Representante da geração Brasília e com larga experiência na
gestão pública, a primeira-dama do Distrito Federal aposta no diálogo para o
governo vencer as dificuldades. Ela diz que a saúde deve ser prioridade
Menina, na década de 1960, gritava nos corredores vazios do
Minhocão para ouvir ressoar o eco da própria voz. A arquitetura moderna era o
playground das crianças pioneiras. Casou-se com outro menino-candango e virou
primeira-dama da cidade que viu crescer. Márcia Rollemberg não caiu de
para-quedas no Palácio do Buriti. Ela vem de um longo percurso de atividades
executivas no governo federal — “sempre com uma abordagem histórica da
política”. Com a prática da gestão pública, desenvolveu a ponderação, o
diálogo, a capacidade de escuta. “No Brasil, nesse momento de muita
intolerância, a gente tem de mudar o modo de enfrentar os problemas. O caminho
é o diálogo. Mesmo com posições diferentes, às vezes é melhor escolher o
caminho do meio. Ter calma e o discernimento de que a gente não vai dar solução
a tudo. A gente precisa desempenhar bem o nosso papel e saber que não vai dar
solução a tudo. De qualquer forma, haverá frustração.”
Por
ser um pessoa de reconhecida eficiência na gestão pública, Márcia Rollemberg
vive uma situação delicada, a de muitas vezes atribuírem a ela uma influência
determinante sobre o governador. “Como tenho essa posição de referência, há uma
grande demanda de pessoas que querem ser ouvidas, de projetos a serem
apresentados”. É o que a primeira-dama mais tem feito, ouvir e aprender como se
dão as relações de poder em Brasília, uma grande novidade para ela. “É
delicado”, ela resume, para não ferir suscetibilidades.
Como
uma brasiliense típica, Márcia chora quando vê alterações desespeitosas no
projeto de Lucio Costa. Mas aponta a área mais importante para a intervenção do
governo Rollemberg: a saúde. “É onde as pessoas chegam debilitadas, querendo
acolhimento. É uma área muito sensível. É a área mais delicada e de maior
desafio do governo”.
Rapidamente,
a primeira-dama percebeu que a cruz a carregar era muito maior do que foi capaz
de supor. “Eu não tinha noção de que as coisas estavam tão debilitadas, precárias.
Não imaginava que era tão grave.”
Ainda
assim, a família Rollemberg tenta tirar uns fins de semana, ou a metade de um
deles, para se reunir na fazenda com os três filhos e recuperar as forças. Para
na volta, Márcia continuar a fazer o que sabe: integrar os projetos, os
departamentos, as secretarias, e agora, o governo.
Com personalidade, opinião e
carreira próprias, na sua avaliação, qual deve ser o seu papel na gestão de seu
marido, Rodrigo Rollemberg?
Está
sendo um aprendizado. É uma coisa inédita. Nunca vivi esse papel de estar numa
posição de referência por conta do Rodrigo. Mesmo ele deputado ou senador,
sempre trabalhei muito. Quando ele era senador, eu era secretária de Cidadania
e Diversidade no Ministério da Cultura. Tive uma carreira na área federal, bem
devagar e crescente. Comecei com DAS 2, cheguei a um DAS 6, de maneira bem
gradual. Comecei no ministério da Saúde, depois fui para o Iphan, como
diretora, já era DAS 05, depois convidada por Ana de Holanda para o DAS 6.
Depois veio Marta Suplicy com quem criei uma empatia forte. Ela é uma gestora,
muito executiva. Gosto de trabalhar, de resultados, de dados, série histórica.
No
ministério da Cultura, foi um momento muito interessante porque ele estava como
senador e eu como secretária. Teve o rompimento do PSB com o governo da
presidente Dilma e permaneci.
O rompimento do PSB com o
governo Dilma não a abalou?
Não.
Porque eu estava no ministério (da Saúde) também quando o Rodrigo foi candidato
e o Serra era oposição, era PSDB. Sempre tive uma distância. Nunca me filiei ao
partido, talvez até por isso, para não ter uma confusão. Falava que meu partido
era a cidadania.
E agora longe da Esplanada?
