A presidente da Câmara
Legislativa, deputada Celina Leão (PDT), no entanto, pede cautela aos colegas.
Ela defende que o governo tenha tempo para investigar a origem da gravação.
Pelo menos 22 deputados distritais
assinaram um requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para investigar a gravação de uma reunião entre deputados
distritais, secretários do governo, assessores e o próprio governador Rodrigo
Rollemberg, no Palácio do Buriti. A presidente da Câmara Legislativa, deputada
Celina Leão (PDT), no entanto, pede cautela aos colegas. Ela defende que o
governo tenha tempo para investigar a origem da gravação, já que, diz ela,
disso depende o restabelecimento da relação do Poder Executivo com o
Legislativo.
“O próprio
governo terá pressa em investigar. Até por que não conseguirá restabelecer uma
relação com a Câmara Legislativa enquanto não achar quem fez isso”, argumenta a
deputada distrital.
Nas conversas
vazadas, deputados cobram espaço no governo. E a própria Celina questiona o
fato de não ter parlamentares no primeiro escalão da gestão Rollemberg.
O governo,
na opinião de Celina, tem toda a condição de chegar à autoria da gravação.
“Precisamos esperar”, disse ela, que divulgou ontem um desenho feito à mão da
sala onde houve a reunião, no fim do mês de maio. Com o “croqui”, Celina disse
que é possível analisar onde estaria o aparelho que captou as falas dos
deputados.
Desenho
“Pelo
barulho dos áudios, (o gravador) estava mais perto de mim”, arrisca a
presidente da Câmara. Ao lado dela, em um sofá no meio da sala, segundo o
desenho, estavam as deputadas Telma Rufino (PPL), Luzia de Paula (PTN) e Sandra
Faraj (SD). Em uma mesa logo atrás, conforme o desenho, estariam o
ex-secretário da Casa Civil, Hélio Doyle, e o secretário adjunto da pasta de
Gestão Administrativa, Alexandre Ribeiro. “Mas não vou me antecipar”, disse
ela.
O motivo do
desenho, esclarece Celina, é que disseram que, da reunião, participaram
assessores de deputados. “Não tinha um assessor de parlamentar lá dentro”,
reiterou.
Doyle, que
deixou o governo com relações melindradas com os deputados, viu o
desenho. Ele disse não se lembrar direito de quem estava naquele dia.
“Mas é por aí mesmo”, afirmou, emendando: “Acho que tinha mais gente”.
Polícia
Civil abre inquérito para investigar
A Polícia
Civil está trabalhando na investigação das gravações. O diretor-geral da
Polícia Civil do DF, Eric Seba, disse que não é possível precisar em quanto
tempo o trabalho será concluído. “Pode ser daqui a uma semana e pode ser que a
gente nunca consiga”.
Um
inquérito, disse Seba, foi instaurado e a corporação trabalha na apuração dos
fatos. “É bem trabalhoso, mas a gente faz um trabalho técnico e é possível que
a gente identifique o ponto (onde foi feita a gravação)”, afirmou, considerando
a localização exata de onde poderia estar o autor das gravações, na sala onde a
reunião foi realizada.
Este
trabalho não é fácil, repete Seba. “A gente não sabe qual o tipo de instrumento
foi usado e onde ele estava, se era dentro de uma bolsa, de um bolso etc”,
argumentou.
Diálogo
“O maior
interessado nisso tudo é o governo, que quer saber quem vazou”, aponta o
secretário de Relações Institucionais, Marcos Dantas. O restabelecimento da
relação com a Casa, no entanto, ele disse que dependerá de “muito diálogo”.
Fonte: Jornal de Brasília - Millena Lopes

