Grupo assegura que só a
intervenção militar pode acabar de vez com a corrupção no País
Quem passa pela Esplanada dos
Ministérios já deve ter percebido um acampamento com bandeiras do Brasil, dois
ônibus, ares militares e dezenas de cartazes no gramado próximo ao Congresso,
ao lado do Itamaraty. Há quase 90 dias, grupos sociais pedem, de lá, o que
chamam de “intervenção militar constitucional nos Três Poderes”.
Nas palavras
dos manifestantes, na falta de respostas eficientes das autoridades e com os
casos generalizados de corrupção, vistos em todos os partidos, as Forças
Armadas deveriam retomar o poder para reorganizar e limpar a máquina pública.
Após a “limpeza”, os intervencionistas alegam que eleições com
ficha limpa seriam retomadas.
“Nós hoje
temos um governo que não conhece os problemas do Brasil. Os partidos políticos
têm o comportamento de agremiações criminosas e estão destruindo o País. Ou nós
conseguimos que os militares tirem eles do poder e novamente tenhamos um
governo militar ou o Brasil não tem mais chance”, argumentou Ronaldo Luís
Ferreira, um dos líderes da manifestação.
Do ponto de
vista intervencionista, o regime militar, pelo qual o Brasil foi submetido há
poucas décadas, não foi uma ditadura, porque houve alternância de poder para
evitar a influência comunista e “bandismo” interno. Mas vale o registro de que
os presidentes do período foram generais avalizados pelas Forças Armadas. Além
disso, os governos militares adotaram a postura de linha dura contra
qualquer crítica ao regime, em muitos casos, recorrendo à violência extrema.
“Em 64, os
militares tomaram o poder para limpar a casa. Agora, vamos ver o que esse
governo fez com a Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES. Acabaram
com tudo”, defende o representante do grupo Patriotas, Luís Antônio.
Nada de
políticos
Segundo
Luis, o movimento caminha sem apoio de políticos oue militares. “A gente quer
uma intervenção militar não para dar força ao militarismo e sim que se
faça cumprir o que está na Constituição”, declarou.
No
acampamento, poucos rostos são vistos, mas os organizadores alegam que possuem
apoio pelas redes sociais.
Extremistas
sem muitos seguidores
A
fragilidade das principais instituições brasileiras é um terreno fértil para o
nascimento de discursos extremistas. Esta é a leitura do professor de Ciência
Política da Universidade Brasília, David Fleischer. E a partir das sucessivas
falhas dos políticos moderados, a radicalização pode nascer em todos os campos
ideológicos e sociais.
“O Brasil
está em um momento difícil. O governo está enfraquecido e sem rumo. Isso
propicia o discurso extremista. Mas, por enquanto, eles não têm muitos
seguidores”, afirmou.
No Congresso
é cada vez mais comum ver personagens com discursos radicais, seja para direita
ou para a esquerda, como por exemplo o do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Na Europa,
posições extremistas começaram a ganhar protagonismo em 2008. A
esquerda radical chegou ao poder na Grécia e anunciou moratória. Na França, a
direita ultra conservadora conquista cada vez mais espaço.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília – Por: Francisco
Dutra
