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Deputado evangélico leva "ex-gays" à Câmara


Um dos convidados mostra cartaz com foto na época em que era gay (Foto: Ed Ferreira/Folhapress)

Enquanto Feliciano promove audiência com pessoas que dizem ter mudado a orientação sexual, Senado discute combate à homofobia


As comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado trabalham em direções opostas. Ontem, enquanto o colegiado composto por senadores discutia a situação das vítimas de discriminação por identidade de gênero, na outra Casa, o palco armado pelo deputado e pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) serviu para uma audiência pública na qual supostos ex-gays falaram sobre a experiência de voltarem a ser heterossexuais.

O cantor evangélico Robson dos Santos, 42 anos, contou que foi homossexual até os 20, quando se descobriu heterossexual. “Aqueles que querem deixar de ser gays devem ter esse direito garantido. A verdade é que nunca fui gay, me levaram para a prática homossexual”, desabafou ele, casado há 20 anos e pai de quatro filhos. Santos ainda criticou o atendimento de psicólogos. Em resposta à declaração, o vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Rogério de Oliveira Silva, lembrou que não cabe a esses profissionais oferecer tratamento para uma opção sexual, que não é considerada doença.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) alimentou a polêmica ao dizer que o Estado não tem política pública para ex-homossexuais, e se comprometeu a criar um projeto de lei que ele próprio batizou de “bolsa ex-gay”, para ajudar financeiramente essas pessoas. Adelmo Leão (PT-MG) foi o único a se contrapor aos demais parlamentares presentes no colegiado. Para ele, “o homossexualismo não é ‘modinha’, e os gays não podem ser chamados de doentes. Isso é preconceito.”

Enquanto a bancada evangélica da Câmara exaltava o depoimento dos supostos ex-homossexuais, o foco no Senado era menos panfletário. Senadores debateram a violência por orientação sexual e identidade de gênero. A diretora do Departamento de Promoção dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Juliana Gomes Miranda, afirmou que “é preciso pensar em como fortalecer essa rede de proteção às vítimas, criar um protocolo de denúncias”.

A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, lembrou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou, esta semana, ao Supremo Tribunal Federal (STF), parecer defendendo que homofobia e transfobia sejam julgadas como crime de racismo.

Parada LGBT

Paralelamente às audiências realizadas no Congresso, integrantes da comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) promoveram, na UnB, a primeira parada do orgulho gay no local. O evento começou às 12h e contou com  cerca de 400 pessoas.

Fonte: Jorge Macedo
Especial para o Correio Braziliense

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