Em 16 de junho de 2005, José Dirceu pediu demissão do cargo
de ministro-chefe da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A
permanência do homem forte da Esplanada tornou-se insustentável ante as
acusações do deputado Roberto Jefferson, que 10 dias antes havia detonado, em
entrevista, o esquema que seria conhecido como mensalão. Dez anos depois,
condenado a sete anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal em consequência
do mensalão, José Dirceu volta a figurar como personagem de escândalo, desta
vez vinculado à Petrobras. Assim como ocorreu em 2005, quando saiu do Palácio
do Planalto para descer à planície e preparar sua defesa, Dirceu continua às
voltas com advogados para evitar novas condenações e impedir o retorno ao
regime fechado na penitenciária da Papuda.
Não causa
espanto a participação de Dirceu neste novo capítulo da corrupção brasileira.
Até as carpas do Itamaraty sabem que o ex-czar de Brasília ainda é voz
influente nos desígnios do PT e mantém, como consultor, uma relação proveitosa
com diversas empresas interessadas em fazer negócios no país. Parece natural,
portanto, que a Justiça queira esclarecimentos sobre contratos e pagamentos a
fim de dirimir quaisquer suspeitas sobre a conduta do renomado petista ante
esquema tão amplo, complexo e profundamente arraigado na maior empresa do
Brasil.
O que
realmente impressiona é observar que o mensalão e o petrolão, apesar da década
que os separa, obedecem à mesma lógica. Nos dois escândalos, percebe-se
claramente a atuação de um grupo político disposto a toda manobra para financiar
um projeto de poder, seja pela compra de apoio no Congresso, seja por meio de
propinas em contratos bilionários. O julgamento da Ação nº 470, como foi bem
mencionado por um ministro do Supremo, foi ponto fora da curva na crônica
nacional. Aplicou um castigo poucas vezes visto no Brasil a réus por crime de
colarinho-branco, mas não impediu que a nação assistisse pouco tempo depois a
uma quadra ainda mais vergonhosa da nossa história, com a derrocada de uma
empresa considerada patrimônio nacional, vilipendiada por interesses
partidários e fonte de negociata entre corruptos.
Dez anos
ainda não foram suficientes para se concluir que esse modo de fazer política
não pode mais perdurar.
Por: Carlos Alexandre – Correio Braziliense