Primeiro,
tenho que manter uma atividade. Continuo trabalhando, agora na Fundação João
Mangabeiras, ligada ao PSB, e começo a fazer uma imersão no partido que está me
posibilitando uma vivência muito especial. O PSB tem uma trajetória densa, de
intelectuais, de formadores. E ao mesmo tempo, estou tentando articular uma
agenda com essa posição de referência. É um trabalho de sensibilidade, delicado
porque, como não sou GDF, tenho que saber muito me posicionar. As pessoas vêem
em mim o GDF.
A sua figura se confunde com
a do governador?
Isso.
Como tenho essa posição de referência, há uma grande demanda de pessoas que
querem ser ouvidas, de projetos a serem apresentados. Tenho uma estrutura
pequena, com apenas duas funcionárias, um gabinete, para receber as pessoas.
Como sempre estive muito na esfera federal, agora estou fazendo uma imersão
também na cidade, como nunca fiz, de visitar projetos sociais. Sempre sou muito
curiosa, então, quero saber o que está acontecendo.
E no governo, qual é o seu
papel?
Acho
muito importante a questão de integrar políticas. Então, também no âmbito do
GDF, às vezes, há um chamado de integração de várias secretarias,
principalmente as sociais, em torno de pautas. A primeira pauta que bateu à
porta foi a questão da pessoa com deficiência. Recebi alguns grupos no Buriti e
ouvi deles: 'É a primeira vez que ocupamos esse espaço'. Também recebi um
pessoal da saúde mental e da acessibilidade. Um grande salto que pode ser dado
é a integração de secretarias.
Por causa de sua passagem no Ministério da Cultura, houve um sentimento na cidade de que você assumiria a secretaria de Cultura. Teve vontade de assumir um cargo?
Não sei
se na secretaria de Cultura. Embora eu tenha trabalhado muito tempo na Cultura,
sempre pensei em algo mais como projetos estratégicos. Sou uma pessoa que
“linco” muita coisa. Logo no início, a questão de ocupar um cargo veio à tona,
mas hoje acho muito delicado assumir uma função no governo como esposa. As
pessoas vão entender que também tenho uma competência específica? Também é
complicado um governador ter como secretária uma pessoa que não pode demitir.
(Risos) As pessoas ainda iriam achar que, como é esposa, tinha um certo
privilégio. Achei que tudo era muito confuso.
Como você enxerga Brasília
hoje?
Brasília
vive duas dimensões, a local e a nacional. Acho que isso traz um peso para a
cidade.
Brasília sente as duas crises?
Isso. Na
verdade, as duas crises ficam mais amplas quando se juntam. Brasília sente
muito. Ao mesmo tempo que pode ser fonte de inspiração para as coisas. Muitas
vezes, falo que o cidadão de Brasília precisa ser referência. Brinco muito com
a ideia de ser circuito capital, o quanto a cidade pode influir no circuito das
capitais do Brasil. E aí se pensar um pouco mais, temos 140 embaixadas, podemos
pensar em Brasília no circuito América Latina.
"Até tem pessoas que dizem que eu tenho perfil para ser parlamentar, ser candidata, mas não é uma coisa que me encante."
Você interfere
nas decisões do governo? Como é esse seu dia a dia em relação às secretarias,
às crises do governo?
Prefiro
sempre as pautas positivas. Mas participo e gosto de ouvir, de ajudar, integrar
uma secretaria com a outra. E nos momentos de maior dificuldade dou apoio ao
Rodrigo.
Todos falam que Rollemberg
ouve muito as suas ponderações. Ele desabafa sobre os problemas que enfrenta no
governo?
Desabafa
um pouco. Ele conversa, conta as dificuldades, pergunta a minha opinião. Sempre
sou uma pessoa muito ponderada, do diálogo. Acho que a gente tem que buscar o
bom senso. No Brasil, a gente tem que mudar um pouco esse momento de muita
intolerância e, em Brasília, principalmente. O diálogo, mesmo com posições
diferentes, é fundamental. Às vezes é melhor escolher o caminho do meio. Temos
que ter calma e discernimento de que não vamos dar solução a tudo. Precisamos
ter a clareza até para desempenhar bem o nosso papel porque, de qualquer forma,
haverá frustração. Não tem como dar conta da tudo e a solução da cidade também
não está numa pessoa.
E nem tão rápido, como muitos
cobram?
