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PIONEIRISMO » Imagens e histórias da capital

Documentário que será exibido hoje, na Câmara Legislativa, conta a vida e a obra de Mário Fontenelle, o primeiro fotógrafo oficial de Brasília. Livro lançado ontem no Teatro Nacional é a edição mais completa sobre o surgimento da cidade

“A palavra mais eloquente do Mário foi o clique da máquina fotográfica”, disse o cineasta Pedro Jorge Castro, enquanto explicava os detalhes do documentário A oração silenciosa, sobre a vida e a obra do piauiense Mário Fontenelle, considerado o primeiro fotógrafo oficial de Brasília. O resultado do trabalho, que levou um ano para ser concluído, poderá ser conferido pelo brasiliense hoje, em cerimônia aberta na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Na ocasião, será oferecido ao fotógrafo o título de Cidadão Honorário de Brasília, em homenagem post mortem.

Aproximadamente 4 mil imagens foram analisadas até Pedro Jorge conseguir a exatidão esperada para contar a história de Mário Fontenelle. Quase todas estão armazenadas no Arquivo Público do DF. “Tem muita coisa ali. Os retratos foram captados enquanto o Mário trabalhava na Novacap”, contou.

Hotéis e restaurantes abrigam imagens marcantes do fotógrafo. O esqueleto da Esplanada, canteiros de obras cheios de candangos, terra vermelha, acampamentos no Núcleo Bandeirante etc. Para registrar a capital de maneiras tão diferentes, garante Pedro Jorge, o fotógrafo saía de casa sem rumo. Eventualmente, dormia ao relento. “Assim, ele garantiu bons retratos, imortalizados e reconhecidos hoje em dia.”

O cruzamento do Eixo Monumental com o Eixo Rodoviário, o Eixão, ainda sem edificações em volta, formando claramente o sinal da cruz projetado por Lucio Costa, está entre os registros do famoso fotógrafo. “Famoso por aqui. Na cidade dele, Parnaíba (PI), não existe nada que o homenageie, falando que ele nasceu ali”, observa Pedro Jorge, emendando, “se bem que o reconhecimento não era uma de suas vaidades”.

Com visão privilegiada do poder, trabalhando ao lado de figurões eternizados na história, Mário teria começado a carreira de fotógrafo, segundo antropólogos e pesquisadores, por intermédio do presidente Juscelino Kubitschek, de quem ganhou a primeira máquina. “Não é uma coisa simples. Trata-se de algo único, que, pela raridade, ganhou poder”, acredita o professor de comunicação da Universidade de Brasília (UnB) Duda Bentes. Segundo ele, são obras cujo valor está na preservação e na memória. “O que foi feito não pode se repetir. Além de casualidade da construção da capital, existe um olhar único nas fotos. Isso se tornou uma marca registrada”, garantiu. 

Mário Fontenelle captou imagens da nova capital entre 1957 e 1985. Morreu em 1986, no Hospital de Base. A única filha dele, Sandra Sybila Fontenelle, 51 anos, não se interessou pelo legado do pai, segundo Pedro Jorge. “Mas não sei detalhes”, acrescentou. Outras pessoas que o conheceram também falaram pouco de relação familiar. “Ela teve uma vida de muita batalha. Nessas horas, o pai de família se torna ausente. Imagino que ele deve ter tido dificuldade para administrar esse campo”, disse o professor Duda Bentes.

Uma das grandes novidades do documentário A oração silenciosa é a origem do fotógrafo, que teria recebido da Igreja o sobrenome Fontenelle. “Encontramos registros de que ele era fruto de um relacionamento ‘ilegítimo’. Portanto, preferiram, à época, que ele carregasse o sobrenome dos padrinhos”, explicou Pedro Jorge.

A exposição mostra ao mundo a beleza de Brasília, o arrojo que foi a construção de uma cidade que, muito cedo, foi reconhecida como patrimônio cultural da humanidade. É uma alegria receber 200 livros para serem usufruidos pela rede pública. Os estudantes poderão, por meio da arte, conhecer e gostar cada vez mais da nossa cidade”
Rodrigo Rollemberg, governador do DF

Lançamento
O documentário Mário Fontenelle — A oração silenciosa será lançado hoje no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), às 19h. A cerimônia, conduzida pela presidente da Casa, Celina Leão, é aberta ao público.

Brasília 55 anos



Depois de quase dois meses, chega ao fim a exposição Brasília 55 anos — da utopia à capital. Para marcar esse momento, uma solenidade, na noite de ontem, na Galeria Athos Bulcão, no Teatro Nacional, homenageou personagens importantes para a construção desse projeto. Entre elas, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (C); o vice-presidente executivo do Correio Braziliense, Evaristo de Oliveira (E); e a diretora de redação do Correio, Ana Dubeux (D). Durante o evento, um dos idealizadores do projeto, o jornalista Silvestre Gorgulho, formalizou a entrega de 200 livros sobre a história da capital federal para a Secretaria de Educação do Distrito Federal. Os exemplares serão distribuídos em escolas públicas. “Esta é uma das edições mais completas da história de Brasília. Muitas fotos históricas, muitas da Missão Cruls, por exemplo, ou  seja, é uma edição maravilhosa, com uma cronologia ímpar, de referências desde 1751, quando a capital ainda nem tinha localização e endereço certos”, explicou Evaristo de Oliveira. Ao todo, a exposição recebeu mais de 7 mil visitantes e outros 3 mil alunos de escolas do DF. A mostra rodou o mundo e encerrou a temporada em Brasília. Mas já recebeu convite para outras duas cidades: Rio de Janeiro e São Paulo.

Homenagem a Campos da Paz

Campos da Paz morreu em janeiro

Sepúlveda Pertence, a viúva Elsita Coelho, José Sarney, Cristovam Buarque e Lúcia Braga no plenário

Em sessão especial no Plenário do Senado Federal, a Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação e o fundador da instituição, o médico Aloysio Campos da Paz Júnior, que morreu em janeiro último, foram homenageados na tarde de ontem. Os parlamentares exaltaram o pioneiro, primeiro presidente da Rede Sarah, cuja atuação fez a instituição obter reconhecimento internacional.

De acordo com o senador Wellington Fagundes (PR-MT), autor do requerimento, Campos da Paz criou um modelo de assistência médica pública de qualidade. “Ele fez um trabalho exemplar, realizado com absoluta seriedade, tecnologia e fundamental dose de humanismo”, explicou.

A presidente da Rede Sarah, Lúcia Braga, disse que Campos da Paz inovou na prática da medicina. “Instituiu-se um modelo diferente, que funciona porque vê o paciente como primeira pessoa, caso por caso”, lembrou.

Para a senadora Ana Amélia (PP-RS), o Sarah é um exemplo a ser seguido. “Gostaria que o imposto que eu pago fosse aplicado sempre dessa forma. Falo como contribuinte: teríamos muito orgulho se toda instituição pública fosse como a Rede Sarah.”

A sessão comemorou o aniversário de 55 anos de inauguração do Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek. Campos da Paz morreu em 25 de janeiro, após sofrer insuficiência respiratória enquanto trabalhava em um dos hospitais da rede.

Fonte: Bernardo Bittar – Correio Braziliense 

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