A boa energia da Asa Norte - Parque Olhos D'Água oferece opções variadas
para quem quer viver bem e melhor. Da contemplação da natureza à prática de
exercícios
*Por Renata Nagashima, Natália Ferreira
Brasilienses adotaram o Parque Olhos D'Água como um espaço de
relaxamento e de qualidade de vida
Um pontinho verde no fim da Asa Norte, o Parque Olhos D’Água é um
refúgio da correria do dia a dia. Há árvores e uma lagoa que sugerem um pouco
de paz aos que buscam um refúgio natural. A reserva oferece aos visitantes
trilhas bem calçadas, relógio do sol e áreas para contemplação, além de servir
de palco para diversas atividades culturais, desde espetáculos teatrais e
musicais até programações mais alternativas, como encontros de ioga, tai chi
chuan ou meditação.
A área arborizada influencia positivamente quem mora próximo à
localidade. O aposentado Marcos Pinheiro, 74 anos, não precisa nem sair de casa
para apreciar a natureza. “Da janela do meu apartamento, vejo a paisagem. Isso
me incentiva a frequentar a área e a permanecer nessa quadra. Moradores das
outras áreas da Asa Norte também frequentam aqui. As pessoas são conscientes e
conservam o parque”, conta.
Marcos Pinheiro e a família: Nós, moradores, criamos uma associação da
vizinhança e há anos cuidamos do espaço
Elaine Aparecida: Venho aqui de três a quatro vezes por semana para
tomar sol, praticar ioga e caminhar
O aposentado relembra os momentos que contribuíram para o
desenvolvimento do parque. “Nós, moradores, criamos uma associação da
vizinhança e, há anos, cuidamos do espaço. Acompanhamos o progresso, por isso o
hábito de vir aqui é tão significativo”, ressalta.
Marcos, acompanhado pelos netos Pedro Afonso, 8, e Arthur Pinheiro, 4,
conta que a intenção é de passar esse costume para os pequenos. “Por aqui,
circulam pessoas de todas as idades. É possível que todo mundo se divirta
junto. Esse parque é aconchegante, muito rico em vegetação e seguro, também.
Então, as pessoas sentem-se à vontade e acolhidas.”
Há quem goste tanto do parque que quase diariamente marca presença no
local. A servidora pública Elaine Aparecida, 46, mora perto e tem o espaço como
opção para quebrar a rotina de trabalho. “Venho aqui de três a quatro vezes por
semana para tomar sol, praticar ioga e caminhar. Aqui, tenho contato com a
natureza e me sinto segura, pois não passam veículos”, conta.
O administrador do parque, Edeon Vaz, também mora na Asa Norte e
reconhece a importância da área para a população. “O parque tem a função de
preservar o meio ambiente e integrar as pessoas. Além de incentivar a saúde
física, com a disponibilidade de áreas próprias para a prática de exercícios,
também é propício para restaurar a saúde mental e cultivar o espiritual. Os
frequentadores são respeitosos e não julgam as práticas religiosas feitas
aqui”, ressalta.
A famosa Lagoa do Sapo chama a atenção de crianças e adultos. Um espaço
de contemplação abastecido por diversas nascentes
Diversidade
Diferenciado pela imensa biodiversidade que abriga, o Olhos D’Água é um
parque público, ecológico e de lazer que possui 21 hectares. Queridinho dos
moradores da Asa Norte, é possível encontrar peixes, aves, anfíbios, répteis,
invertebrados e pequenos mamíferos, além da rica e bela flora. A Lagoa do Sapo
chama a atenção de crianças e de adultos que param para contemplar o lago
abastecido por diversas nascentes.
Além do amor pela natureza, os três amigos Tatiana Lacerda, 35, Renato
Cavalcante, 30, e Diracy Lacerda Cavalcante, 36, têm em comum o desejo de criar
os filhos brincando ao ar livre. Durante um piquenique no Parque Olhos D’Água,
eles aproveitam para contemplar o espaço e conversar, enquanto os pequenos se
divertem.