Nem tão
rápido e nem numa só pessoa. Na campanha do Rodrigo, a gente tinha uma marca:
cidade criação coletiva, cidade cidadão cidadania. Eu acredito muito nisso. Mas
acho que são valores que a gente precisa praticar.
A vida de governador é
extenuante? Rollemberg, na Câmara, Senado ou no Executivo, já exerceu atividade
tão pesada?
Não.
Nenhuma tão pesada. É o grande desafio dele.
A cruz é maior do que vocês
imaginaram?
Sim, é
maior. Eu não tinha noção de que as coisas estavam tão debilitadas, precárias.
Tinha noção que havia precariedade, mas não imaginava que seria tão grave. Por
exemplo, o setor de saúde, um dos que tenho proximidade política. Até organizar
o desabastecimento da rede, a falta de motivação das equipes, os espaços
precários... Não tem atenção básica. Tudo desemboca nos hospitais. No HRAN, que
tive mais proximidade ultimamente, na área de queimados, 60% das pessoas que
estão ali são de fora de Brasília. Na área de saúde, para organizar, para ter
efeito, temos que avançar na atenção básica.
Saúde é o maior nó?
A saúde é
o maior problema. O transporte é um problema? Sim. Mas a saúde é o maior
problema porque hoje é uma área de sofrimento. É onde as pessoas chegam
debilitadas, querendo acolhimento. É uma área muito sensível. É a área mais
delicada e de maior desafio do governo.
Mas você acha que
demora a avançar?
Agora
veio uma nova contratação na saúde. Essa questão da Lei de Responsabilidade
Fiscal também é uma coisa complicada. Precisamos ter concursados, mas não tem
como chamar. O governo está preso pela lei. Na área de saúde tem uma
excepcionalidade. O governo está convocando, então acredito que agora comece a
ter resultados. A área de contratos, para abastecimento, começa a sair. Também
começa a ter mais agilidade na área meio, que é mais emperrada. E há um
trabalho de motivação das equipes. No ministério, a gente dizia: temos que
cuidar de quem cuida. Cuidar do cuidador.
Tem essa questão da
intolerância no país. Acha que a população do DF passou a cobrar cedo demais?
As
pessoas vão cobrar e elas têm o direito de cobrar. As pessoas pagam impostos e
têm o direito de querer as coisas organizadas. Agora, é preciso explicar mais a
crise. Eu acho que é importante essa relação, até falo o conceito da política
de informação. Na saúde, a gente trabalhava muito com o conceito de informação,
educação e comunicação, como uma tríade. Qualquer política pública passa por
esses três pontos. Então, essa capacidade de comunicação, talvez, precise ser
ampliada. As rodas de conversa que foram uma característica da campanha, tem os
diálogos culturais, os diálogos dos direitos humanos. Isso está acontecendo. o Rodrigo
já começou as rodas de conversas. E não há uma intolerância. Onde a gente vai,
a frase que mais escuto é: 'Rodrigo, você pegou um pepino'. 'Meu filho, que
Deus te proteja. Estamos orando por você'. Há um sentido de que as pessoas
querem que a cidade dê certo. A intolerância que eu vejo é da cultura do que
está no país. Não é uma intolerância especifica ao governo do DF. O desafio
agora é mostrar o norte. Mostrar para onde vamos, a direção.
Talvez essa intolerância seja
mais no meio político e nas entidades empresariais…
Olha,
acho que nas entidades empresariais, não.
É mais no meio político?
Sim.
Existe a cultura da política na cidade que estou começando a conhecer agora.
Sempre vivi as campanhas, mas estou começando a conhecer agora a política.
Existe uma cultura na política da cidade que a gente precisa inovar, oxigenar
porque essa relação ainda é, no mínimo, delicada.
Para usar um termo mais leve…
São
aprendizados. Há uma dependência muito grande com a Câmara Legislativa que
talvez outros estados não tenham de maneira tão intensa. Então isso faz com que
a cidade transite de maneira diferenciada. Temos que trabalhar a questão das
administrações regionais.Temos que ampliar a participação, com eleição direta.
Mas como é o modelo? Temos de discutir isso. Mas o processo de participação
social no Brasil é uma coisa muito singular. Viajando por outros países, vemos
que não há tantos conselhos de participação popular. Temos de usar isso a favor
de Brasília.
O rompimento com as práticas
antigas é difícil?
Muito
difícil.
