A filha do inventor de Brasília sugere uma comissão
deliberativa para cuidar do Plano Piloto
Ativista número 1 das boas causas de Brasília (um bem da
humanidade), a arquiteta Maria Elisa Costa entrou na rede faz algum tempo.
Posta protestos, denúncias, espantos e raridades que segue descobrindo nas
preciosidades que o pai deixou espalhadas pelo apartamento onde morou por 50
anos e que a filha segue catalogando e transferindo para a Casa de Lucio Costa.
Mas Maria Elisa bem podia estar numa situação desconfortável: o governador da
cidade que tanto defende é seu sobrinho. Ela foi casada com o irmão da mãe de
Rollemberg. O casamento acabou, o ex-marido morreu, mas a relação afetiva se
fortaleceu ao longo das últimas três décadas.
Nesta
entrevista ao Correio, Maria Elisa sugere ao governador que crie uma comissão
de alto nível, autônoma e deliberativa, para fazer frente à pressão dos que
querem lotear o Plano Piloto. “Todo mundo é guloso, todo mundo quer meter a mão
em Brasília.” Critica o sobrinho: “O fato de Rodrigo querer agradar a Deus e o
mundo é fruto da geração pós-ditadura”. Lamenta que a autonomia política de
Brasília tenha acabado com os prefeitos indicados. E diz que “o crachá de Lucio
Costa” lhe dá o direito de falar o que bem entende.
Antes da
entrevista, a filha do inventor havia almoçado com o representante das
construtoras, o presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Distrito Federal), Luiz Carlos Botelho Ferreira, numa grande mesa que
incluiu três aguerridos defensores da cidade, os arquitetos Carlos Magalhães e
Fernando Andrade, e o jornalista Silvestre Gorgulho. Depois do bate-papo no
Correio, Maria Elisa foi à Câmara Legislativa participar da sessão que entregou
o título de cidadão honorário post-mortem ao fotógrafo Mário Fontenelle.
O direito de
falar o que bem entende
“Vou contar uma tragédia… Foi
a maior lição que tive quando passei pelo Iphan (Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional). Eu, filha do Lucio, na presidência do Iphan. O
Park Hotel, um hotelzinho lindo que meu pai projetou em Nova Friburgo, que é
síntese dele, estava cheio de goteiras. Tinha de arranjar um jeito de bancar o
conserto. Havia uma verba de R$ 80 mil. Levei um mês convencendo meus súditos
(risos) para dar esse dinheiro para o conserto do ParkHotel porque estava
chovendo dentro. Não podia, porque era propriedade particular. É particular,
mas a chuva está caindo… Tanto insisti que concordaram. Fiquei na maior
felicidade. Achei que estava resolvido o problema. Mas fui burra. Quem trabalha
em serviço público tem que ter know-how. Serviço público não é pra amador, é
pra profissional. Passaram-se seis meses para o dinheiro chegar ao destino.
Nesses seis meses, a chuva foi de tal ordem que o hotel teve de ser fechado e
nunca mais abriu. Isso com a filha do doutor Lucio na presidência do Iphan! O
que é terrível é que a solução era a mais simples do mundo. Eu tinha de ter
chegado pra minha chefe de gabinete e dito: Dia sim, dia não, telefona pra ver
se o dinheiro chegou. Sem isso, as coisas não andam. Tem que ter alguém que
cobre o tempo inteiro. Por isso que tomei horror de reunião. A reunião acaba em
si mesma, o produto final da reunião é ela mesma. Nunca mais quero saber de
cargo coisíssima nenhuma. Continuarei autônoma a vida inteira. E falando o que
bem entendo. O que me permite estar aqui falando essas coisas é que sou uma
aposentada autônoma. É um direito e uma mania. Essa liberdade de falar o que
penso não seria igual se eu estivesse presa a um emprego público. E esse crachá
de Lucio Costa também me dá o direito de falar o que bem entendo."
