Sobradinho cresceu com o tempo, mas mantém características de
interior, como o bate-papo de vizinhos na porta de casa. Polo turístico famoso
pelas cachoeiras, a aniversariante de amanhã abriga o mais jovem monumento do DF
Os 63 mil moradores da “Petrópolis do Cerrado” têm motivo
para comemorar. A jovem senhora completa amanhã 55 anos e ainda mantém suas características
de cidade do interior sem deixar para trás os avanços da modernidade.
Sobradinho também é uma cidade planejada. O projeto da quinta região
administrativa foi elaborado em 1959 por Inácio de Lima Ferreira, que pertencia
ao quadro de engenheiros do Departamento de Terras e Agricultura da Novacap,
chefiado pelo urbanista Lucio Costa. Habitantes recentes e pioneiros se
orgulham do clima ameno, do estilo de vida, da arborização da região a pouco
mais de 20km do centro de Brasília. O que antes era uma zona rural se tornou um
polo turístico, habitacional e sede do mais novo monumento de Brasília, a Torre
Digital de TV. Para festejar a data, a Administração Regional organizou uma
série de eventos (veja Programe-se), com direito a um bolo de 55 metros produzido
por padarias locais.
Quinta região administrativa do DF, Sobradinho foi planejada em 1959
Quem chegou em meados de 1960 guarda na memória o cenário de ruas sem
asfalto e casas de madeira. Em cinco décadas, João Temóteo de Souza Neto, 72
anos, constituiu família e foi testemunha da evolução da cidade. “Sobradinho,
hoje, é o melhor lugar do DF para se morar. Aqui, podemos viver de uma maneira
que outras cidades não permitem. Temos costumes que já não fazem parte da
rotina da maioria das pessoas de outras regiões”, ressalta o pioneiro. Por lá,
é comum vizinhos se reunirem na porta de casa no fim de tarde ou se sentarem em
praças para conversar.
A rotina
dos moradores é pautada pela dinâmica da cidade. Pela manhã caminhadas para se
exercitar e, à tarde, as compras na “W3 de Sobradinho”, avenida que corta a
Quadra 8, famosa pelas lojas. “Aqui, as pessoas se adaptam à cidade e vivem as
delícias que ela proporciona”, conclui o pioneiro João Temotéo.
“Não
troco Sobradinho por nenhum outro lugar. Hoje, não saio daqui para fazer nada.
O comércio é bom, a segurança e a estrutura da cidade me permitem uma qualidade
de vida maior. Apesar disso, eu, como todos os outros moradores, tenho
problemas com transporte público, o que nos obriga a tirar os carros da
garagem”, conta Nunci Maria Pereira, 45 anos, que há 20 veio de Santana, no
Maranhão, para conquistar o sonho de ter a casa própria. “Criei minha família
aqui e tenho muito orgulho disso”, afirma. Para ela, os próximos anos indicam
mais desenvolvimento para a região. “Se os avanços continuarem no mesmo ritmo,
daqui a 10 anos teremos uma cidade modelo”, arrisca.
Para o
administrador regional, Divino de Oliveira Sales, o clima ameno e o baixo
índice de violência são atrativos para se morar na cidade. “As famílias aqui se
constituem e aqui permanecem. A cidade é folclórica, a qualidade de vida é alta
e isso se deve à colaboração dos moradores e líderes comunitários”, acredita. O
problema do transporte, segundo Sales, começará a ser resolvido ao longo do
segundo semestre. “Levei a demanda ao conhecimento do governador. Precisamos
estudar uma maneira de como isso vai passar a funcionar para que a qualidade melhore.
Há projetos de modificações nesse sentido”, garante.
"Não troco Sobradinho por nenhum outro lugar. O comércio é bom, a segurança e a estrutura da cidade me permitem uma qualidade de vida maior" Nunci Maria Pereira, 45 anos, mora em Sobradinho há 20
Lazer
Do
Maranhão para Sobradinho, o Boi do Seu Teodoro é um dos mais importantes grupos
de cultura popular do DF. Em 2013, o movimento completou 50 anos de tradição,
que começou a se consolidar na cidade em 1963, com a fundação da Sociedade
Brasiliense de Folclore, hoje Centro de Tradições Populares de Sobradinho. O
movimento está em processo de inventariado, para ser reconhecido como
patrimônio imaterial pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan). Atualmente, o grupo é comandado por Guarapiranga Freire,
morador da cidade e um dos filhos de Seu Teodoro, morto em 2012.
"Sobradinho, hoje, é o melhor lugar do DF para se morar. Aqui, podemos viver de uma maneira que outras cidades não permitem" João Temóteo de Souza Neto, 72 anos, morador de Sobradinho desde a década de 1960
Cachoeiras
e lagoas são opções para quem quer fazer um roteiro ecológico. Na cidade, são
pelo menos 10 destinos (veja quadro). Quem frequenta ressalta a importância de
se valorizar o turismo local. “São lugares lindos. Sempre que tenho a
oportunidade, eu vou e indico para amigos. As pessoas que moram no DF
desconhecem as maravilhas que temos aqui”, afirma a enfermeira Cláudia Costa,
42 anos, moradora da cidade há 16.
Fonte: Correio Braziliense