"Há, com a Câmara Legislativa, uma dependência muito grande que talvez outros estados não tenham de maneira tão intensa. Então isso faz com que a cidade transite de maneira diferenciada."
O governador
Rollemberg perde muito o sono com tantos problemas?
O Rodrigo
já é um madrugador. Tem vários na família que dormem pouco e acordam muito
cedo. Então, entre 5h30 e 6h, o Rodrigo está de pé. Sempre. Às vezes, eu
digo:“Fica mais um pouco. Hoje é domingo”. Mas ele sempre acorda cedo. Nos
momentos de mais crise, ele acorda mais cedo ainda. Às vezes, 4h30 da manhã.
Você sempre entrou nas
viagens dele, nos projetos dele, nas campanhas políticas?
Em 1990,
antes de o Rodrigo ser candidato, eu já tinha dois filhos e ele era funcionário
do Senado. Eu disse: “Não vamos ter mais filhos, né, Rodrigo?”. E ele disse: “
Eu não vou ser candidato”. Passou um mês, eu estava grávida e ele estava
candidato. Dali para frente ele engrenou numa carreira política e seguiu. Ele
sempre teve uma ligação com a política na universidade, no movimento estudantil,
depois no Senado, participou trabalhando com Jamil Haddad, com Saturnino Braga,
da refundação do PSB. Ele está no partido até antes do retorno do Miguel
Arraes. Quem mais sofreu nesse processo todo foi o filho mais novo. O Pedrinho
nasceu em 1990. Os outros dois tiveram uma infância com a gente muito presente,
indo para a fazenda.
Para você também a fazenda é
um refúgio?
Total. É
o local de recarga de baterias. É um local que temos há muito tempo.
Vocês têm ido sempre?
Sempre
que possível a gente dá uma escapadinha. Agora está mais difícil. A gente não
consegue mais passar o fim de semana, mas dorme um dia, vai embora logo depois
do almoço no outro dia. De vez em quando, dá uma fugida, vai com os meninos. Dá
um aconchego lá. Os meninos gostam muito. Somos muito família.
Rodrigo Rollemberg é de uma
família de políticos. Com tantos irmãos, por que ele seguiu esse passo?
Rodrigo
sempre foi uma pessoa com capacidade muito interessante de transitar entre as
pessoas, de relação pessoal. Ele tem uma inteligência emocional muito forte.
Depois foi o mergulho partidário no Senado que ele fez e no movimento
estudantil. Fizemos parte do movimento de defesa da Amazônia. Ele sempre gostou
da pauta política. Estudava História. Aceita as diferenças. Não leva para o
campo pessoal.
Talvez para ele seja mais fácil um parlamento do que enfrentar um Executivo em que a pessoa fica mais exposta a intolerância…
No
Executivo, ele esteve na Secretaria de Turismo. Foi um momento interessante.
Ele fez um trabalho muito de motivação de equipes. Pessoas daquela época até
hoje estão com ele. E a secretaria de Inclusão Social do Ministério da
Integração Nacional também foi muito importante. Mas o Executivo de Brasília é
como uma prefeitura também. É diferente, um aprendizado. E só aprende vivendo.
Então acho que ele vive o momento de maior aprendizado e desafio profissional.
Ele tem enfrentado com serenidade. No lugar dele, eu estaria muito mais ansiosa.
Você tem um temperamento
diferente?
Eu sou
serena, mas o Rodrigo está mais maduro para enfrentar porque ele vive nesse
mundo político. Eu sempre fui do Executivo, liderei equipes, lidei com
problemas, mas não da ordem que está dada agora. Embora na secretaria de
Inclusão e Diversidade (do Ministério da Cultura), eu tenha enfrentado também
uma terra arrasada. Quando cheguei, havia uma crise imensa no programa. Mas eu
trabalhava com coerência. Dizia: “Olha, não estou aqui para fazer milagre. Não
sou mágica". Eu dizia que a gente faria o que fosse possível, com diálogo
olho no olho, trabalhando com dados. É importante porque contra fatos não há
boatos.
Acha que a Marta Suplicy vai
mesmo para o PSB?
Acho que
sim.
Quando ela for, você também
irá?
Eu ainda
estou resistente a filiação partidária porque acabo ficando isenta, não sendo
do partido.
Você não gosta ou acha que
não é a sua praia?