MARIA
ELISA COSTA — Aquele velho, feito em Cingapura, aquele catatau? Aquilo tinha
que jogar fora. Não analisei tim-tim por tim-tim porque me recusei a levar a
sério um plano daquele tamanho. Foi feito para ser burlado. É muito mais fácil
burlar um plano prolixo do que um plano enxuto. Foi uma perda de tempo, um
erro. Tinha de ser deletado para se fazer uma coisa mais sensata, mais
saudável. O governo mudou. Pela primeira vez Brasília tem um governo de pessoas
de Brasília. Começar uma coisa decente, benfeita.
DAD SQUARISI — O que a senhora considera benfeito, decente? Quais são os pontos principais?
MARIA
ELISA — Quem trabalha com essas coisas tem que ter umas tantas convicções. Não
tem regra. Você tem que ter o mínimo de discernimento para saber o que importa,
o que não importa. Administrar Brasília é muito difícil. São duas situações
adjacentes e opostas. De um lado, há uma cidade com quase 3 milhões de habitantes
e um centro histórico que tem que ser preservado. São coisas opostas e
indissociáveis ao mesmo tempo. Ter consciência disso é o primeiro capítulo. É
preciso evitar que, daqui a muito menos tempo do que a gente imagina, a parte
original de Brasília seja reduzida a um aviãozinho cercado de torres por todos
os lados, uma jaulinha com um aviãozinho lá dentro, que é uma coisa terrível e
que, se você bobear…. Está no momento limite para se impedir que isso aconteça.
DAD SQUARISI — Como se faria
isso?
MARIA
ELISA — A Bacia do Paranoá é o território original de Brasília. O divisor de
águas delimitaria o centro histórico da capital do Brasil. Todo mundo é guloso,
todo mundo que meter a mão em Brasília. Não sei juridicamente como se faria,
mas seria uma espécie de comissão técnica de alto nível que fosse permanente, e
que tivesse poder de veto. Quer fazer 501? Negativo, meu amor. 901? Mas nem
vem! Com isso você já sinalizava para a especulação: Inventa outro esquema, a
área preservada de Brasília pertence ao Brasil. As pessoas não têm a menor
ideia do que seja o tombamento de Brasília porque ele é atípico. Até o
tombamento de Brasília, o tombamento era sempre de objetos construídos e quando
o Zé Aparecido (José Aparecido de Oliveira, governador do Distrito Federal
entre 1985 e 1988) resolveu tombar Brasília, queria tombar a cidade que ia
acontecer. O arquiteto Italo Campofiorito teve a brilhante ideia de tombar o
conceito da cidade através das escalas urbanas que meu pai usou para a fazer o
projeto — a escala monumental, a residencial, a gregária e a bucólica.
CRISTINE GENTIL — Qual seria o papel do Distrito
Federal
nisso?
ANA DUBEUX — Mas a senhora tem confiança de que ele pode fazer alguma coisa?
ANA DUBEUX — Então a senhora é contra a autonomia política do DF?
CONCEIÇÃO FREITAS — Não será porque ainda não estamos numa democracia madura?
ANA DUBEUX — A senhora andou pela cidade? A gente tem a impressão deque as invasões só estão piorando…
SILVESTRE GORGULHO — Quando fui buscar asenhora, contei treze outdoors do balão da dona Sarah
até o aeroporto. Um negócio horrível. Aquilo ali é espaço público, não pode.
SILVESTRE GORGULHO — Sinto o governador
MARIA
ELISA — Se o governo do Distrito Federal der força a essa ideia, se entender
que seria um adianto… Que não vai ter que passar a vida resistindo à pressão,
ele fica liberado para administrar uma cidade de quase 3 milhões de habitantes.
Não é um favor. Há um benefício recíproco.
CONCEIÇÃO FREITAS — A senhora não se angustia por ser uma
pessoa tão próxima afetivamente do
governador e as coisas não acontecerem?