A revisora de textos Tatiana, atualmente moradora da Asa Sul, conta que
conheceu o espaço quando residiu na Asa Norte. Durante esse período, visitava o
parque diariamente. Entretanto, por causa da distância, a frequência diminuiu
depois que se mudou com o marido. Mas o nascimento da filha, Carolina Lacerda,
10 meses, despertou a necessidade de fazer com que a pequena tivesse contato
com a natureza, o que a fez retomar as visitas diárias ao Olhos D’água.
“Eu sempre tive um carinho muito grande por esse parque. E como perto de
onde eu moro não encontramos um com a mesma qualidade, opto por sair da Asa Sul
para trazer minha filha quase todos os dias. Com certeza, quero passar para a
minha filha esse gosto pela natureza. Cresci assim. Quero que ela cresça assim,
acostumada com terra. Acho que é muito importante”, destaca Tatiana.
O geólogo Renato Cavalcante, que acompanha a filha Violeta Cavalcante,
1, brincando no parquinho e correndo pelo gramado, não teve dúvidas de onde
moraria quando visitou um apartamento na região, próximo à reserva. “Esse
parque proporciona uma qualidade de vida inigualável. Sem falar que é um dos
mais aconchegantes e faz toda a diferença na região.”
Diracy, mãe do pequeno Davi Cavalcante, 9 meses, sempre morou perto do
parque, e afirma não trocar a localização por nada. “Adoro essa região e trago
meu filho sempre que possível. O Davi ama. Mesmo quando está cansadinho, ele
fica tranquilo e até dorme”, conta.
Melhorias
Apesar dos elogios, a mãe de Caroline, Tatiana, sugere melhorias na
infraestrutura do local. “Falta um fraldário para trocar as crianças e banheiro
adaptado para a entrada de carrinhos de bebê”, conta. De acordo com o
administrador do parque, Edeon Vaz, existe um quarto com balcão de pedra para
que os pais troquem os bebês, mas, com a pouca utilização, virou depósito de
colchões. “A sugestão é válida e fácil de resolver. Podemos reativar o espaço”,
afirma.
Sobre as portas apropriadas para a entrada de cadeirantes e carrinhos de
bebês, Edeon confirma que existe a necessidade. “Os banheiros são antigos, por
isso não são adaptados para esses grupos de pessoas. Certamente essa demanda
será adicionada ao projeto futuro”, conta.
Ronda motorizada
De acordo com o administrador do parque, o local não tem problemas de
falta de segurança, mas ela deve ser reforçada mesmo assim. “A Polícia Militar
cuida do policiamento, mas o plano é colocar uma ronda motorizada para reforçar
o monitoramento. E a abertura do Módulo 2 do parque também está no
planejamento
para os próximos meses.
Tatiana Lacerda e familiares: Quero passar para minha filha esse gosto
pela natureza. Cresci assim
Linha do tempo -1994: O Parque Olhos D’Água é criado pelo
ex-governador Joaquim Roriz, na 413/414 Norte.1995, Moradores da Asa Norte
acionam o Ministério Público para que os terrenos das nascentes da 212/213
Norte recebam a mesma proteção do parque. 2000, A área das nascentes
é adquirida por um empresário, por meio de licitação da Terracap. 2009, Moradores
da Asa Norte fazem um abaixo-assinado para que a área não seja ocupada por
empreendimentos. 2010, O Ministério Público recomenda à Administração
Regional de Brasília não emitir alvará para obras. 2011, Moradores da
Asa Norte realizam um protesto para barrar futuras obras na
área. 2012, A área verde situada na Entrequadra 212/213 Norte passa a
fazer parte definitivamente do parque. Com a inclusão, o Olhos D’Água tem a área expandida em 30%,
passando de 21 para 28 hectares. 2013, O Ministério Público
recomenda, por meio de um Termo de Ajuste de Conduta, a adequação da
rede, de águas pluviais para que danos ambientais sejam minimizados
no córrego da região. 2017, Moradores da Asa Norte reclamam da
falta de instrumentos públicos para uso da área, como trilhas e
ciclovias.
(*) Renata Nagashima*, Natália Ferreira*- *Estagiárias
sob supervisão de José Carlos Vieira – Fotos: Ana Rayssa/CB/D.A.Press – Correio
Braziliense
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UTILIDADE PÚBLICA


Bardzo ciekawie napisane. Fajny artykuł.
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