O governador Rodrigo Rollemberg (centro) ao lado do secretário da Casa Civil, Hélio Doyle, e da presidente da Câmara, Celina Leão (PDT) (Foto: Raquel Morais/G1)
Presidente da Câmara foi citada durante
demissão do chefe da Casa Civil. Ela diz que
retorno à base não está garantido; ruptura foi há uma semana.
A presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputada Celina
Leão (PDT), afirmou nesta quarta-feira (10) que nunca pediu ao governador
Rodrigo Rollemberg que exonerasse o chefe da Casa Civil, Hélio Doyle. O
político anunciou sua demissão do cargo
no início da tarde e, no discurso, citou desavenças com Celina
e outros políticos do PDT.
"Nunca pedi a exoneração do Hélio, sempre pedi
mudança na gestão, onde várias pessoas comandavam. Disse também que tinha um
excesso de petistas no governo, principalmente na secretaria dele [Casa Civil].
Ele poderia ter tirado os petistas e permanecido na secretaria, mas nunca pedi
a exoneração dele"
(Deputada Celina Leão (PDT),presidente da Câmara Legislativa do DF)
"Nunca pedi a exoneração do Hélio, sempre pedi mudança na gestão,
onde várias pessoas comandavam. Disse também que tinha um excesso de petistas
no governo, principalmente na secretaria dele [Casa Civil]. Ele poderia ter
tirado os petistas e permanecido na secretaria, mas nunca pedi a exoneração
dele", declarou a distrital em entrevista ao G1.
Ela disse acreditar que Doyle esteja em um "momento
fragilizado", mas elogiou a atuação do secretário junto a Rollemberg.
"Quando eu estava me sentindo incomodada, pedi afastamento da base. Acho
que ele tem esse direito, também. O Hélio foi uma pessoa muito bacana, ajudou o
Rodrigo [Rollemberg], acho que está num momento fragilizado", disse.
A Casa Civil será assumida por Sérgio Sampaio, diretor-geral da Câmara
dos Deputados desde 2001. A data para a posse não foi anunciada. Celina Leão
afirmou que não conhece o novo secretário, mas que vê com bons olhos a chegada
de um servidor concursado. "É bom vir um concursado, uma pessoa que
trabalha na Câmara. Deve ter articulação política, porque está acostumado a
trabalhar no parlamento", afirmou.
Segundo Celina, a troca de comando não significa que ela retornará à
base governista, de onde saiu no último dia 2.
No discurso, ela pediu a Rollemberg que fizesse "primeiro choque de
gestão" e apontou problemas na equipe da Casa Civil.
A parlamentar afirma que, no curto prazo, a mudança também não abre
caminho para a aprovação dos projetos econômicos enviados pelo Buriti. Os seis textos chegaram à Câmara
no dia 27 de maio, mas até esta quarta (10) apenas a venda de
títulos da dívida ativa tinha sido aprovada em plenário.
"Não tem relação [a saída de Doyle e o retorno à base]. Ele saiu, a
gente tem que aguardar para ver o que o governador vai fazer, discutir com
cautela. Tem projetos que têm dificuldade de serem encaminhados aqui na Câmara,
independentemente de os parlamentares estarem na base, na oposição ou como
independentes", disse.
"Não tem relação [a saída de Doyle e o retorno à
base]. Ele saiu, a gente tem que aguardar para ver o que o governador vai
fazer, discutir com cautela. Tem projetos que têm dificuldade de serem
encaminhados aqui na Câmara, independentemente de os parlamentares estarem na
base, na oposição ou como independentes"
(Deputada Celina Leão (PDT), presidente da Câmara Legislativa do DF)
Crise
com petistas
Ao romper com o governo na última semana, Celina Leão afirmou possuir uma lista com 56 nomes de servidores do governo Agnelo Queiroz que continuavam em cargos de confiança na Casa Civil. Nesta quarta, a deputada afirmou que não discutirá o tema com o novo secretário.
Ao romper com o governo na última semana, Celina Leão afirmou possuir uma lista com 56 nomes de servidores do governo Agnelo Queiroz que continuavam em cargos de confiança na Casa Civil. Nesta quarta, a deputada afirmou que não discutirá o tema com o novo secretário.
"Já deixei claríssimo ao governador, ele é quem tem a caneta, eu
não preciso voltar a esse tema. A responsabilidade é dele. A Câmara tem dado
respostas à cidade, mas também tem o direito de se posicionar como independente
em temas", disse.
Ao anunciar sua demissão, Doyle disse que as denúncias eram
"oportunismo político" e que não via problema nos quadros do PT que
foram mantidos. "São profissionais de carreira, competentes. Prefiro esses
petistas a alguns que os deputados tentam colocar aqui, porque eles são
honestos", disse.
PDT
A presidente da Câmara Legislativa também comentou declarações de Doyle supostamente endereçadas ao senador Cristovam Buarque (PDT). O secretário não citou nomes durante o anúncio de su saída do governo, mas disse que um senador estava "querendo derrubar" os chefes da Casa Civil e da Secretaria de Fazenda. Segundo Celina, nenhum político do PDT condicionou apoio à exoneração de gestores.
A presidente da Câmara Legislativa também comentou declarações de Doyle supostamente endereçadas ao senador Cristovam Buarque (PDT). O secretário não citou nomes durante o anúncio de su saída do governo, mas disse que um senador estava "querendo derrubar" os chefes da Casa Civil e da Secretaria de Fazenda. Segundo Celina, nenhum político do PDT condicionou apoio à exoneração de gestores.
"Esse
ataque ao senador Cristovam é algo pessoal dele [Doyle], mas não é entendido
por nós [do PDT] como algo que motivou a saída dele. O senador nunca colocou a
retirada do Hélio como condição. Criticava a gestão, a centralização, o excesso
de burocracia, que eram coisas da Casa Civil. Nada que não poderia ser mudado,
reformulado, repensado".
Doyle
foi secretário de Governo durante a gestão de Cristovam no Buriti, entre 1995 e
1998. “Tem um senador que não quer o sucesso desse governo. Tem alguma fixação
em mim, está sempre querendo me derrubar. Eu até o ajudei muito, ajudei a
enfrentar o primeiro ano de governo", disse o chefe da Casa Civil em sua
última entrevista.
O G1 entrou em contato com a assessoria
de Cristovam Buarque na tarde desta quarta (10), mas não recebeu retorno até a
última atualização desta reportagem.
Fonte: Mateus Rodrigues
Do G1 DF

