Estudos divulgados ontem pelos dois órgãos federais mais
bem-equipados para o monitoramento da situação econômica do país, o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Fundação Getulio Vargas (FGV),
revelam que tem aumentado e vai crescer mais ainda uma das contas mais perversas
da crise empurradas à população: o desemprego.
Já se
sabia que os equívocos na condução da política econômica do primeiro governo de
Dilma Rousseff levariam o país a período de ajustes e recessão com inflação.
Especialistas alertavam para o perigo de que não fossem poupados os empregos,
que, nos últimos anos, garantiram a milhões de pessoas o acesso ao consumo.
O que não
se esperava é que a chaga do desemprego fosse aberta tão rápida e tão
profundamente. Ao fim dos primeiros cinco meses do segundo mandato de Dilma
Rousseff, o desemprego deixou de ser ameaça e tornou-se realidade assombrosa
para milhares de trabalhadores.
A
Pesquisa Mensal de Emprego (PME), tradicional levantamento mensal realizado
pelo IBGE nas seis maiores regiões metropolitanas do país, registrou, no mês
passado, mais um aumento na taxa de desemprego, que passou de 6,4% para 6,7%.
entre abril e maio. É a taxa mais alta para o período desde 2010, quando a
economia ainda refletia a recessão do ano anterior, pico da crise financeira
internacional.
Essa taxa
foi de 4,3%, em dezembro de 2014, mas vem crescendo rapidamente desde o início
de 2015. Segundo os técnicos do IBGE, a deterioração do emprego é resultado do
confronto entre o aumento do número de pessoas que passaram a procurar emprego
— em parte, por causa da redução da renda real das famílias — e a baixa
abertura de vagas. Essa conclusão é coerente com os últimos dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e
Emprego, que apontou perda acumulada de 115 mil empregos formais de janeiro a
maio.
Consequência
imediata do quadro recessivo do emprego é a queda no valor da remuneração média
do trabalho no país. Quebrando a curva ascendente de anos anteriores, quando as
empresas temiam apagão de mão de obra, a renda média do trabalho caiu este ano
5% em termos reais em comparação com os salários pagos em 2014.
E não há
como acreditar na tentativa de membros do governo de vender expectativas
otimistas para o segundo semestre. Pelo contrário, tudo indica que o mal ainda
não passou e que a tradicional recuperação dos níveis de emprego, nos últimos
quatro ou cinco meses do ano, não se repetirá em 2015. O Instituto Brasileiro
de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) acaba de rever a estimativa
para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, aumentando a
queda de 1,5% para 1,8%.
Os
economistas do Ibre calculam que o PIB recuou 1,6% entre abril e junho em
relação ao trimestre anterior. Apontam estagnação da confiança dos consumidores
e dos empresários e o aperto na política monetária do Banco Central como
fatores contrários à recuperação do ritmo da atividade econômica ainda em 2015.
Vítimas de propaganda enganosa na campanha eleitoral, o que as famílias
precisam, agora, é de orientação correta para melhor enfrentar a realidade.
Fonte: Visão do Correio Braziliense

