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Brasiliense Pedro Martins vai tocar em festival com Eric Clapton


Pedro Martins

*Por Severino Francisco

Recentemente, o brasiliense Pedro Martins tomou um susto bom: ele foi convidado por nada menos do que Eric Clapton para participar, em 20 e 22 de setembro, do Crossroads Guitar Festival 2019, em Dallas, Texas, Estados Unidos, evento que o músico norte-americano promove desde 1999. Por lá, se apresentam as maiores feras do jazz e do blues.

Neste ano, desfilarão pelo palco, entre outros, Billy Gibbons, Bonnie Raitt, Jeff Beck, Vince Gill, Sheryl Crow, Susan Tedeschi, Jimmie Vaughan, Gary Clark Jr, Joe Walsh, Buddy Guy Band e Derek Trucks.

Clapton conheceu Pedro Martins por meio do guitarrista e produtor Kurt Rosenwinkel, que lhe repassou o disco Simbiose, gravado em parceria com outro brasiliense, Daniel Santiago. Depois de ouvir o disco dos candangos, Clapton afirmou que a música de Pedro Martins tinha um “toque caloroso e pessoal, com belas melodias e um movimento harmônico sofisticado e orgânico, excelente do ponto de vista formal e temático, ritmicamente único com um groove especial.”

O convite de Clapton aos brasilienses para participar do Crossroads Guitar Festival 2019 foi uma surpresa, mas nem tanto. Em 2015, aos 22 anos, Pedro Martins faturou o prêmio do concurso Socar Guitar Competition, na honrosa condição de favorito do júri e do público, do Festival de Montreux, um dos eventos de música mais prestigiosos do mundo. No júri, estavam, entre outros, Kurt Rosenwinkel e John McLaughlin, que ficaram fascinados pelo talento do Pedro Martins.

Apenas um brasileiro tinha conquistado o prêmio antes, o paulista Leandro Pellegrino. O prêmio contribuiu para que a carreira de Pedro deslanchasse. Ele se apresentou novamente em 2016 e em 2019 no Festival de Montreux. E, hoje, ele se divide entre shows na França, Alemanha, nos Estados Unidos e estadas breves na casa dos pais, em Brasília, no Gama.

Ele é um multi-instrumentista, toca guitarra, teclado, baixo, bateria percussão e flauta. Já tocou com Milton Nascimento, Leny Andrade, Rita Ribeiro, Paulinho Moska, Ellen Oléria e Hamilton de Holanda, entre outros. Não esconde a influência da música dos mineiros do Clube da Esquina, Beto Guedes, Lô Borges e Toninho Horta.

Começou fazendo percursão com as panelas da cozinha. Passou para o violão. Mas, aos 11, teve a primeira banda de rock, Fator RH. Com 13 anos, participou do primeiro festival de jazz no Teatro da Caixa, e tocou com um dos seus ídolos, Hermeto Paschoal. Aos 18, lançou o primeiro disco, Sonhando Alto, de nove faixas, na Sala Cássia Eller da Funarte. (Vídeo)
Pedro era, praticamente, desconhecido até Montreux. Só conseguiu ir ao festival, pela primeira vez, graças a um programa do FAC, Fundo de Apoio à Cultura, que a secretaria de Cultura e Economia Criativa quer descontinuar. É a cultura que dignifica Brasília.

(*) Severino Francisco – Colunista do Correio Braziliense – Foto:Divulgação/Ilustração: Blog - Google


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