Até tem
pessoas que dizem que eu tenho perfil para ser parlamentar, ser candidata, mas
não é uma coisa que me encante. Acho que as mulheres têm uma participação
precária no parlamento. Temos 52% de mulheres na população e apenas 9% de
representantes femininas no Congresso. Minha filha agora, inclusive, criou uma
Academia de Direito Eleitoral e uma das pautas é a participação da mulher. Não
me furto a pensar que é importante. Mas não vejo como uma alternativa.
Os meninos são filiados?
Sim.
Menos o menor, o Pedro. O Ícaro e a Gabriela são. Mas nenhum dos três pensa em
enveredar para a política. O mais novo brincava comigo. Ele dizia: “mãe, se
você for candidata, eu tenho duas avós, vou escolher para onde vou. Já basta
meu pai".
O poder incomoda?
A
visibilidade é muito grande. Às vezes, tem algumas pessoas más que fazem um
estrago muito grande. Poucas vezes tivemos problemas, mas não esqueço a
denúncia falsa do (Fernando) Gabeira (em 2006, o então deputado acusou
Rollemberg de executar emendas de deputados envolvidos na Máfia dos
Sanguessugas). Os meninos sofreram na escola. Foi o momento que mais sofri.
Tudo foi esclarecido, graças a Deus. Mas ali é um exemplo de como a política
pode ser cruel. A partir dali, aprendi a respeitar mais o direito das pessoas.
No Brasil, a gente rotula muito as pessoas e muitas vezes é um erro. Odeio
julgar.
Vocês procuram ter uma vida
normal?
Sim.
Somos muito simples. Eu brinco que somos até franciscanos. Quem conhece a casa
da gente sabe. E é uma natureza mesmo. Por isso, é importante manter essa
essência. Embora o Rodrigo tenha um pai que foi ministro, dona Tereza é uma
pessoa muito simples. O que mais seduz no poder é a possibilidade de intervir
na cidade para ajudar as pessoas, no presente e no futuro da cidade. Quando eu
vejo Brasília maltratada, choro. Mesmo antes de ser governo. Por exemplo,
quando começou a construção do Pier, eu dizia: o que vão fazer aqui? Quando
colocaram aquele estacionamento na beira do Lago... Sofro com o povo
desrespeitando a dimensão bucólica da cidade e com a falta de preservação de
uma arquitetura tão inspiradora.
E as invasões?
Incomoda
ver aquelas invasões, os quiosques sem controle?
Demais. O
desordenamento urbano incomoda. De vez em quando, eu me surpreendo com o
quanto a cidade está sendo verticalizada, não só nas invasões. Acho sempre uma
opção cruel a verticalização.
Se Rollemberg fizer um bom governo, sendo uma liderança expressiva do PSB, ficará credenciado para outros voos mais altos?
Acho tudo
muito prematuro para se pensar nisso. Mas acho que ele é um líder do partido,
uma das lideranças mais importantes. Ele se coloca hoje num patamar importante
do partido.
Ele sofreu muito com a morte
de Eduardo Campos?
Sofreu.
Eu também. Era um pouco como o poeta fala: a gente tem saudade do futuro. Do
que viria, do que ele deixou de viver. Ninguém viu Eduardo morto. A gente
sempre lembra dele rindo, fazendo discurso.
Como você soube da morte?
Soube
pela Marta Suplicy. Eu estava numa reunião com ela, de repente, ela saiu e
voltou dizendo: “Mudou tudo no cenário nacional. Eduardo Campos acaba de
morrer”. Quase caí da cadeira. Eu saí dali aos prantos. O Rodrigo já estava
soluçando no telefone. O que mais me impressionava era a lideran ça e a paixão
da população pelo Eduardo. E ele era uma pessoa muito positiva. Um conselheiro
para o Rodrigo.
Como é essa ideia de
visitação da residência oficial de Águas Claras?
A gente
começou a ideia com as embaixadas. Sempre defendi que os espaços e monumentos
sejam abertos. e esse lugar sempre foi instigante. Pensamos em como
potencializar esse espaço. Estamos levantando a história da residência. É um
espaço que tem ser aberto gradativamente ao público.
Fonte: Ana Dubeux - Ana Maria
Campos – Correio Braziliense - Fotos de Carlos Vieira.
