O novo som das batucadas
*Por
Circe Cunha
Durante
esse carnaval, foram registradas, em todo o país, manifestações de protestos
contra o governo Bolsonaro. As oposições aproveitaram a festa popular de Momo
para fazer chegar ao presidente seu grito de guerra, na tentativa de dizer que
não morreu. Teve de tudo, brigas, xingamentos, desfiles com temáticas
políticas, ameaças e todo o tipo de reivindicação, bem ao estilo oportunista
das esquerdas.
Nem mesmo
a igreja ficou a salvo das críticas, com o próprio Cristo sendo,
alegoricamente, torturado em pleno desfile. Pesaram nessas reclamações ainda, a
recomendação do governo federal para que os estados evitassem, ao máximo, a
utilização do dinheiro público para bancar essas festas. O dinheiro anda curto
e existe prioridade indiscutível.
As redes
sociais, hoje a grande responsável por erguer ou derrotar governos num click,
compartilhavam, em tempo real, o que acontecia na folia. Através desse novo
medidor da temperatura política e social das ruas é possível colher informações
sobre o que é reivindicação justa e procedente e separá-la daquelas feitas
apenas por revanchismo político. As chamadas hashtags, espalhadas pelas redes,
providenciavam o grito de guerra contra o novo governo.
De toda a
forma, o que se pode concluir a priori é que o carnaval mudou, está bem mais
politizado e menos alienado. Sendo uma festa do povo, feita hoje
predominantemente nas ruas, o carnaval é sem dúvida uma festa democrática. Para
aqueles que ficam permanentemente de plantão esperando uma oportunidade para
agir, os blocos representam agora os locais certos para implantar movimentos de
protestos escondidos sob o pretexto de alegoria ou fantasias. As máscaras
representando o ex-presidente Lula foram vistas em boa quantidade. Através
delas podia-se ouvir o apelo pela libertação do presidiário.
Mesmo as
marchinhas mudaram e foram substituídas por músicas com críticas ao governo ou
de louvor ao antigo presidente. Do alto de trios elétricos, artistas
conhecidos, pela assiduidade com que obtinham recursos da Lei Rouanet,
aproveitaram também a chance única para malhar o governo, acusando de ser
contra a cultura popular.
Oficialmente,
o ano começa em todo o país nessa quarta-feira, ou mais precisamente, na
próxima segunda-feira ou terça-feira, com o retorno dos políticos à capital.
Até lá, o governo terá tempo de aferir esses protestos momescos e retirar deles
o que realmente importa para afinar sua gestão às necessidades da população.
Com o
calar das batucadas é preciso agora apurar a audição para entender os recados
vindos das ruas, neles estão, com certeza, dicas para a reorientação de rumos.
Aquele que tem ouvidos para ouvir, que ouça!
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A frase
que não foi pronunciada: “As vozes
roucas das ruas não são tão roucas nas mídias sociais.” (Filósofo
de Mondubim)
Abandono
total: Vicente Pires é uma das melhores ilustrações para exemplificar como
agem os especuladores imobiliários. Completamente abandonada, a bela região
sofre, desde que nasceu, com a falta de asfalto e infraestrutura em geral.
Agora a dúvida é se a área reservada para um parque também será cercada para a
especulação. É um descaso total com a população.
Conhecer: Ribamar
Araújo, nascido em Brasília, resolveu divulgar a fauna do cerrado para a
criançada. Além do sucesso do gibi “A turma do cerrado”, a satisfação do autor
e equipe é a de estarem participando para o conhecimento e valorização do que é
da região. A Secretaria de Educação precisa abastecer as bibliotecas com essa
realidade.
Boa
pauta: Em plena terça-feira de Carnaval, lá estava, convidado pelo maestro
Eldom Soares, o mestre-maestro Emílio de Cesar, transmitindo sua experiência
para os três grupos (Ad Infinitum, Coral Adventista e Supremo Encanto), que vão
acompanhar o concerto dos 40 anos da OSTNCS, no dia 12 de março, na Escola de
Música, às 20h, com entrada franca. Repertório complexo, o Chorus nº10 de Villa
Lobos merece toda concentração.
Responda,
se puder: Isabela Minatel, pedagoga, em uma palestra, perguntou: Estamos
fazendo curso de humanização de atendimento, humanização de parto, humanização
da saúde. A gente virou o que? Para ter que fazer curso para humanizar?
(*) Circe
Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Foto: Gabriel Monteiro – Agência O Globo -
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Brasiliense
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