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5º Congresso: Estrelas sem brilho


No 5º Congresso do PT, a ser realizado no fim de semana, em Salvador, os 800 delegados do partido, vindos dos quatro cantos do país, terão pela frente a missão quase impossível: resgatar a credibilidade da legenda perante os eleitores, principalmente entre aqueles que votavam fielmente na sigla.


Dificuldade maior será reverter o alto grau de desalento que se abateu sobre parte significativa de militantes, a partir de 2005, e que foi intensificada com as delações premiadas da Operação Lava-Jato. A prisão de importantes lideranças e a onipotência centralizadora de Lula e da cúpula do partido, que transformaram o partido em bem privado, têm ajudado a afastar não só parte da base, mas, sobretudo, algumas figuras de proa da agremiação.

Após as prisões espetaculares dos dois tesoureiros do PT, os esforços para reafirmar a inocência do partido caíram no vazio completo. A presidente Dilma, estigmatizada por grande parcela dos militantes, antecipou o retorno ao Brasil, apenas para que possa ir ao Congresso colada ao ex-presidente Lula evitando, assim, o retumbar das vaias que virão inexoravelmente. 

O problema é que, a cada dia que passa, vêm à tona mais denúncias de malversação do dinheiro público implicando diretamente o partido. Dessa vez, chegam revelações que colocam as digitais do próprio Lula na cena do crime. O instituto que leva seu nome aparece como destinatário de dinheiro vindo da construtora Camargo Corrêa, assim como sua empresa de palestras.

O lastro que resta ao partido é hoje formado basicamente pelo programa Bolsa Família, indevidamente apropriado pela sigla, quando na realidade deveria se constituir em programa de Estado, distante de influências ideológicas. Sem curral eleitoral para chamar de seu, o PT se esforça, agora, em não permitir que o encontro nacional se transforme em congresso de quinta categoria, esvaziado, servindo apenas como palanque para o ex-presidente verbalizar a cantilena oportunista e ultrapassada.




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A frase que foi pronunciada
“O teste de moralidade de uma sociedade é o que ela faz com suas crianças.”
(Dietrich Bonhoeffer)

Fonte: Circe Cunha - Coluna: "Visto, lido e ouvido" - Ari Cunha - Correio Braziliense

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