O seu partido,
o PDT, tem discutido o desembarque do governo Rollemberg. Qual é a sua posição
em relação a esse assunto?
Minha
posição é a mesma que sempre tive na política. Penso que um governante deve ter
a liberdade de escolher os melhores para servir à população independentemente
de filiação partidária ou de indicações políticas. Não concordo com essa coisa
de partidos e parlamentares ficarem exigindo que se nomeie A ou B. O PDT
deveria não ter cargos no governo e ter uma postura a favor da população,
elogiando o que estivesse correto e criticando o que estivesse errado, assim
como eu faço. O ponto não deveria ser estar ou não aliado de um governo, mas
ser aliado da população. Defender o que é bom para o contribuinte.
Está desapontado com o governador Rodrigo Rollemberg?
Tenho
responsabilidade na eleição do Rodrigo. E quero que ele acorde e faça o governo
melhorar, que é o que todos queremos. Estamos perdendo uma chance talvez única
de termos um governo que mude o DF e introduza um novo modelo de administração
pública. Não sou aquela pessoa que, quando fica triste ou chateada com o outro,
esquece as virtudes dele. Continuo achando o Rodrigo uma pessoa honesta e de
bem. Mas o governo está indo mal. E, para o que eu sonhava, muito mal. A única
coisa que pedi foi que o programa de governo da campanha fosse honrado. Não
pedi nada para mim. O descumprimento de compromissos constantes do programa de
governo oferecido à população me irrita muito.
Acha que com apenas seis meses da posse já é possível uma
avaliação sobre o desempenho do governo?
Não.
Inclusive porque ainda sonho que o governo melhore.
Você reclama de que o governador não cumpriu o compromisso de
isentar de impostos os medicamentos. Mas acha que, com essa crise financeira,
seria possível conceder esse benefício agora?
Isso é
uma das coisas que mais me revolta. Outros parlamentares pedem cargos. Não pedi
nada para mim, pedi algo para a população. Pedi que o governo honre algo com
que se comprometeu na campanha, que devolva para o consumidor os impostos sobre
remédios através do programa Nota Legal. Se tivesse sido adotado em primeiro de
janeiro, isso só seria devolvido ao consumidor no Nota Legal de 2016. Qual o
impacto este ano? Nenhum. Não fez porque não quis. Mas digo uma coisa, vai ter
que fazer, porque vou ser muito chato com isso, vou falar isso em toda
entrevista, em toda palestra que dou, vou perturbar. O Rodrigo vai ficar
chateado comigo, mas a população vai receber o ICMS de volta dos remédios.
Onde é preciso melhorar no governo?
Não
aceito esse aumento de impostos também. Na campanha, o compromisso era não
aumentar impostos acima da inflação. O governo tem que ser mais eficiente,
qualificar melhor o seu gasto, cortar várias despesas e não descontar no
contribuinte aumentando impostos. Na relação política, para ser nova política,
os parlamentares teriam que participar do governo com ideias e projetos para a sociedade,
e não através de cargos. O governo executa e reconhece a ideia do parlamentar.
Isso é política. E não cargos e cargos. Se tem cargo, apoia. Se não tem, não
apoia. Ele perdeu a chance de introduzir um novo tipo de relação política. Se
tem um lugar do Brasil que poderia experimentar um novo tipo de relação, esse
lugar era o DF, onde as pessoas são mais informadas, mais politizadas.
Poderíamos ter aqui um governo que fosse exemplo para o Brasil.
Pode fazer uma autoavaliação? Você está cumprindo seus
compromissos no Senado?
Estou
honrando, como fiz como distrital e federal, ponto por ponto do que escrevi no
meu panfleto de campanha. Os cortes que fiz no meu gabinete no primeiro dia do
mandato, todos em caráter irrevogável, geraram uma economia direta aos cofres
públicos de R$ 16,7 milhões. Não é pouca coisa. E isso é dinheiro público,
dinheiro de todos nós. Mas meu compromisso é mais do que só economizar…
O que mais?
Apresentei
oito PECs. Sete sobre a reforma política e a que proíbe a tributação sobre
remédios no Brasil. Minhas emendas ao orçamento foram para as áreas das quais a
população mais precisa. Coloquei recursos para a compra de remédios para os
hospitais públicos do DF e para a construção de escolas de tempo integral, por
exemplo. Mesmo não sendo a orientação do meu partido, assinei as CPIs da
Petrobras, do BNDES e dos Fundos de Pensão. Tenho votado com a minha
consciência e respeitando sempre o meu eleitor. Votei contra o aporte de mais
R$ 30 bi do Tesouro para o BNDES. Sou um dos poucos que têm 100% de presença.
Apresentei vários projetos, incluindo o que proíbe que o BNDES financie
projetos no exterior e gaste o dinheiro do contribuinte brasileiro fora do
Brasil. Tenho feito a minha parte e honrado o compromisso com quem votou em mim.
Fonte: Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” – Correio Braziliense
