espetáculo. Isso mostra que somos capazes. Não é aquele futebol devagar, mortinho. O jogo foi maravilhoso. Infelizmente, não vencemos, mas era lá e cá”, observou Marta.

Em 2020, a Seleção Brasileira feminina terá outro grande evento. As Olimpíadas de Tóquio, no Japão, são projetadas como a última competição do elenco que representou o Brasil na Copa do Mundo da França, inclusive com a despedida de Cristiane e Formiga. (MN e MEC)

Pressão francesa no ataque
A França voltou do intervalo pressionando mais no campo ofensivo e chegou ao gol logo aos seis minutos. Diani passou por Tamires na lateral direita e cruzou rasteiro. Bárbara não interceptou e Gauvin finalizou de dentro da pequena área. O Brasil respondeu com uma bola na trave três minutos depois, com uma cabeçada de Cristiane após lançamento de Marta.

A partida ganhou dramaticidade. Aos 18 minutos, Debinha avançou pela esquerda e cruzou, Cristiane tentou se antecipar à zaga e a bola afastada acabou nos pés de Thaísa, que dominou e bateu cruzado para empatar o jogo. 

Andressinha entrou no lugar de Formiga, aos 29 minutos, e Poliana substituiu Letícia Santos no fim do período regulamentar. A tensão cresceu em diversos lances. Os 90 minutos terminaram com três cartões amarelos para o Brasil e um para a França, que tinha 51% de posse de bola e sete finalizações contra 13 da Seleção.

Logo aos seis minutos da prorrogação, Cristiane caiu no campo. O Brasil havia feito três substituições, mas a nova regra permite mais uma troca no tempo extra e Geyse entrou na partida. 

O Brasil criou a melhor chance do primeiro tempo. Debinha avançou pela esquerda, após receber ótimo passe de Geyse, e conduziu a bola até finalizar tirando da goleira. Quase em cima da linha, Mbock Bathy salvou.

No primeiro minuto da parcial seguinte, a torcida brasileira lamentou. Majri bateu falta da direita e Henry recebeu livre na pequena área para bater no contrapé de Barbara. Festa francesa, que parte para as quartas de final em Paris contra o vencedor do duelo entre Estados Unidos e Espanha. (MN e MEC)

(*) Maíra Nunes - Maria Eduarda Cardim – Fotos: Franck/Fife/AFP -  Correio Braziliense



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