MARIA
ELISA — Rodrigo tem uma grande qualidade: é de Brasília, chegou aqui com oito
meses de idade. E é um sujeito decente. Agora, todos os governadores, sempre há
uma coisa que você fica assim… Meu pai teve a pachorra de escrever cartas para
todos eles fazendo recomendações, explicando… Mas sou meio fatalista nessas
coisas, a gente tem que ir até onde pode. Além disso, vou pra praia. Não vou me
consumir de maneira nenhuma.
ANA DUBEUX — Mas a senhora tem confiança de que ele pode fazer alguma coisa?
MARIA
ELISA — Depende muito dele. Poderia ser feita uma ação conjunta com o governo
federal, mas como está todo mundo ocupadíssimo com problemas sem tamanho, então
isso parece uma frescura a essa altura do campeonato. Agir na escala do
Distrito Federal é mais simples. Na realidade, o centro histórico da capital do
Brasil é o próprio Distrito Federal, mas cometeram a insensatez de
transformá-lo em Estado. Essa foi a grande maluquice. Antigamente, o Distrito
Federal era administrado por um prefeito que era nomeado para tomar conta da
casa. Não havia política. Fazia besteira, saía. Na hora que você transforma o
Distrito Federal em Estado num lugar que não pode se sustentar, você está
inventando um bicho esquisito. Quem banca o Distrito Federal é o governo
federal.
ANA DUBEUX — Então a senhora é contra a autonomia política do DF?
MARIA
ELISA — Na época, eu e a torcida do Flamengo achávamos que votar resolveria
todos os problemas do mundo. Menos o doutor Lucio, que deu uma entrevista ao
Jornal do Brasil em 1984, que eu achei na época uma gafe horrorosa. Quando ele
soube que ia ter eleição e Câmara em Brasília, ele reagiu: “Fico apavorado.
Porque só vão querer tirar proveito pessoal. A população tinha que arranjar um
jeito diferente de se manifestar através dos moradores”.
CONCEIÇÃO FREITAS — Não será porque ainda não estamos numa democracia madura?
MARIA
ELISA — Não é porque é madura ou não madura. É preciso a vontade de se dar
valor a Brasília. As pessoas não desconfiam que Brasília foi um acontecimento
irrepetível na história do mundo. Porque Juscelino não vai ter outro, não vai
ter um sertão que nem esse, não vai ter Israel, Lucio e Oscar juntos. É uma
coisa que teria que ser mais valorizada. E o que contribuiu para essa
desvalorização? A ditadura. A ditadura foi um desastre para Brasília. Porque
era uma coisa de inteligência, de fé, de liberdade. Brasília nasceu com João
Gilberto cantando o primeiro disco… Quando acabaram com a Universidade de
Brasília, houve um distanciamento entre a cultura e o poder.
ANA DUBEUX — A senhora andou pela cidade? A gente tem a impressão deque as invasões só estão piorando…
MARIA
ELISA — Existe uma palavra que deveria ser banida do vocabulário brasiliense:
re-gu-la-ri-za-ção. Todo mundo invade porque tem certeza que vai ser
regularizado. Quiosque, terreno do lago… é uma coisa antiga. Se houver uma
maneira de se multar para valer, algum gesto para acabar com a brincadeira.
CONCEIÇÃO FREITAS — A senhora não acha que houve uma
redescoberta de Brasília nos últimos anos?
MARIA
ELISA — Acho e isso é muito importante. Todo mundo que veio para Brasília
encontrou o Oscar. O Congresso é o Pão de Açúcar de Brasília. Lucio era uma
abstração. Você via um movimento de terra doido, com um monte de poeira
vermelha, só as quadras avulsas, lá longe, mas a cidade teve de esperar ter
gente para existir. À medida que foi crescendo, as pessoas foram descobrindo o
valor dessa cidade. É uma glória.
