Distritais fazem cobranças de cargos a
Rollemberg em gravações. Reunião foi
pautada por debate para a governabilidade, diz governo.
O governo do Distrito Federal informou nesta quarta-feira (24) que a
Polícia Civil investiga o vazamento de áudios de uma reunião entre o governador
Rodrigo Rollemberg, secretários e parlamentares no dia 14 de maio. Na gravação,
deputados distritais cobravam do governador cargos na administração.
Na
nota, o GDF diz condenar "veementemente o vazamento”. O governo informou
que teve acesso aos áudios por meio da imprensa e que eles foram editados e
tirados de contexto. O GDF disse que a reunião foi "pautada por um debate
de medidas” que visavam “dar governabilidade" à atual gestão.
A
Polícia Civil informou ao G1 que ainda não foi comunicada
oficialmente, mas, quando for, tomará "todas as providências"
referentes ao caso. A presidente da Câmara Legislativa do DF, Celina Leão
(PDT), diz que 11 distritais – ela inclusive – e pelo menos dois secretários
estavam com Rollemberg na reunião grampeada.
"Nós
já pedimos abertura de investigação ao Ministério Público, à Polícia Civil e à
Polícia Federal, para acompanhar. Se você parar pra pensar, é um caso muito
grave, dentro de um gabinete, da sala do governador", declarou Celina em
entrevista à TV Globo. Ela diz ter reconhecido a própria voz em uma das
gravações.
O
secretário de Relações Institucionais do DF, Marcos Dantas, afirmou ao G1 que o grampo é
"lamentável". "Não é nossa prática ficar 'arapongando', gravando
as pessoas. Eu estava nessa reunião na sala do governador. O que foi colocado
foi um pedido para indicar deputados para o Executivo, o que não vejo nenhum
problema", disse Dantas.
Gravações
No trecho atribuído a Celina Leão, a parlamentar fala sobre a ausência de parlamentares no primeiro escalão do Executivo. O nome e a voz do interlocutor não aparecem no áudio, mas Celina se refere a ele pelo termo "senhor".
No trecho atribuído a Celina Leão, a parlamentar fala sobre a ausência de parlamentares no primeiro escalão do Executivo. O nome e a voz do interlocutor não aparecem no áudio, mas Celina se refere a ele pelo termo "senhor".
"A
classe política, querendo ou não, precisa estar presente no governo do senhor.
O senhor não tem um secretário deputado. Um secretário deputado. ‘Tô’ falando
que pode ser deputado federal, pode ser deputado local. Querendo ou não, a
classe política ‘tá’ fora do governo", afirma Celina no áudio.
"Eu
falei uma coisa para o senhor e volto a repetir: o senhor é bom demais. Coração
bom demais. 'Não, vai lá, eu vou deixar você fazer o trabalho político do jeito
que você quiser, eu te dou liberdade.' [...] Se a gente não tiver uma pauta com
o senhor, a Câmara vai arrumar a pauta dela", continua a gravação.
No
mesmo trecho, Celina fala que as negociações se dariam "dentro de uma
filosofia de correção, sem fatiar". "Sem rebaixar a classe política
dessa forma, colocando uma participação de ideias, eu acho que o senhor vai
conseguir um ambiente harmônico com todos nós".
'Dividir
o bolo'
O segundo áudio, supostamente da mesma reunião, é atribuído ao deputado Juarezão (PRTB), estreante na Câmara Legislativa. A voz gravada fala que "o bolo tinha que ser dividido por igual" entre os distritais.
O segundo áudio, supostamente da mesma reunião, é atribuído ao deputado Juarezão (PRTB), estreante na Câmara Legislativa. A voz gravada fala que "o bolo tinha que ser dividido por igual" entre os distritais.
Questionado
pela TV Globo, o parlamentar não confirmou a autoria das declarações. "Não
me lembro. Tenho que ver o áudio para saber se fui eu", disse. A voz
captada na gravação fala sobre melhorias em Brazlândia, reduto eleitoral do
político.
"O
comandante da PM em Brazlândia riu da minha cara antes de ontem, no telefone:
'Duvido se vai acontecer'. Quando eu falei com Marcão [Dantas], ele me ligou e
falou: 'Juarezão, vai vir 20 PM pra Brazlândia'", diz o áudio.
"Eu
quero sim, queria que o senhor dividisse o bolo com os deputados por igual.
Porque dizem que tem deputado que deixa secretaria e tem mais não sei o quê.
Então, eu só queria isso e acho que todos vão concordar, porque o bolo tem que
ser dividido por igual".
O
pedido continua. "Se o senhor deu um pra mim, tá, dê um pra ele, um pra
ele, um pra ele. O Marcão controla esse trem bem controlado. Por isso que eu
acho que a base tá meia complicada [sic]. [...] Na minha cidade, tudo que eu
preciso eu ligo, falo com o Marcão, falo com o senhor, mas na questão da
Câmara, divide o bolo por igual."
"Se
uns pegou muito [sic], nós vamos chamar aqui, agora, todo mundo e vamos sentar.
Quem deu a ideia foi o Juarezão. Eu acho que é desse jeito que funciona. E
outra coisa: quem pegou muito, meus companheiros, vai ter que voltar e entregar
alguns cargos para alguém", afirma a voz captada na gravação.
Leia
a íntegra da nota divulgada pelo governo do DF
“O Governo de Brasília condena veementemente o vazamento dos áudios gravados durante reunião entre o governador Rodrigo Rollemberg, secretários e parlamentares, no dia 14 de maio. As medidas cabíveis estão sendo tomadas e a Polícia Civil já investiga o caso. O governo teve acesso ao material por meio da imprensa e ressalta que os áudios divulgados foram editados e por isso estão fora de contexto. A reunião do dia 14 foi pautada por um debate de medidas que visam dar governabilidade.”
“O Governo de Brasília condena veementemente o vazamento dos áudios gravados durante reunião entre o governador Rodrigo Rollemberg, secretários e parlamentares, no dia 14 de maio. As medidas cabíveis estão sendo tomadas e a Polícia Civil já investiga o caso. O governo teve acesso ao material por meio da imprensa e ressalta que os áudios divulgados foram editados e por isso estão fora de contexto. A reunião do dia 14 foi pautada por um debate de medidas que visam dar governabilidade.”
Fonte: Do G1 DF

