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Vans: A volta dos que não foram



Bastou a última grande parada dos transportes públicos do Distrito Federal para os brasilienses se darem conta de que as vans piratas estão mais vivas do que nunca. Na greve deflagrada em 8 de junho pelos 12 mil rodoviários sob o comando do sindicato da categoria, mais de 1 milhão de passageiros de todas as regiões administrativas do DF ficaram a pé. Pelas características próprias da capital, a maioria dos bairros fora do Plano Piloto estão situados a grandes distâncias do centro. 

Por essa razão e na tentativa de não perder um dia de trabalho, principalmente numa época em que os empregos estão cada dia mais escassos, os passageiros acabam por se submeter a qualquer situação, mesmo colocando a própria vida em risco para chegar ao local de trabalho ou mesmo para retornar ao lar no fim do dia. 

Conscientes da fragilidade da população, os sindicatos em conluio disfarçados com os donos das empresas, não se fazem de rogados quando o assunto é aumento dos lucros. Curiosamente, a categoria dos rodoviários pertence ao mesmo estamento social das pessoas que utilizam os transportes públicos. Aumento nas tarifas dos ônibus tem o mesmo impacto econômico no bolso do motorista ou do balconista.

A CPI instalada na Câmara Legislativa para investigar a licitação que renovou a frota de ônibus na cidade em 2012, como a maioria das comissões de inquérito daquela casa, não pode ser levada a sério, muito menos a discussão que agora se inicia sobre possível retorno das vans às ruas da capital.

Disfarçada sob o nome de Transporte Complementar de Passageiros, a reintrodução das vans enraivecidas representaria retrocesso imenso no modal de transporte dos brasilienses e confissão clara e definitiva da falência do sistema público de mobilidade urbana de Brasília. Permanecem na memória da cidade, principalmente dos familiares, as dezenas de passageiros mortos em acidentes provocados pelas vans no DF durante o período em que os “ases” do volante voavam velozes pelas ruas.

A frase que não pronunciada 
“Tem coisa que só sai da gente por escrito.”
(Li por aí)
Fonte: Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense


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