SILVESTRE GORGULHO — Quando fui buscar asenhora, contei treze outdoors do balão da dona Sarah
até o aeroporto. Um negócio horrível. Aquilo ali é espaço público, não pode.
MARIA
ELISA — Começou sabe quando? Com aquele vexame da Coca-Cola na Copa do
Mundo, aquele abriu a cancela. Quando vi, não quis acreditar: Brasília de
garota-propaganda da Coca-Cola! Isso pra mim é sintoma de não se saber do que
se trata essa cidade.
SILVESTRE GORGULHO — Não é
hora de o Rodrigo (Rollemberg)
criar um conselho para dirimir um
pouco a autoridade dele?
MARIA
ELISA — Conselho é uma coisa legal, importante, mas tem que ter as
atribuições muitíssimo bem definidas. Tem que ter poder, ou então é melhor não
fazer. Mas tem que ser deliberativo, como era o Cauma (Conselho de Arquitetura
e Urbanismo), do tempo do Roriz.
SILVESTRE GORGULHO — Sinto o governador
sozinho…
SILVESTRE GORGULHO — O Rodrigo tem um perfil parlamentar… leva para a Casa Civil outro
MARIA
ELISA — Você está dando o argumento perfeito para o centro histórico ser
criado. Aí você teria uma legislação específica. Uma comissão que não tivesse
nada a ver com quem é o político, com quem deixa de ser. Que analisasse
tecnicamente… aí você estaria aliviando o governo. Você já pensou o que é
governar essa cidade?
SILVESTRE GORGULHO — O Rodrigo tem um perfil parlamentar… leva para a Casa Civil outro
parlamentar… você não tem um operacional
no governo… Ele substituiu o
Governo do Distrito Federal pelo
Governo
de Brasília. Daqui a pouco, o cara do Gama vai dizer que Rodrigo é governador de Brasília, não do Gama.
SILVESTRE GORGULHO — A senhora mora numa cobertura...
SILVESTRE GORGULHO — E o cara que queria comprar o prédio para derrubar e fazer outro?
ANA DUBEUX — A realidade não vai poder mudar agora. E o que o governador pode fazer?
de Brasília. Daqui a pouco, o cara do Gama vai dizer que Rodrigo é governador de Brasília, não do Gama.
MARIA
ELISA — Eu me recuso a fazer a separação entre Brasília e as cidades. As
cidades foram batizadas de cidades-satélites porque era moda na Inglaterra na
época projetar uma cidade que se expandiria em cidades-satélites, mas é tudo
uma coisa só, é a Grande Brasília. O centro histórico é aqui. Agora, o fato de
Rodrigo querer agradar a Deus e o mundo é fruto da geração pós-ditadura.
Existem dois tipos de cabeça, todos os dois necessários: o tipo parlamentar, o
que discute, o produto final dele é de papel; e o tipo executivo, cujo produto
final é a coisa feita. Historicamente, prefeito é administrador e governador é
político. Então, esse animal insólito que inventaram, o de transformar o Distrito
Federal em Estado, faz com que Brasília não tenha prefeito. É uma coisa maluca.
Administrador é besteira… Eu não sei como se resolve isso, mas deve existir uma
maneira.
ANA DUBEUX — Um prefeitão?
MARIA
ELISA — Isso, um prefeitão.
SILVESTRE GORGULHO — A senhora mora numa cobertura...
MARIA
ELISA — Cobertura, não. Sobrado. Pequenininha, linda, projetada pelo doutor
Lucio (no Leblon, de frente para o mar).
SILVESTRE GORGULHO — E o cara que queria comprar o prédio para derrubar e fazer outro?
