A nova frente chega no
momento em que os empresários temem um calote do governo, com o fim do prazo de
validade das dívidas estipulado por um decreto
Se o diálogo não anda tão fácil com o
governo, os empresários tentarão agora a ajuda dos deputados distritais para
terem suas reivindicações atendidas. Foi criada a Frente Parlamentar em Defesa
do Setor Produtivo, com a promessa de voz mais ativa junto ao Executivo.
A nova
frente chega no momento em que os empresários temem um calote do governo, com o
fim do prazo de validade das dívidas estipulado por um decreto. Se não for
baixada nova norma, o fornecedor que não receber as dívidas do ano passado até
o dia 30 de junho corre risco de ter as notas de empenho canceladas. Para
evitar que isso aconteça, deputados entraram em obstrução e não votarão
projetos até que o decreto seja revogado.
Os
distritais anunciaram a frente parlamentar ao lado de presidentes de entidades
representativas. As críticas não foram poupadas.
"Acho
um desrespeito a ausência de secretários do GDF aqui. E se o governo enviar
qualquer projeto que prejudique o setor produtivo, podem ter certeza de que a Câmara
vai rejeitar", disse Wellington Luiz (PMDB).
Tapete
vermelho
O deputado
Doutor Michel (PP) engrossou o coro e pediu mais ação da equipe de governo.
“Senhores secretários, saiam do tapete vermelho. O governo está brincando com o
Distrito Federal. A cidade está fadada a falir", esbravejou.
Já o
presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF), Luiz
Carlos Botelho, falou sobre a falta de licenças concedidas pelo governo.
“Existem pelo menos 200 pequenas e médias obras que poderiam ser retomadas,
gerando emprego e renda”, revelou.
O líder da
Frente Parlamentar, deputado Bispo Renato, explica que o objetivo não é
ajudar apenas na negociação das dívidas, mas em tudo que envolve a
atividade empresarial. “Precisamos ouvir as demandas e traduzir em medidas. A
maior parte dos empreendimentos é feita por empresas do Distrito Federal.
Não conseguimos atrair as de fora e as que estão aqui buscam estados mais
atrativos”, avaliou.
Mas ainda
assim, também está nos planos melhorar a relação entre empresários e governo.
Para isso, está marcada no dia 2 de julho uma reunião, a que o governador
Rodrigo Rollemberg e os representantes do setor produtivo estão convidados.
Mais
eficiência é principal das cobranças, hoje
A voz ativa
prometida ao empresariado tem motivo, segundo os próprios representantes. Deve
haver uma maior eficiência nas atribuições do Executivo. É o que cobra o
presidente da Associação Comercial do Distrito Federal, Cléber Pires. "Na
subida do Colorado, por exemplo, há oito concessionárias funcionando sem
alvará. Como é possível manter isso assim?", questionou.
Só duas
funcionam
Para o
presidente da Fecomércio, Adelmir Santana, a Câmara Legislativa deve se
destacar fazendo o que tem de melhor, dialogando. “Existem mais de 100 frentes
parlamentares no Congresso, mas efetivamente só funcionam a do agronegócio, dos
evangélicos e da saúde. O que os distritais precisam é se posicionar, porque o
Legislativo é pródigo em ouvir a sociedade e pode muito bem fazer esse papel de
intermediador”, sugeriu.
Fonte: Jornal de Brasília – Com: Daniel
Cardozo
