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Operação apura esquema de trabalho escravo em comunidade religiosa no DF

Foto: Auditores Fiscais do Trabalho

Operação apura esquema de trabalho escravo em comunidade religiosa no DF - Ação foi realizada em conjunto: cinco órgãos públicos atuam no caso

Uma operação interinstitucional, entre auditores fiscais do trabalho, o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Civil do Distrito Federal, o Conselho Tutelar do Gama e a Subsecretaria de Políticas para Crianças e Adolescentes da Secretaria de Justiça e Cidadania do DF, foi deflagrada, nesta manhã (7), no Gama, Distrito Federal. A ação integrada ocorreu na sede da Igreja Adventista Remanescente de Laodiceia e teve como objetivo apurar a prática de submissão de pessoas a condições análogas às de escravo. A operação conta com o apoio da DOA - Divisão de operações Aérea e DOE- Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil.

Investigações conduzidas pela 20ª Delegacia da Polícia Civil apontam que a líder da seita religiosa, Ana Vindoura Dias Luz, e alguns dos seus obreiros vêm, reiteradamente, cometendo atos em relação aos seus fiéis que podem se enquadrar na prática de trabalho escravo. Contabiliza-se que o total de vítimas alcance 200 a 300 pessoas.

A pedido do Ministério Público Federal no Distrito Federal, o juiz federal Ricardo Leite expediu mandados de busca e apreensão em favor de agentes policiais que vêm conduzindo investigações sobre o caso.

O objetivo da ação interinstitucional, que contou com reuniões prévias para acertar os detalhes, consiste em colher provas acerca das denúncias já feitas, esclarecer detalhes sobre os crimes praticados a partir de depoimentos e outras medidas de apuração, bem como resgatar pessoas que estejam com a liberdade de locomoção cerceada ou submetidas ao regime de trabalho escravo.

No pedido enviado à Justiça, o Ministério Público Federal explica que denúncias noticiando a prática de possíveis crimes na comunidade religiosa começaram a ser entregues a órgãos públicos ainda em 2016. As investigações, no entanto, não avançavam por falta de provas, dado o temor das vítimas diante de represálias que Ana Vindoura poderia submetê-las. O caso tomou novos rumos quando, ao final de 2018, uma moradora da comunidade conseguiu ser libertada pela Polícia Civil do DF. Com a prisão da líder e a divulgação do fato, outras pessoas sentiram-se encorajadas e passaram a denunciar as ilegalidades.

As apurações revelaram que a líder da seita e alguns de seus obreiros, sob a justificativa de garantir a entrada dos fiéis no reino dos céus e a salvação de suas almas, vêm obrigando as vítimas a trabalharem sem receber qualquer pagamento. Os relatos dão conta de que os fiéis trabalham vendendo pães e livros na cidade.

Por fim, dada a emergência e a gravidade das condutas ali praticadas, o MPF solicitou autorização para que o mandado de busca e apreensão fosse cumprido pela Polícia Civil do DF – órgão que iniciou e aprofundou boa parte das investigações -, apesar da natureza federal conferida ao crime de trabalho escravo



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