MARIA
ELISA — Mas meu pai recusou várias propostas… Depois que ele morreu, teve um
senhor mineiro que comprou dois apartamentos (no prédio). Queria comprar o
prédio todo para derrubar e construir outro. Aí eu disse a ele: Se eu tivesse
uma cidade para morar, e olha que já morei em Paris, escolheria o Rio de
Janeiro. Se tivesse que escolher um lugar no Rio de Janeiro, escolheria
precisamente o lugar onde moro. O senhor acha que vou vender pra quê? Ele
virou-se pra mim e disse: ‘A senhora tem toda a razão’. Reformou os dois
apartamentos. Lá todo mundo já sabe: É de lá para o São João Batista (o
cemitério), não tem meio- termo.
ANA DUBEUX — Se fosse morar
em Brasília, a senhora moraria onde?
MARIA
ELISA — Nas superquadras. Juscelino deu dois terrenos de mansão para o Lucio e
dois para o Oscar como prêmio adicional. Eu vacilei. Não deveria ter permitido
que fossem vendidos. Lucio fez um projeto de uma casa linda pra nós duas.
Helena, minha irmã, fez outro projeto muito simpático. Mas nada foi construído.
Logo depois da inauguração, comprei um lote numa QI, mas vendi em tempo de
dureza.
ANA DUBEUX — O livro
(Registro de uma vivência, autobiografia de Lucio Costa , esgotado) vai ser
reeditado agora?
MARIA
ELISA — Vai, pela Cosac & Naif. O único documento que eu fiz questão que
ele me deixasse formalmente que foi o copyright do Registro… Para não deixar
pegarem a matéria-prima. Porque Lucio fez tudo daquele livro. Escreveu, fez
leiaute. Tenho tudo isso. Peguei um caderno quadriculado, desenhei os
espelhinhos de todas as páginas, pra ele poder arrumar do jeito dele. O meu
trabalho naquele livro foi construir com uma fidelidade canina o que ele
queria. Doutor Lucio teve na mão o livro que queria. Quando a Cosac me
procurou, eu disse: Só tem um porém, ou faz do mesmo jeito, ou não faz. Demorou
um ano, mas aceitaram. Em tese, seria publicado este ano… mas estse ano está
tão complicado negócio de dinheiro… mas de qualquer coisa sairá.
ANA DUBEUX — E essa Câmara
Legislativa?
MARIA
ELISA — Ela tinha que estar pensando fora do centro histórico. O centro
histórico não deve estar sujeito a esta Câmara. Ele tem que ter legislação
própria para uma coisa que se quer preservar. O centro histórico é um ímã pra
fazer besteira. No governo Agnelo, as propostas do Magela (Geraldo Magela,
secretário de Habitação) eram inacreditáveis. Ele queria construir no canteiro
central inteiro do Eixo Monumental, que beleza! Ele queria liberar todos os
lotes de clubes da beira do lago para fazer hotel, meu amor, da altura que ele
quisesse. As pessoas tendem a achar que a única coisa a ser preservada em
Brasília se chama Esplanada. Brasília precisa de um prefeito.
ANA DUBEUX — A realidade não vai poder mudar agora. E o que o governador pode fazer?
MARIA
ELISA — Pergunte a quem pode responder.
Lucio Costa com a filha, no apartamento do Leblon onde viveu por quase 50 anos e onde projetou Brasília
Maria Elisa diante da cúpula da Câmara já construída. A arquiteta participou do projeto de Brasília desde o começo da execução
Oscar Niemeyer, Lucio Costa e Maria Elisa no colo da mãe, Leleta. Ao lado, Anita Niemeyer com a filha, Anna Maria em Nova York, 1938
O engenheiro Augusto Guimarães Filho, a arquiteta Maria Elisa Costa e o engenheiro Joffre Mozart Parada no Rio de Janeiro durante o desenvolvimento do projeto de Brasília

Participaram da entrevista/bate-papo a diretora de redação do Correio, Ana Dubeux; a editora de Cidades, Cristine Gentil; a editora de Opinião, Dad Squarisi; a repórter Conceição Freitas; e o jornalista convidado Silvestre Gorgulho
