O Planalto e o ex-presidente temem depoimentos dos
empreiteiros presos na sexta. Um deles teria feito ameaças aos petistas
Na semana em que os presidentes das duas maiores empreiteiras
do Brasil, Odebretch e Andrade Gutierrez, devem prestar depoimento à Polícia
Federal, não é apenas o Palácio do Planalto que acendeu a luz de alerta.
Caciques petistas admitem, reservadamente, o temor de que o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva esteja na mira do juiz federal Sérgio Moro, responsável
pelos processos relativos ao esquema bilionário de corrupção na Petrobras. Uma
ala do PT mais ligada ao ex-presidente ataca, nos bastidores, a letargia da
presidente Dilma Rousseff diante do agravamento da crise política e dos danos
ocasionados pela Operação Lava-Jato. Para alguns interlocutores, a presidente
lavou as mãos.
O
ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também é alvo da ira de alguns
petistas por não ter conseguido controlar a situação. No geral, a avaliação é
de que esta semana será uma das mais difíceis para a presidente. Os executivos
da Odebretch já mandaram recados ao Planalto, alertando que não aceitarão a
prisão facilmente, inclusive fazendo ameaças a Dilma e a Lula. Os petistas
teriam que “resolver a lambança” ou “não haverá República na segunda-feira”,
teria dito Marcelo Odebrecht ao ser preso, segundo a revista Época. Marcelo, da
Construtora Norberto Odebrecht, e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, foram
para a cadeia com outras 10 pessoas na 14ª fase da Operação Lava-Jato,
apelidada de Erga Omnes, que significa “uma medida vale para tudo”.
Hoje,
quatro executivos — dois da Odebretch e dois da Andrade Gutierrez — vão prestar
depoimento, em Curitiba, a delegados da Polícia Federal. Eles estão presos
temporariamente. A prisão do grupo vence amanhã, mas pode ser prorrogada por
mais cinco dias. Marcelo Odebretcht e Otávio Azevedo, além de outras seis
pessoas, foram presos preventivamente e, por isso, devem ser ouvidos ao longo
da semana. Os demais tiveram a prisão temporária decretada.
Queixas
De acordo
com reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, o próprio Lula teria
dito a aliados que a prisão dos dois maiores empreiteiros do país seria uma
demonstração de que ele será o próximo alvo da Operação Lava-Jato. Ainda
segundo interlocutores, Lula se queixa da atuação do ministro-chefe da Casa
Civil, Aloizio Mercadante, que teria convencido Dilma a minimizar o impacto político
da operação.
Em
encontro com religiosos em seu instituto, em São Paulo, na noite de
quinta-feira, Lula fez severas críticas à presidente. Disse que Dilma estava no
“volume morto”, assim como ele próprio. Também reclamou da falta de disposição
da sucessora para viajar pelo país e afirmou que os ministros do PT não falam:
“É um governo de mudos”.
Fonte: Eduardo Militão – Correio Braziliense
